Meirelles: PanAmericano não usou dinheiro público para recapitalização

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou neste quinta-feira (11) que o problema financeiro do Banco PanAmericano (do Grupo Silvio Santos) foi solucionado sem o uso de dinheiro público e que foi preservado o patrimônio dos acionistas minoritários e dos depositários. “O PanAmericano foi entregue à Caixa Econômica Federal com as contas saneadas, dentro do prazo legal e sem custos ao contribuinte”, afirmou Meirelles, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento.

Em dezembro de 2009, a Caixa Econômica Federal pagou R$ 739,2 milhões para comprar 49% do capital do Panamericano. Antes da compra o PanAmericano foi examinado pelas auditorias KMPG e Deloitte, mas o rombo nas contas não foi detectado. De acordo com Meirelles, o Banco Central detectou no mês passado os erros no balanço do PanAmericano.

Então, atendendo a determinação do Banco Central de recapitalizar o PanAmericano, o Grupo Silvio Santos, controlador do banco, contraiu empréstimo de R$ 2,5 bilhões junto Fundo Garantidor de Crédito (FGC), para resolver o problema. O FGC é formado com recursos dos próprios bancos. Para conseguir o empréstimo, o Grupo Silvio Santos deu como garantia empresas do grupo, entre elas a rede de televisão SBT e o Baú da Felicidade.

 
Henrique Meirelles argumentou que o problema foi resolvido num prazo relativamente curto e que a solução não causou prejuízo ao sistema financeiro.”A solução foi importante para evitar que houvesse risco para o sistema bancário”, afirmou. Meirelles destacou que problemas registrados em bancos em outros países nos últimos anos só foram resolvidos com dinheiro público.

 
“Se nós olharmos os Estados Unidos, a Europa, a Ásia, sempre tivemos uma situação de grande perda do poder público ou dos depositantes, neste nosso caso o controlador ficou com o prejuízo e o Fundo Garantidor de Crédito cumpriu sua missão” enfatizou.

Proer – O presidente do Banco Central afirmou também que o aporte de R$ 2,5 bilhões recebidos pelo Banco Panamericano do Fundo Garantidor de Crédito “não tem nenhuma similaridade” com o Proer, programa de reestruturação do sistema bancário realizado na década de 1990 que utilizou recursos da União para sanear o sistema.

“Não tem nenhuma similaridade com o Proer, que foi uma operação para resolver problemas dos bancos, foi aprovada uma lei onde o poder público fez empréstimos para bancos que estão ainda a ser pagos. Agora é uma operação diferente, uma operação privada”, disse o presidente do BC.

Vânia Rodrigues, com agências

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