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Entidades religiosas protocolam pedido de impeachment de Bolsonaro por negligência no combate à Covid-19

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O 63º pedido de impeachment do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro foi protocolado hoje (26) na Câmara dos Deputados. Assinado por 380 representantes de entidades e movimentos católicos e evangélicos de todo o País, o documento aponta como argumento central a negligência de Bolsonaro diante da pandemia de Covid-19, que já matou no Brasil mais de 218 mil pessoas, tornando o país um dos recordistas mundiais por mortes provocadas pelo coronavírus.

O pedido concentra-se na denúncia dos crimes de responsabilidade referentes à área de saúde, ao manejo criminoso das políticas sanitárias durante a pandemia, o não acesso à vacina e o desprezo à vida da população brasileira, com a usurpação do direito à saúde previsto na Constituição Federal. Para eles, Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e desrespeitou princípios constitucionais e o direito à vida e à saúde.

Gripezinha

Declarações de Bolsonaro durante a pandemia, como chamar o novo coronavírus de “gripezinha”, são citadas no pedido de impeachment. “As ações e omissões de Jair Bolsonaro, que seguem em repetição e agravamento, levaram e seguem levando a população brasileira à morte e geraram danos irreparáveis. Isso é crime de responsabilidade. Crime contra os direitos e os princípios constitucionais mais primários: à vida e à saúde”, diz a peça.

Entre os signatários estão dom Naudal Alves Gomes, bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransfomadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Os líderes religiosos citam que Bolsonaro atuou contra recomendações de autoridades sanitárias, desrespeitou regras de obrigatoriedade de uso de máscaras, promoveu e estimulou aglomerações, colocou em dúvida a eficácia e promoveu obstáculos à aquisição de vacinas. E também fez campanha pelo uso de medicamentos e tratamentos não corroborados pela comunidade científica – como o uso da cloroquina -, o que resultou, entre outras consequências, na pressão do Ministério da Saúde para uso dos medicamentos sem eficácia comprovada em Manaus ao mesmo tempo em que se esgotava o estoque de oxigênio na cidade.

Presidente irresponsável

Lembram também que Bolsonaro, em várias ocasiões, tratou a pandemia com menosprezo e referiu-se às vítimas em tom depreciativo, como quando reagiu com um “e daí?”, disse não ser coveiro e que o Brasil precisava deixar de ser um país de “maricas”, além de ter qualificado a doença mortal como “gripezinha’’.

Trata-se da primeira iniciativa de segmentos religiosos em favor do impeachment do capitão presidente. Segundo Romi Márcia Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a negligência de Bolsonaro chegou ao ápice com a crise recente em Manaus, onde pessoas morreram sufocadas por falta de oxigênio, em decorrência da incompetência de negligência do atual governo. “O sufoco de Manaus é do país todo, onde à população está abandonada por um governo que negligencia a vida”, disse Romi, em entrevista coletiva à imprensa na Câmara dos Deputados.

Momento crucial

Na lista de apoiadores do documento estão padres católicos, anglicanos, luteranos, metodistas e também pastores. Mesmo sem o apoio formal das igrejas, o grupo tem o respaldo de organizações como o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, a Comissão Nacional de Justiça e Paz (ligada à Confederação Nacional de Bispos do Brasil – CNBB), a Aliança de Batistas do Brasil e diversas lideranças católicas e evangélicas.

O bispo  Maurício José Andrade,  de Brasília e da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, afirmou que o Brasil encontra-se em um momento crucial de “enfrentamento a um governo que negligencia a vida da população”, enquanto Carlos Daniel Dell Santo Seidel, da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, denunciou que Bolsonaro tem cometido uma série de crimes. “Milhares de pessoas morrem pelo descuido do governo e o presidente comete crimes ao desestimular a população a tomar vacinas contra a Covid-19”.

Guimarães, Gleisi e Zarattini participaram do ato com os religiosos pelo impeachment de Bolsonaro.
Foto: Lula Marques

Impeachment já

A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), e os líderes da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), participaram do evento em que os líderes religiosos anunciaram o pedido de impeachment.

Gleisi destacou a importância da incorporação de líderes religiosos ao movimento pró-impeachment de Bolsonaro, observando que o País permanecerá “sem vacina e com plena instabilidade” enquanto Bolsonaro estiver no poder. Já Guimarães afirmou que o Brasil “não aguenta mais um governo genocida” e destacou que o impeachment de Bolsonaro é uma das questões centrais do Congresso Nacional. Zarattini assinalou que o governo Bolsonaro “é da destruição nacional” e precisa ser impedido o mais rápido possível.

Os partidos de esquerda – PT, PDT, PSB, PSOL, PC do B e Rede – , também vão protocolar na Câmara, amanhã (27), um outro pedido de afastamento de Bolsonaro, desta vez com o mote “Pelo impeachment, pela vacina e pela renda emergencial”.

Leia a íntegra do pedido de impeachment:

Impeachment religiosos

PT na Câmara

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