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Bolsonaro desvia recursos da pandemia para produzir 4 milhões de comprimidos de cloroquina

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Enquanto o Brasil clama por vacinas, Bolsonaro se apropriou de crédito extraordinário destinado ao enfrentamento da pandemia da Covid-19, para aplicar na produção de 4 milhões de comprimidos de cloroquina pela Fiocruz. O recurso emergencial de R$ 9,44 bilhões, destinado ao Ministério da Saúde (MS), foi aprovado pelo Congresso Nacional em abril do ano passado.

Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, documentos enviados pelo MS ao Ministério Público Federal (MPF) apontam gastos de R$ 70,4 milhões, do crédito extraordinário, com a produção de cloroquina e Tamiflu. Os dois medicamentos já foram descartados por cientistas pela ineficácia no tratamento do coronavírus.

O presidente do Conselho Nacional da Saúde, Fernando Pigatto, afirmou nessa quarta-feira (17) que o Brasil vive um dos piores momentos do enfrentamento à pandemia. Ele criticou o uso de recursos públicos e da Fiocruz para fins contrários ao momento pandêmico pelo qual passa o País.

“Temos, inclusive, produção de medicamentos sem comprovação para a Covid-19, mas que, com certeza, estão sendo priorizados em detrimento daquilo que deveria ser a preocupação central do governo, que seria incentivar isolamento social, uso de máscaras, distanciamento, cuidados com as mãos e, principalmente, a questão das vacinas”, opinou Pigatto.

Segundo Pigatto, o governo prefere investir e estimular instituições como a Fiocruz a produzir cloroquina, medicamento que deveria ser usado no tratamento da malária, “mas que está sendo usada para outros objetivos, com o objetivo de enfrentar a Covid, que não tem comprovação científica nenhuma, ou seja, desvirtuando aquilo que foi o objetivo inicial dessa produção”.

Projeto de morte

Fernando Pigatto criticou o descaso do governo Bolsonaro com a execução de um plano nacional de imunização. Segundo ele, decorridos um ano do início da epidemia no Brasil, o governo não elaborou um plano nacional de enfrentamento à doença que atinge milhões de brasileiros.

“Temos uma situação muito grave, em que o Governo Federal não está fazendo a sua parte. Parece que existe, sim, um plano, que é o plano do projeto de morte: quanto mais pessoas infectadas, quanto mais pessoas adoecendo, quanto mais pessoas morrendo, parece que este é o objetivo do governo que está aí”, alertou Fernando Pigatto.

O Brasil caminha a passos largos rumo a 250 mil mortes por Covid e próximo de alcançar a marca de 10 milhões de pessoas infectadas. Essa situação, avalia o presidente do Conselho Nacional de Saúde, pode se agravar ainda mais porque se tem baixa testagem, há muita dificuldade de identificar os casos e fazer com que as pessoas façam o isolamento domiciliar.

Associado a isso, apontou o presidente, se verifica muita dificuldade no próprio atendimento hospitalar, falta de oxigênio, não só em Manaus, como em outros estados e outros municípios do País.

Exército

Recentemente foi noticiado nos veículos de imprensa nacional, que além da Fiocruz, o Ministério da Saúde acionou o Exército brasileiro na produção de cloroquina. De acordo com a reportagem, o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército produziu 3,2 milhões de comprimidos de cloroquina, a um custo de R$ 1,16 milhão, a partir de pedidos feitos pelos ministérios da Saúde, e da Defesa.

“Temos aí informações do próprio Exército produzindo. Isso é muito grave para a vida das pessoas, porque se um medicamento é usado para doença que não é aquele objetivo principal em vez de solucionar o problema, agrava ainda mais”, ponderou Pigatto.

“Nós precisamos manter ainda os cuidados para que as pessoas preservem as suas vidas. Nós precisamos cuidar uma das outras, e nós precisamos continuar lutando para que tenhamos vacina, muitas vacinas, várias vacinas em grande quantidade para que a gente tenha a população imunizada o mais rapidamente possível”, apontou Fernando Pigatto.

Marca do negacionismo

Por sua vez, o ex-ministro da Saúde, deputado Alexandre Padilha (PT-SP) – conhecido por atuar com brilhantismo na linha de frente no Congresso Nacional em defesa da vida, e na busca de ações e soluções para a situação pandêmica que vive o Brasil -, repudiou o uso de uma instituição com a importância da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) pelo presidente Bolsonaro que carrega a marca do negacionismo em suas ações.

Foto: Lula Marques/Arquivo

“A irresponsabilidade de Bolsonaro não tem limites. Ele chega a utilizar instituições públicas sérias como a Fiocruz, e as obriga a produzir um volume de medicamentos, além de consumir recurso público, consumir trabalhadores, consumir planta de produção para medicamentos que não têm a menor eficácia, pelo contrário, mostram que têm eventos adversos graves para as pessoas”, denunciou o deputado que é membro da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 no Brasil na Câmara dos Deputados.

Algoz da saúde

Para Alexandre Padilha, a crise sanitária com fortes consequências na ausência de vacinas para dar alento às vidas das pessoas, tem na figura de Bolsonaro seu maior algoz. “Bolsonaro é responsável pelo Brasil estar sem vacinas, sem mais médicos e com mais charlatanismo na medicina. Bolsonaro acabou com o programa Mais Médicos e multiplicou mais charlatões na medicina. Bolsonaro acabou com Farmácia Popular e criou a distribuição em massa de medicamentos sem eficácia”, reiterou o ex-ministro.

Genocídio sem fim

Membro da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 no Brasil, o deputado Jorge Solla (PT-BA) externou preocupação com os desmandos sanitários protagonizados pelo presidente da República e seus pares. Segundo o parlamentar, “a investigação conduzida pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a fabricação, compra e distribuição de cloroquina durante a pandemia pelo governo Bolsonaro é criminosa em diversos aspectos”.

Foto: Gustavo Bezerra/Arquivo

Para Solla, essa atuação criminosa vai desde “a adoção de protocolos de tratamento com um medicamento comprovadamente ineficaz para combater o vírus, às aberrações como a redução da produção de imunossupressores pelos laboratórios do Exército, para que produzissem cloroquina”.

O deputado ainda denunciou a ausência de fabricação de um medicamento que, segundo ele, é vital para pacientes transplantados. “Oitenta mil pacientes que fazem uso diário desses imunossupressores. Sem eles, perdem os órgãos transplantados. Voltam à diálise ou morrem, em caso de transplantes cardíacos, por exemplo. O genocídio não tem fim”, sentenciou.

SUS

Fernando Pigatto disse ainda que para assegurar a vida das pessoas, há a necessidade de o País continuar a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). “Precisamos continuar cuidando da vida, defendendo o Sistema Único de Saúde, fortalecendo esse sistema, garantindo orçamento em 2021, assim como tivemos orçamento extra em 2020 com manutenção do piso emergencial, revogar a emenda constitucional 95 e defender a nossa democracia contra o fascismo”, finalizou o presidente do CNS.

Benildes Rodrigues

Veja o vídeo com Fernando Pigatto:

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