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Governo é o responsável pelo caos sanitário no País, afirmam petistas ao contestarem ministro da Defesa

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Apesar das inúmeras evidências do negacionismo e da incompetência do governo Bolsonaro no combate à pandemia, que levaram o Brasil à segunda colocação mundial de mortes pela Covid-19 – com mais de 411 mil óbitos – o ministro de Defesa, general Braga Netto, disse nesta quarta-feira (5) que “o Brasil não falhou no combate à Covid”. A afirmação ocorreu durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDEN) da Câmara dos Deputados, que recebeu o ministro da Defesa e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, para explicarem as prioridades da Defesa para 2021.

Ao ser questionado por deputados da Oposição sobre a gestão do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, Braga Netto defendeu o trabalho do militar, que inclusive já foi convocado a prestar depoimento na CPI da Pandemia no Senado. Previsto para acontecer nesta quarta (5), o depoimento de Pazuello foi adiado para o dia 19 de maio após o ex-ministro da Saúde alegar que teve contato com pessoas que testaram positivo para a Covid-19.

De acordo com Braga Netto, o governo fez o possível no combate à pandemia e as vacinas não foram compradas antes porque não existia essa possiblidade. A declaração do ministro da Defesa já foi desmentida pela fabricante de vacina Pfizer, que declarou à imprensa brasileira que tentou vender, em agosto do ano passado, 70 milhões de doses do imunizante para o Brasil. As doses seriam entregues a partir de dezembro de 2020.

Porém, a oferta foi recusada pelo governo brasileiro com a justificativa de que a fabricante estaria exigindo cláusulas abusivas. No entanto, as exigências da Pfizer eram as mesmas acordadas com todos os países que compram a vacina.

O Instituto Butantã também tentou vender 60 milhões de doses ao governo Bolsonaro, ainda em 2020, e na época a oferta também foi recusada.

Distorção sobre a vacinação no Brasil

O ministro da Defesa também distorceu dados para tentar melhorar a situação do governo Bolsonaro em relação a vacinação. Ele citou, por exemplo, que o Brasil é o 5º país do mundo em número de doses aplicadas. O deputado Henrique Fontana (PT-RS), no entanto, lembrou Braga Netto que ele “esqueceu” de dizer que proporcionalmente o Brasil está muito mal no ranking de vacinas por habitante, que coloca o Brasil apenas na 56ª posição mundial.

“Por favor, ministro Braga Netto, corrija essa informação de que o País está bem porque ocupa a 5ª posição em vacinação total no mundo. Todos aqueles que analisam tecnicamente o assunto levam em conta a vacinação em relação ao número de habitantes, em busca de uma imunização coletiva. Segundo esses especialistas, o Brasil precisa atingir a meta de 322 milhões de doses aplicadas (1ª e 2ª dose) em pessoas acima de 18 anos, para atingir essa imunidade. Até agora tivemos a aplicação de apenas de 49,6 milhões de doses, faltando ainda outras 272,3 milhões”, alertou.

O parlamentar gaúcho disse ainda ao ministro da Defesa que, no ritmo atual de vacinação (média de 661,4 mil doses aplicadas diariamente nos últimos 7 dias), o Brasil vai demorar mais 411 dias para concluir a meta, jogando a conclusão da vacinação contra a Covid para a metade de 2022. Sem resposta convincente ao deputado Henrique Fontana, Braga Netto disse que não queria polemizar e reafirmou que o País está em 5º no ranking de vacinação (em número de doses).

Deputados Arlindo Chinaglia e Henrique Fontana. Foto: Gabriel Paiva

Já o deputado Paulão (PT-AL) questionou o ministro da Defesa sobre os R$ 43 milhões em recursos públicos utilizados para a produção de cloroquina nos laboratórios do Exército, “como tratamento preventivo” à Covid, justamente na gestão do general Pazuello. O medicamento é contraindicado pela ciência. “Penso que esse recurso poderia ter sido mais bem aplicado na saúde pública”, observou o alagoano. Apesar da indagação, Braga Netto não explicou os gastos com a produção do medicamento defendido pelo presidente Bolsonaro.

Deputado Paulão. Foto: Gustavo Bezerra/Arquivo

Militarização do governo Bolsonaro

Vários parlamentares também questionaram o ministro da Defesa sobre o número exagerado de militares ocupando cargos no governo Bolsonaro. Em resposta, Braga Netto respondeu que há exagero da imprensa sobre esse número e que não existe proibição legal para isso. Questionado pelo deputado Carlos Zarattini (PT-SP) sobre “quantos militares ocupam cargos comissionados no governo, e que não são de natureza militar”, o ministro da Defesa simplesmente não respondeu.

Ignorando ainda as várias acusações de incompetência que pesam contra o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, Braga Netto respondeu que é normal um militar ocupar um cargo por indicação política quando se exige “expertise e competência”. A declaração entra em contradição com ações do Ministério da Saúde sob o comando do general Pazuello, considerado por ele mesmo “especializado em logística”.

Na época de Pazuello, o Ministério da Saúde deixou 8 milhões de testes contra a Covid perderem a validade, enviou errado milhares de doses de vacinas para dois estados brasileiros ao confundir as abreviações AM (Amazonas) e AP (Amapá), e mais recentemente descobriu a existência de mais de 100 mil doses de vacinas “perdidas” em seu estoque.

Deputado Carlos Zarattini. Foto: Gustavo Bezerra/Arquivo

Manifestações antidemocráticas

Parlamentares petistas ainda questionaram o ministro da Defesa sobre as manifestações antidemocráticas promovidas por bolsonaristas desde o início do atual governo, e que pedem intervenção militar no País com o fechamento do Congresso e do STF. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) lembrou ao ministro da Defesa que o presidente Bolsonaro costuma apoiar esses atos, por palavras e gestos, inclusive sobrevoando de helicóptero essas manifestações.

Revelando o incômodo com a indagação, Braga Netto respondeu que não iria comentar declarações e atos do presidente da República. “Essa pergunta deve ser feita a ele”, disse, esquivando-se.

Héber Carvalho

 

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