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Pandemia: As mulheres foram as que mais sofreram os impactos das demissões no Brasil

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Após mais de um ano de pandemia, as mulheres foram as que mais sofreram os impactos das demissões no Brasil e, por isso, precisaram procurar outras formas de trabalho para manter seus lares.

Quase 8,5 milhões de mulheres deixaram o mercado de trabalho no terceiro trimestre, e sua participação caiu a 45,8%, o nível mais baixo em três décadas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Jane Fernandes De Medeiros, 41 anos, de Natal (RN), trabalhava como assistente administrativo, desde 2004, numa empresa produtora de camarão. Em novembro de 2020 foi mandada embora por conta da baixa das vendas durante a pandemia.

“Agora minha única rede de apoio (escola), estava fechada e eu não poderia dar conta de uma empresa iniciante e mais 24h cuidando da casa, das filhas, do marido, do cachorro, enfim, de todas as outras coisas que uma mulher se atribui fazer diariamente”, conta ela.

Com isso, ela encontrou saída num curso de educação financeira e passou a estudar enquanto as filhas dormiam, acordando mais cedo e dormindo mais tarde. Começou a trabalhar com mentoria financeira online e assim vem conseguindo manter a casa.

“Meu esposo também perdeu o emprego, arranjou outro, mas não deu certo, era bem distante de casa, pediu as contas e está fazendo bicos. Enquanto não aparece outra oportunidade de emprego”, relata Jane Fernandes.

Com Rejane Maria do Nascimento Santos, de 50 anos, abrir seu próprio negócio online também foi sua única opção. Rejane é de Fortaleza e cozinha desde muito nova. Hoje, morando em São Paulo, ela abriu o Sabor do Nordeste, restaurante online que traz o gostinho do nordeste para a capital.

“Antes da pandemia eu estava trabalhando como ajudante de cozinha num restaurante que eu amava trabalhar. Porque eles trabalhavam com comidinha caseira. Na primeira semana de pandemia fui demitida assim como todos os demais funcionários”, relata ela.

Assim como Jane, Rejane sempre quis ter seu próprio negócio, mas a pandemia forçou que isso acontecesse antes do esperado.

“Passei alguns dias meio melancólica e apreensiva porque eu preciso pagar aluguel e as demais necessidades comuns a todos. Daí eu tinha um Instagram com 134 seguidores, e através de uma amiga de minha filha lá do Ceará, recebi a mensagem de uma moça procurando saber se eu fazia canudinhos. Uma iguaria servida nas festinhas de lá e eu respondi que fazia muito lá no Ceará. Aqui não tinha feito ainda. A mocinha encomendou logo 100 unidades. E daí ela postou e disso nasceu o “Sabor do Nordeste”, onde eu recebo as encomendas de comidas nordestinas e vou mandando entregar através de aplicativo”, explica.

Rejane disse que chamo a Laryssa de anjo, porque foi ela que fez as  primeiras propagandas do seu tempero. “E daí, graças a Deus e aos anjos, a vida tem tomado novos rumos e não tem me faltado pedidos”, completa.

Jane e Rejane não receberam o auxílio emergencial no ano passado, nem receberão neste ano. Além do baixo valor que o governo federal insiste em aplicar no benefício, nem todas as mulheres desempregadas e com filhos têm acesso a esse direito.

Dentro dessa realidade, o relatório das ONGs Gênero e Número e da Sempreviva Organização Feminista (SOF), aponta que quase 40% das entrevistadas na pesquisa afirmaram que o isolamento social pôs em risco o sustento de seu lar; dessas mulheres, 55% eram negras, geralmente as mais afetadas.

A realidade das mulheres brasileiras dentro da pandemia e do processo genocida do governo Bolsonaro segue cada vez mais difícil, já que desde sua campanha em 2018 o presidente tinha as mulheres como foco de seu ódio. A esperança se encontra cada vez mais distante.

“Todos os dias tento ser otimista com relação ao futuro. Há dias que quase falho. Mas é através da fé que tento não enlouquecer. O Brasil é um país lindo, mas sinceramente vejo um futuro cada vez mais difícil para a grande massa. Mas que a esperança em mim nunca morra. Por dias melhores para todos”, espera Rejane.

 

Da Agência PT de Notícias

 

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