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Bohn Gass acusa Bolsonaro de prática de genocídio e defende união nacional contra a Covid-19 e em defesa da democracia

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O líder do PT na Câmara, Elvino Bohn Gass (RS), denunciou a situação caótica na saúde publica do Brasil – já há mais de 311 mil mortos por Covid-19- e responsabilizou o capitão Jair Bolsonaro pela tragédia no País. “A mais profunda crise sanitária da história do Brasil, com centenas de milhares de mortos pela Covid-19, tem como maior responsável o genocida que preside a República”, escreveu ele na revista Carta Capital.

Bohn entende que só a união dos progressistas e de quem almeja um país democrático irá derrotar o projeto bolsonarista. “A reversão desse quadro demanda um esforço coletivo em defesa da democracia e do futuro do País”, recomendou.

“É um panorama dantesco diante de um governo negacionista movido por uma cartilha neoliberal antinacional e antipopular que destrói direitos sociais e trabalhistas históricos, dilapida o meio ambiente e transforma o Brasil em pária na comunidade internacional”.

Ele apontou também como ponto crucial a viabilização de um Plano Nacional de Reconstrução e Transformação como forma de tirar o País da estagnação econômica, “dada a política de terra arrasada implementada pelo governo do miliciano”.

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Salvação nacional

A mais profunda crise sanitária da história do Brasil, com centenas de milhares de mortos pela Covid-19, tem como maior responsável o genocida que preside a República. Simultaneamente, por obra do mesmo ex-capitão, o País encontra-se num atoleiro econômico e social que traz a desesperança e a exasperação a milhões de compatriotas desempregados ou subempregados, além de incertezas a importantes segmentos econômicos. A reversão desse quadro demanda um esforço coletivo em defesa da democracia e do futuro do País.

É um panorama dantesco diante de um governo negacionista movido por uma cartilha neoliberal antinacional e antipopular que destrói direitos sociais e trabalhistas históricos, dilapida o meio ambiente e transforma o Brasil em pária na comunidade internacional.

Com a negligência diante da escalada do autoritarismo e as costumeiras distorções políticas e ideológicas, os grandes conglomerados de comunicação ajudaram a criar as condições para o golpe midiático, parlamentar e judicial de 2016 e a criminosa retirada do ex-presidente Lula da corrida presidencial de 2018. Foi o início do descalabro atual.

Lula de volta – Com a volta de Lula ao cenário nacional, há esperança crescente entre o povo e agentes econômicos comprometidos com a democracia e, sobretudo, com seus próprios interesses, de que o Brasil pode voltar a trilhar o caminho do crescimento econômico com estabilidade e justiça social.

A grande tarefa para o PT e outros partidos de oposição, os movimentos sociais, populares e sindicais e diferentes setores democráticos e progressistas da sociedade é barrar os retrocessos em curso, a começar pelo enfrentamento à pandemia. É uma luta que caminha junto com a defesa da democracia e do Estado de Direito, diante das tentações autoritárias do militar-presidente e seus lunáticos seguidores. A nosso ver, são quatro os desafios centrais.

O primeiro é buscar fortemente a unidade de toda a oposição e dos setores democráticos para enfrentar a mentalidade fascitoide instalada no Brasil, do qual o maior representante é o próprio Jair Bolsonaro. A união suprapartidária de governadores para conseguir vacinas contra Covid-19, enfrentando o desprezo à vida e a incompetência do governo militar, é a sinalização de fortalecimento da luta contra a barbárie, independentemente de cor partidária, política e ideológica.

O outro desafio é garantir a plenitude dos direitos de Lula, para corrigir a injustiça histórica cometida pela Lava Jato contra o maior líder popular do país. Imediatamente após o ministro Edson Fachin, do STF, anular os processos manipulados por Moro em Curitiba, Lula já agiu como estadista diante da pandemia, sugerindo reunião do G-20 para tratar do tema e negociando vacinas com Rússia e China. Deixou Bolsonaro como é: um pigmeu político negacionista. Lula reaparece como o líder de um país à deriva e traz alento ao lembrar que em seu governo o Brasil era mais feliz.

Parque industrial – É essencial ainda a viabilização de um Plano Nacional de Reconstrução e Transformação como forma de tirar o País da estagnação econômica, dada a política de terra arrasada implementada pelo governo do miliciano. O modelo atual, de um ministro da Economia que segue à risca o desastroso e sanguinário modelo da ditadura do general Augusto Pinochet, no Chile, transforma o Brasil numa grande roça de latifúndios e fornecedor de matérias primas, em detrimento do parque industrial e dos empregos da classe trabalhadora no campo e na cidade.

Nossas matas, águas, minérios, empresas públicas, a chance de autossuficiência energética, o patrimônio ambiental, cultural e social, tudo está sendo destroçado. É preciso dar um basta a esta destruição. O PT defende uma agenda que tenha como pilar central a redução das desigualdades, a geração de empregos de qualidade, a proteção social e o crescimento econômico estruturado e sustentável.

O quarto ponto, neste momento dramático da vida nacional, é assegurar prioridade a uma campanha de vacinação de toda a população brasileira contra a Covid-19, numa luta que se alia a outra para garantir o direito à comida. Isso é fundamental.

A força do PT, sem dúvida, está no compromisso com a defesa da vida, uma luta no Parlamento para que essa bandeira venha antes de qualquer pauta colocada pelo governo e sua base com viés antinacional e entreguista – como a privatização da estratégica Eletrobras -, numa iniciativa para tentar agradar ao chamado mercado.

Carestia – Num momento sombrio, com milhares de mortos pela Covid-19, a pauta de privatizações é abjeta. Sobretudo por consideramos as mentiras apregoadas de que as reformas, como a da Previdência, e a venda de patrimônio público – como ativos da Petrobras – criariam empregos e melhorariam a qualidade de vida da população. A gasolina subiu mais de 50% , em 2021, a inflação dos alimentos foi de 20% e o gás de cozinha custa R$ 100,00. O desemprego continua galopante e a massa salarial cai, o que desmoraliza a tese das “reformas”.

A carestia abala os que têm emprego, mas a situação é ainda mais dramática entre as outras dezenas de milhões de pessoas que não têm nenhuma renda. No ano passado, 67 milhões sobreviveram com os R$ 600,00 do auxílio emergencial. Essa multidão, agora, ficou três meses sem receber nada e o novo auxílio, só por quatro meses, foi reduzido em até quatro vezes, para um universo de 30 milhões a menos de beneficiários. O auxílio aumentou a dívida pública, mas evitou uma queda maior no PIB, que sem o auxílio despencaria 10%. Garantiu a atividade econômica, manteve um nível de empregos e se pagou. Isso deveria ser argumento suficiente para que tivéssemos mantido o auxílio em 2021 no mesmo patamar de 2020.

Assim, não é apenas do ponto de vista sanitário, mas também econômico, que se constata o caráter genocida do governo. Portanto, nada pode ser mais importante para a Câmara e o Senado do que tomar medidas urgentes de enfrentamento à pandemia e ao caos sanitário e hospitalar, garantindo vacina para todos e auxílio emergencial de R$600,00 até o fim da pandemia. A Bancada do PT já apresentou mais de 700 proposições durante o último ano, todas neste caminho. Precisamos votar o que é prioridade para proteger a população da Covid-19 e salvar vidas.

(*) Elvino Bohn Gass (PT-PR) é líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados

(Artigo publicado originalmente da edição número 1150 da revista Carta Capital)

Redação PT na Câmara

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