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1º de Maio de resistência, luta e unidade dos trabalhadores brasileiros

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O 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, em tempos de pandemia do coronavírus que assola o País, vai exigir muito mais força, resistência, luta e unidade do trabalhador brasileiro para enfrentar o retrocesso imposto pelo golpe de 2016, potencializado com a presença de Jair Bolsonaro no poder. Desde então, o Brasil vive o retorno de um passado nefasto com ataques violentos praticados pelo governo Bolsonaro ao mundo do trabalho.

“Esse 1º de maio é dia de reforçarmos nossa luta por emprego e dignidade para o trabalhador brasileiro que vem sofrendo com a retirada de direitos da agenda neoliberal adotada desde o golpe contra a presidenta Dilma”, afirmou a presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Presidenta Gleisi Hoffmann. Foto: Lula Marques/Arquivo

Receituário nefasto

Com Bolsonaro, o País olha pelo retrovisor da história para materializar um receituário econômico-social fracassado para a maioria da população, pois se volta a reforçar privilégios e a ameaçar garantias coletivas e, principalmente, a vida das pessoas ao tratar a pandemia da Covid-19 com desprezo, descaso e negacionismo.

“Nesse ano, a luta é mais ampla, pelo direito à vacina e à comida na mesa do povo brasileiro, que vem sendo desprezado pelo pior governo da nossa história. Vamos juntos reforçar a mobilização pelo impeachment do genocida que destrói o Estado de bem-estar social e abandona a população à própria sorte”, acrescenta Gleisi.

O receituário Bolsonarista é composto por arrocho salarial, perda de direitos trabalhistas e previdenciários, perda das conquistas sociais, favorecimento do capital financeiro em prejuízo da produção, comprometimento da soberania nacional e, consequentemente, aumento do fosso de desigualdades entre pobres e ricos. Marcas indeléveis de um Brasil vítima do golpe, vítima de Bolsonaro.

“É momento de refletir, debater com as bases, acumular forças, traçar estratégias aos embates que vêm pela frente. Precisamos derrotar Bolsonaro e as forças políticas que o levaram ao poder e ainda o sustentam”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Sérgio Nobre.

Governo genocida

O Líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Bohn Gass (RS), destacou que este 1º de Maio será diferente porque, em virtude do isolamento social necessário para combater a pandemia, os trabalhadores irão se manifestar em atos virtuais contra as ações e medidas nefastas deste governo que tanto desrespeita a classe trabalhadora brasileira.

Líder da Bancada do PT, deputado Bohn Gass. Foto: Gabriel Paiva/Arquivo

“Chegamos então ao dia 1º de maio de 2021 com o Brasil sob o governo genocida de Jair Bolsonaro. O mesmo Bolsonaro que, ainda como deputado, votou sim ao projeto de terceirização do governo do golpista Temer e que, depois, também votou sim àquilo que eles chamaram de Reforma Trabalhista, mas que, na verdade, não passou de uma destruição total da CLT”, descreveu Bohn Gass sobre algumas maldades praticadas por Bolsonaro contra o trabalhador.

Bohn Gass afirma que nada na economia funciona sem o trabalho. E a pandemia agora está mostrando que, se o operário não trabalhar a máquina não funciona. O parlamentar ainda lembrou que o grande motivador da economia, aquele que dá gás, energia, combustível para o desenvolvimento econômico é o trabalhador.

O líder petista disse ainda que este Dia do Trabalhador é uma data para lamentar e denunciar, mais do que para celebrar. “Infelizmente não temos nada para comemorar. Precisamos é de muita luta para defender o que o trabalhador tem de mais nobre: a sua força de trabalho”, afirmou Bohn Gass.

Realidade caótica

Para o deputado Carlos Veras (PT-PE) – que já presidiu a CUT-PE – apesar do pequeno alívio com o início da vacinação contra a pandemia de Covid-19, “o País continua atolado em várias crises e incertezas de uma realidade caótica”. Quadro este que, segundo ele, gera elevação drástica das taxas de desemprego e avanço galopante da extrema pobreza, “atingindo de maneira mais cruel a população pobre, as mulheres, o povo negro e a juventude”.

Deputado Carlos Veras. Foto: Gabriel Paiva/Arquivo

Para ilustrar essa realidade, Veras destaca os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), que revela o desemprego em patamar de 14,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2021, o maior da série iniciada em 2012, atingindo o número recorde de 14,3 milhões de brasileiros desempregados.

O parlamentar destaca também que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta que o Brasil deve ter a 14ª taxa de desemprego do mundo em 2021, em um ranking com 100 países. Em 2020, o país ficou na 22ª colocação. Veras recorre ainda para ilustrar seu argumento, ao levantamento da Austin Rating, que diz que o desemprego no Brasil deve ultrapassar o índice de países como Colômbia e Peru.

“Esse contexto de elevação potencial do desemprego no Brasil não se deve especificamente à pandemia, que tão somente veio tornar mais dramática a vida do povo brasileiro. Ou à irresponsabilidade e incompetência do Governo Federal ou, ainda, à postura nada republicana do presidente da República, Jair Bolsonaro. Todos esses fatores integram um conjunto favorável à implementação do ultraliberalismo, que vem aniquilando o projeto de Estado de bem-estar social e os direitos da classe trabalhadora em favor do mercado”, argumentou Carlos Veras.

Reinventar

Para contrapor a tudo isso, Carlos Veras defende que a classe trabalhadora precisa reinventar-se e unir-se para enfrentar mais um ciclo de ataques. “Essa reinvenção da luta da classe trabalhadora passa necessariamente pelo fortalecimento da organização do movimento dos trabalhadores, da negociação coletiva e da solidariedade entre as categorias, tendo como bandeiras específicas a proteção dos empregos e salários”. Além disso ele defende a garantia de renda para trabalhadores com contrato suspenso ou com redução de jornada de trabalho; a elevação do auxílio emergencial de R$ 600 até o fim da pandemia, a busca por iniciativas públicas de geração de emprego e renda e a garantia da vacinação já para todos.

Ladeira abaixo

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) é da opinião que só a unidade dos trabalhadores pode pôr fim aos desmandos promovidos por Bolsonaro. “Temos que nos unir como nunca em defesa dos diretos dos trabalhadores e por condições dignas de trabalho e renda”.

Deputado Carlos Zarattini. Foto: Gabriel Paiva/Arquivo

Segundo o deputado, com o golpe de 2016, o Brasil caminhou “ladeira abaixo” em tudo. “Retirada de direitos previdenciários e trabalhistas com a desculpa esfarrapada que geraria mais empregos. O que assistimos foi o ápice da exploração e uma deterioração nunca vista do mercado de trabalho. Já são 14 milhões de desempregados e 5,9 milhões desistiram de procurar emprego. Um verdadeiro caos”, sentenciou o parlamentar paulista.

Consequências danosas

“O golpe de 2016 trouxe as consequências mais danosas para os trabalhadores e para o Brasil”, define o deputado Vicentinho (PT-SP), que já foi presidente da CUT Nacional. Para ele, no caso do Brasil, o país vive e presencia “o estímulo ao ódio, ameaça e a prática da quebra do Estado Democrático de Direito, o desrespeito à Constituição brasileira e a prática das mentiras”.

Deputado Vicentinho. Foto: Cadu Bazilevski

Já em relação aos trabalhadores, Vicentinho aponta a retirada dos direitos na Previdência Social, dos direitos consagrados na CLT e a ameaça da retirada dos direitos para os servidores públicos. Segundo Vicentinho, os trabalhadores que são protagonistas econômicos em qualquer nação passaram a ser as grandes vítimas das políticas antitrabalhadores, antinacionalistas adotadas por Bolsonaro.
“As consequências de tudo isso é a fome. A fome que havia desaparecido para 32 milhões de famílias e que voltou. Só há desesperança e desalento”, lamentou Vicentinho.

Esperança é Lula

Para Vicentinho são vários aspectos que só poderão mudar e ter esse quadro revertido quando o Brasil tiver um novo Governo. “O Bolsonaro além de genocida, não tem nenhum projeto de desenvolvimento para o nosso país. Daí a nossa esperança em Lula”, asseverou Vicentinho.

O deputado Zé Carlos (PT-MA) também acredita que diante de todo o descalabro que está acontecendo com o País, se tem muito pouco a comemorar no Dia do Trabalhador. No entanto, ele aponta a esperança como um grande condutor de transformação para os anos vindouros.

Deputado Zé Carlos. Foto: Gustavo Bezerra/Arquivo

“Nós temos algo muito maior para comemorar, que é a esperança. A esperança que o Brasil volte a sorrir, que com o resgate das condições políticas do Presidente Lula nós possamos ano que vem, começar a desmanchar todo esse elenco de maldades que Bolsonaro vem fazendo com o nosso país, com as nossas instituições, com os nossos trabalhadores e com o nosso meio ambiente”, afirmou.

Legado

Na avaliação do deputado Paulão (PT-AL), nos governos petistas dos presidentes Lula e Dilma o Brasil e os trabalhadores viveram uma realidade inclusiva, soberana, digna e de bem-estar social.
“Quando o presidente Lula assumiu, depois a presidente Dilma, a gente teve um legado de promover a inclusão de 40 milhões de brasileiros que estavam fora de qualquer dignidade, abaixo da linha de pobreza, para mim isso já foi um legado fortíssimo”, reconheceu.

Deputado Paulão. Foto: Gabriel Paiva/Arquivo

“Além disso, todos políticas públicas exitosas que foram feitas, respeito à classe trabalhadora, respeito aos aposentados, representam um processo de avanço civilizatório de um País do ponto de vista equilibrado socialmente e harmônico. E, infelizmente, depois do golpe, principalmente com o governo Bolsonaro, a gente vê todo esse desmonte”, lamentou Paulão.

O deputado Zé Carlos também destacou os legados deixados por Lula e Dilma. No período petista, lembrou o parlamentar, o Brasil era feliz. “Era uma época em que o pobre pôde comprar casa própria, o trabalhador rural pôde colocar uma carne na geladeira porque tinha luz elétrica, tomar uma água gelada; o operário pôde comprar um carro, andar de avião como se anda de ônibus; tiramos milhões de brasileiros da extrema pobreza; a classe E subiu para a classe C; por isso, se juntaram e arquitetaram um plano que se iniciou com o golpe parlamentar contra a presidente Dilma sem ter cometido nenhum crime”, afirmou.

Eixos fundamentais

Para Paulão, o 1º de maio, tem que ser um dia de luta. Nesse sentido, ele aponta a necessidade de os trabalhadores centrarem força em três ações imprescindíveis. “O Brasil está com mais de 14 milhões de desempregados, principalmente da periferia, jovem, negros, pobres, e a tendência é a situação econômica piorar. Então é fundamental: Vacina para todos, auxílio emergencial de R$ 600 e solidariedade. Na minha visão, são essas três palavras de ordem da classe trabalhadora”, reiterou o deputado.

Plano de reconstrução

Diante do descalabro bolsonarista, o Partido dos Trabalhadores aponta os caminhos para a recuperação do País. As propostas inclusas no Plano de Reconstrução do Brasil buscam assegurar um novo caminho para o país, baseadas na ampliação de oportunidades, na igualdade e ampla liberdade de expressão e comunicação, além da defesa da soberania nacional, ameaçadas pelo governo de Jair Bolsonaro.

As propostas foram concebidas com base em contribuições de centenas de pessoas – trabalhadores, mulheres, negros, indígenas, representantes do setor público, LGBTQI+, artistas e intelectuais – comprometidas com o País.

O Plano de Reconstrução parte de um diagnóstico sobre a profundidade da crise brasileira, aprofundada pela pandemia do coronavírus e pela condução irresponsável do governo Bolsonaro na resposta ao Covid-19, que estão comprometendo o futuro do País e dificultando uma saída rápida da crise.

As propostas na economia colocam a alta do desemprego e o aumento da desigualdade como um dos principais focos e preveem um papel para o Estado no desenvolvimento econômico com Justiça Social.

O programa prevê medidas emergenciais e de longo prazo e tratam também de apresentar políticas públicas protetivas e inclusivas, de combate ao racismo estrutural, e de opressão e violência contra a mulher, além de tratar de homofobia, e violência contra os indígenas e os quilombolas.

Ato solidário

O 1º de Maio Unitário das Centrais Sindicais – CUT, Força, UGT, CTB, CSB, NCST, CGTB, Intersindical e Pública que ocorre neste sábado (1), conta com participação de artistas que se solidarizam com a luta dos trabalhadores brasileiros. Entre outros, estão Chico Buarque, Elza Soares, Renegado, Chico César, Osmar Prado, Teresa Cristina, Spartakus, Elen Oléria e Lirinha.

Em decorrência da pandemia, o evento será virtual. A transmissão será pela TVT e pelo Facebook da CUT, às 14h, com transmissão também pelo Facebook PT na Câmara. O tema é Vida, Democracia, Emprego, Vacina Para Todos e Auxílio de R$ 600, além do impacto da Covid-19 no setor cultural.

Veja o vídeo do 1º de Maio:

https://www.facebook.com/ptnacamara/videos/308668200722105

 

Benildes Rodrigues com informações da CUT

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