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Folha aponta suspeição de Moro e reconhece que Lula não teve julgamento imparcial

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Parlamentares da bancada do PT na Câmara destacaram, com a hashtag #AnulaSTF, a importância do fato de até o jornal Folha de S. Paulo agora reconhecer que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve um julgamento imparcial e foi perseguido pela Operação Lava Jato, conduzida pelo ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol.

A posição do jornal foi expressada, pela primeira vez, em editorial publicado neste sábado (27), no qual aponta que os diálogos revelados pela Operação Spoofing, da Polícia Federal, deixam evidente que Lula foi vítima de uma armação feita em Curitiba.

Na abertura, o editorial afirma: “Desde que vieram a público, em junho de 2019, os primeiros vazamentos de conversas entre investigadores da Lava Jato e o então juiz Sérgio Moro, ficou evidente que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teve um julgamento imparcial no caso do famigerado apartamento de Guarujá (SP)”.

O jornal acrescenta que “as gravações mostraram uma proximidade inaceitável entre magistrado e acusadores, o que é razão suficiente para a suspeição”. Para a Folha, “é particularmente chocante o diálogo entre dois procuradores debatendo o que devem fazer diante da informação de que uma delegada da Polícia Federal havia lavrado termo de depoimento de testemunha que não fora ouvida”.

O líder do PT na Câmara, Elvino Bohn Gass (RS), destacou, pelo Twitter, o editorial do jornal sobre a armação dos “Golden Boys” de Curitiba. “ @LulaOficial NÃO TEVE um julgamento imparcial…” “…gravações [das conversas entre os membros da Lava Jato] mostraram uma proximidade inaceitável entre magistrado e acusadores…”, escreveu o líder, chamando a atenção do Supremo Tribunal Federal para a operação ilegal orquestrada por Moro e Dallagnol, num verdadeiro esquema criminoso que abriu caminho para a eleição do neofascista Jair Bolsonaro.

Tramoia entre Lava Jato e TRF-4

Bohn Gass apontou também como grave a vinculação entre Moro e os desembargadores do Tribunal Regional Federal 4 (TRF-4) Gebran Neto e Thompson Flores. A amizade de Gebran é tão estreita com Moro que os dois trocaram dedicatórias em livros. Já o desembargador Thompson Flores fez elogios públicos à sentença proferida por Moro no caso do triplex no Guarujá (SP). Mesmo sem acesso aos autos e aos argumentos de apelação, Thompson afirmou que a decisão de Moro foi “irretocável” e “irrepreensível”.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) escreveu, também no Twitter, que Lula fez bem em insistir em mostrar a verdade e trazer à tona os podres da Lava Jato. “ Pessoas defendiam que@LulaOficial diante das injustiças e da perseguição deveria ter saído do País ou ido para uma embaixada pedir asilo. Certo de sua inocência, Lula passou 580 dias preso, e com esse gesto, revirou as entranhas da Lava Jato e possibilitou que a verdade aparecesse”

O parlamentar gaúcho frisou que “ a Lava Jato nunca foi contra a corrupção, sempre foi contra o PT”. Como exemplo, citou a informação vazada de que em 2018 Dallagnol comemorou derrota de petistas e a vitória de Wilson Witzel para o governo do Rio de Janeiro, do qual foi afastado depois por corrupção.

Mesmo diante das provas de armação dos membros da Lava Jato, há ainda meios de comunicação, como a Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, que ainda dá espaço para a Lava Jato defender seus métodos ilegais e inconstitucionais, reclamou Paulo Pimenta. “ Hoje a @folha faz um editorial reconhecendo que @LulaOficial não teve direito a um julgamento justo e criticando a promiscuidade da relação de @SF_Moro e @deltanmd na Lava Jato. Ontem a @RdGaucha fez mais um entrevista ridícula para DD exaltar os feitos dos Golden Boys de Curitiba”, informou o parlamentar.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) escreveu: “Anos depois e depois de tudo, a @folha diz em editorial que Lula não teve um julgamento justo. Reconhecimento tardio, mas que não deixa de ser importante. Mesmo tarde, foi o primeiro grande veículo de imprensa a fazer isso. Antes tarde do que tarde demais!”

O líder da Minoria no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), escreveu no Twitter que “precisamos seguir pressionando para que a suspeição de Moro seja finalmente confirmada pela Justiça. A Lava Jato nunca atuou para combater a corrupção e sim para perseguir Lula e o PT. Essa farsa precisa acabar.”

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) observou que a @folha, “mesmo assumindo que assistiu ao mesmo filme que nós, não assume o principal do enredo: Lula foi condenado sem provas para impedir sua candidatura. E não há provas porque não houve crime. Tem gente querendo salvar a Lava Jato de si mesma, de seus crimes…”
Anulação do processo contra Lula

No editorial, a Folha afirma que que as gravações das conversas dos lavajatistas, captadas pelo hacker Walter Delgatti Neto, resultam de uma invasão ilegal a celulares. “Não podem ser empregadas como prova para incriminar ninguém; podem, contudo, ser usadas pelas defesas de réus para pleitear nulidades”, adverte o texto.

Ao final, o texto diz que “se a Lava Jato nem sempre se comportou como deveria, há ainda mais evidências de que os esquemas de corrupção por ela investigados eram terrivelmente reais. Bilhões de reais desviados foram recuperados, dezenas de envolvidos confessaram seus crimes e grande parte das condenações foi confirmada por instâncias superiores”.

O jornal também condena as posturas de Deltan Dallagnol e da delegada da Polícia Federal Érika Marena. “Por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, colocou-se o material à disposição dos advogados de Lula. À medida que mais mensagens vão sendo examinadas, mais heterodoxias vão sendo descobertas. É particularmente chocante o diálogo entre dois procuradores debatendo o que devem fazer diante da informação de que uma delegada da Polícia Federal havia lavrado termo de depoimento de testemunha que não fora ouvida”, aponta o texto.

Trama da Lava Jato com os EUA

As novas revelações mostram que, desde 2015, a “Lava Jato” tinha Lula como alvo pré-definido e promovia “operações” com o objetivo de constranger pessoas para que falassem algo sobre o ex-presidente. Para atingir seus objetivos, a “Lava Jato” recebeu fora dos canais oficiais “informações” das agências norte-americanas para promover a quebra do sigilo fiscal de familiares de Lula, sem a observância do procedimento previsto em lei.

A defesa do ex-presidente Lula encaminhou ao Supremo Tribunal Federal, no dia 17 último, novas mensagens que tornam ainda mais evidentes a colaboração clandestina da Lava Jato com autoridades estrangeiras, a ajuda externa para quebrar ilegalmente o sigilo de familiares de Lula e a organização de ataques contra os ministros do STJ e do STF para “emparedar” as duas instituições.

“Em que pese o discurso ensaiado dos membros da extinta “Força Tarefa da Lava Jato”, na linha de que “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”, o novo material analisado pela Defesa Técnica do Reclamante reforça, uma vez mais, que (i) houve, sim, cooperação da “operação” com agências estrangeiras fora dos canais oficiais”, informam os advogados na petição.

Leia mais:

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PT na Câmara, com agências

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