Home Portal Notícias Coronavirus STF autoriza investigação contra Pazuello por tragédia em Manaus

STF autoriza investigação contra Pazuello por tragédia em Manaus

8 min read
0

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou pedido da Procuradoria-Geral da República e autorizou, na segunda-feira (25), o início de uma investigação contra o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em razão da tragédia sanitária em Manaus (AM). Pelo menos 31 pacientes morreram por falta de oxigênio na capital nos dias 14 e 15 de janeiro, segundo o Ministério Público de Contas. A pasta, no entanto, fora informada por técnicos do próprio ministério sobre o iminente colapso da rede hospitalar pelo menos 10 dias antes, mas nada fez para evitar a catástrofe.

Pazuello terá cinco dias para depor à Polícia Federal. A investigação, que poderá resultar em uma ação judicial, terá um prazo de 60 dias para ser concluída. No pedido, o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, argumenta que “embora tenha sido constatado o aumento do número de casos de infectados pela covid-19 já na semana do Natal de 2020, o ministro da Saúde optou por enviar representantes da pasta a Manaus apenas em 3 de janeiro, ou seja, uma semana após ter sido cientificado da situação calamitosa”.

Ainda segundo Aras, Pazuello insistiu em desovar 120 mil caixas de cloroquina na rede de saúde do Amazonas, mesmo sem que o remédio tenha qualquer eficácia comprovada. “Além disso, [o procurador] noticiou que a distribuição de cloroquina 150mg, como medicamento para tratamento da covid-19, foi iniciada em março de 2020, inclusive como indicação para o tratamento precoce da doença, sem, contudo, [se] indicar quais os documentos técnicos serviram de base à orientação”, afirmou Lewandowski em seu despacho.

Chefe do genocídio

“Não basta punir o operador da carnificina. O chefe do genocídio precisa pagar também”, cobrou a presidenta do PT e deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). “Bolsonaro rasgou a bandeira do Brasil e levantou a bandeira da morte”, denunciou o senador Humberto Costa (PT-PE). “O negacionismo continua sendo o responsável por muitas mortes”, escreveu Costa, pelo Twitter.

“O negacionismo bolsonarista versa com o ilusionismo e a irresponsabilidade sanitária”, observa o deputado federal e ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP). O deputado é autor de projeto de lei que trata das responsabilidades de autoridades públicas e tipifica o crime de divulgação ou compartilhamento de informação falsa que atentem contra a segurança sanitária.

“Não é correto que autoridades possam, nas redes, passar sinais trocados que versem sobre a saúde pública e sejam desresponsabilizadas”, argumenta Padilha. “A saúde, enquanto direito, é um bem público e de interesse comum a todos. Portanto o seu debate também diz respeito às responsabilidades que têm um agente público diante da sociedade”.

“Investigação contra Pazuello precisa ser ágil e isenta. O caos no sistema de saúde de Manaus tem vínculo sim com a incompetência e o descaso desse desgoverno com a população. Um negacionismo criminoso. Precisamos punir os responsáveis”, escreveu o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) em suas redes sociais.

Impedir Bolsonaro

O deputado Afonso Florence (PT-BA) afirmou que é preciso impedir o presidente Jair Bolsonaro, já que é ele que dá as ordens. “Os crimes contra a saúde do povo Brasileiro, no boicote à vacinação, e o genocídio em Manaus serão investigados, por autorização de Lewandowski. Todos sabem que Pazuello obedece a Bolsonaro. Não basta o ministro, tem que impedir Bolsonaro”.

Já o deputado Carlos Veras (PT-PE) que saber quando Bolsonaro será responsabilizado pelos crimes contra o povo brasileiro. “O 3° ministro de Bolsonaro em plena pandemia será investigado pelo STF por omissão. Pazuello seguiu as ordens do chefe. Quando o presidente será responsabilizado?”.

O cerco está fechando

O cerco começou a se fechar sobre o ‘especialista’ em logística e seu patrão, Bolsonaro, o maior sabotador das medidas de combate à pandemia do País. Até o conciliador Rodrigo Maia, presidente da Câmara, subiu o tom sobre Pazuello e o trágico episódio.

Para o Maia, Pazuello cometeu pelo menos três crimes no Ministério da Saúde: primeiro, incentivou o uso de cloroquina e a ivermectina como parte de tratamento precoce. Depois, atrapalhou a produção da vacina produzida pelo Butantan. Por fim, recusou a oferta da Pfizer de 70 milhões de doses de vacina. “Não tenho dúvida nenhuma que tem crime. Pelo menos o ministro da Saúde já cometeu esses crimes”, afirmou Maia.

PT na Câmara com PT Nacional

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

Manifesto das mulheres recebe assinaturas

Em manifesto assinado por mais de 80 entidades, elas somam às pautas o impeachment de Bols…