Bohn Gass anuncia apoio da Bancada do PT a superpedido de impeachment contra Bolsonaro

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Povo nas ruas clama pela saída urgente de Bolsonaro. Foto: Lula Marques/Arquivo

O Líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Elvino Bohn Gass (RS), anunciou da tribuna da Casa nesta quinta-feira (24) o apoio irrestrito do partido ao superpedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, que será protocolado na próxima quarta-feira (30), após um ato público com dirigentes de partidos políticos, entidades e movimentos sociais, além de parlamentares de várias orientações ideológicas. Segundo o líder petista, o recente escândalo de corrupção na compra da vacina indiana da Covaxin e a denúncia de que, avisado, Bolsonaro não agiu, foram a ‘gota-d ’água’ para a unificação dos mais de 120 pedidos de impeachment já protocolados na Câmara e sua reapresentação em uma única ação.

Segundo Bohn Gass, é inadmissível que na semana em que o País ultrapassou a marca de 500 mil mortos pela Covid-19, “porque o governo não garantiu a compra de vacina”, o País tome conhecimento de uma denúncia – feita por um deputado aliado do próprio governo – de que havia um esquema para comprar a vacina indiana Covaxin, com 1000% de superfaturamento, e com a intermediação de uma empresa já acusada de fraude durante a pandemia.

“Não é aceitável o que está acontecendo no País. Por isso nós fizemos no dia de hoje (24) uma reunião entre todos os autores dos mais de 120 pedidos de impeachment que já estão nessa Casa, e anunciaremos na próxima semana, em um ato conjunto no dia 30 (quarta-feira), entre partidos, organizações, autores, lideranças e entidades, a unificação de todos eles em um superpedido de impeachment”, avisou.

Durante seu pronunciamento, Bohn Gass lembrou que a denúncia feita pelo deputado Luís Miranda (DEM-DF), aponta que além do superfaturamento na compra da vacina, o Ministério da Saúde assinou contrato com a empresa Precisa Medicamentos para intermediar a compra. O petista recordou aos parlamentares que essa empresa já havia sido alvo da Operação Falso Negativo, da Polícia Federal, deflagrada em julho do ano passado, por envolvimento na venda de testes de Covid-19 superfaturados ao Governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), aliado de Bolsonaro.

“E essa empresa, a Precisa Medicamentos, tem sócios, e uma delas é a Global Saúde, também alvo de ação por improbidade administrativa por contratos firmados junto ao Ministério da Saúde”, alertou. A Global Saúde é ré em um processo na Justiça Federal em que o Ministério Público pede a devolução de R$ 20 milhões pagos indevidamente pelo Ministério da Saúde em 2017. Na época, o ministro era o atual líder do Governo Bolsonaro na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR).

Empresa de Fachada

O líder do PT explicou ainda durante seu pronunciamento, que o caso ganha contornos ainda mais surpreendentes com a denúncia de que a empresa intermediadora da compra da Covaxin, a Precisa Medicamentos, pediu ao Ministério da Saúde para depositar antecipadamente 45 milhões dólares na conta da empresa Madison Biotech, com sede em Cingapura, como parte do pagamento pelas vacinas. A cúpula da CPI da Covid no Senado suspeita que a Madison é uma empresa de fachada.

Envolvimento de Bolsonaro

O deputado Bohn Gass destacou ainda que o superfaturamento não ficou circunscrito a uma operação realizada entre o Ministério da Saúde – comandado à época pelo general Pazuello – e a Precisa Medicamentos. Segundo o líder petista, o presidente Jair Bolsonaro se envolveu no caso “até o pescoço”. Ele relembrou na tribuna que o deputado Luís Miranda (DEM-DF) relatou à imprensa que seu irmão, Luis Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde, recebeu todo tipo de pressão para dar aval à compra superfaturada da Covaxin. O petista ressaltou ainda que o denunciante disse à imprensa que relatou o caso pessoalmente ao presidente Jair Bolsonaro, que prometeu acionar a Polícia Federal.

“É muito grave, senhoras e senhores, o que está acontecendo. E o governo federal, como reage? Ele (Jair Bolsonaro) foi avisado, o deputado federal Luís Miranda fala que ao menos em duas ocasiões levou essas informações ao presidente. E agora quando foi solicitado se havia um processo de investigação por parte da Polícia Federal, se verifica que nada foi feito frente a essa gravíssima denúncia”, protestou.

Ameaça à testemunha

O parlamentar petista ressaltou ainda que a reação do governo diante da denúncia mostra que está em curso uma tentava de abafar a apuração do escândalo. “O que o governo fez, além de não levar a denúncia adiante, no dia de ontem (23), através de um de seus ministros, o Onyx Lorenzoni, convocou a imprensa não para dar explicações, mas com um monólogo fazer uma narrativa e ameaçar em tom miliciano quem ofereceu a denúncia”, afirmou.

Héber Carvalho

 

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