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Petistas fazem balanço do ano de 2020 e apontam desafios para 2021

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Parlamentares da Bancada do PT na Câmara se revezaram na tribuna virtual, nesta segunda-feira (21), para fazer um balanço do ano de 2020. Para eles, foi um ano triste e muito difícil, principalmente, por causa da pandemia na Covid-19 que assola o mundo e já matou mais de 186 mil brasileiros, além da incapacidade do presidente Jair Bolsonaro em governar o Brasil. Os petistas também falaram dos desafios que o Brasil terá que enfrentar em 2021.

“O Brasil termina o ano de 2020 com mais de 14 milhões de desempregados, mesmo antes da pandemia o desemprego já vinha aumentando. O País voltou para o Mapa da Fome. Pequenas e médias empresas indo à falência. A inflação real do preço dos alimentos. O aumento do preço de energia. O impacto de commodities no Brasil, com a produção de ração para o exterior e a não valorização da Agricultura Familiar, muitos agricultores familiares sem condições de produzir alimentos para ajudar a enfrentar os desafios que o País vem vivendo”, enumerou o deputado Nilto Tatto (PT-SP).

Ele ainda citou o desmatamento das florestas e biomas brasileiros, as queimadas batendo recordes e comprometendo o futuro do Brasil. “Não temos governo. Na verdade, temos um desgoverno, um antigoverno”, reforçou.

Nilto Tatto também fez duras críticas à Câmara dos Deputados. Para ele, os parlamentares poderiam ter se empenhado e derrubado os vetos da Lei Assis Carvalho, de apoio à agricultura familiar. Poderia ter votado a Medida Provisória nº 1.000, que trata da ajuda emergencial. “Tão fundamental para assegurar o mínimo de dignidade para milhões de pessoas desempregadas, pelo menos, ter garantido o benefício de R$ 600 durante a pandemia. Mas nós não tivemos coragem aqui de pautar essa matéria tão importante, para seguir adiante”. O deputado ainda cobrou a abertura dos inúmeros pedidos de impeachment de Bolsonaro.

E o deputado Joseildo Ramos (PT-BA) afirmou que a Câmara dos Deputados cumpriu seu papel e conseguiu garantir o mínimo de dignidade ao povo brasileiro diante da pandemia. Segundo ele, caberá ao Poder Legislativo erguer barreiras contra o desmonte do Estado de bem-estar social, do sistema de proteção social do Brasil e na defesa da democracia, para que não seja pautado matérias que retire a “dignidade do povo”.

Foto> Divulgação

Pior ano da história

Para o deputado Jorge Solla (PT-BA), 2020 vai ficar para a história como o pior ano da história brasileira, o ano em que o Brasil teve que conviver ao mesmo tempo enfrentando duas pragas: “a Covid e o governo Bolsonaro”. “Nós temos um governo negacionista, irresponsável, presidente insensato, um Ministério da Saúde que abdicou de liderar o Sistema Único de Saúde”, denunciou.
Jorge Solla também parabenizou o Congresso. “Contra a vontade de Bolsonaro, o Congresso aprovou o auxílio emergencial que botou comida na mesa de milhões de brasileiros. Deu um cheque em branco para o Governo Bolsonaro enfrentar a pandemia. Se não o fez, não foi por falta de orçamento, não foi por falta de disponibilidade financeira, não foi por falta de apoio do Congresso Nacional, isso tem que ficar bem claro”.

Foto: Agência Câmara

Incapacidade de Bolsonaro

A deputada Professora Rosa Neide (PT-MT) denunciou as inúmeras manifestações do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus, que segundo ela “presta enorme desserviço, desinforma as pessoas, gera dúvida e apreensão na população”. E completou: “Essas manifestações e posicionamentos do presidente da República custam vidas, maculam a credibilidade do País e, sobretudo, destrói a nossa economia”.

“É estarrecedor o que o presidente consegue produzir em suas manifestações. Agora foi capaz de afirmar que não há garantia de que determinada vacina não transformará, quem a tomar em jacaré, fazendo escárnio da tragédia do mundo e do Brasil. Minimizou a gravidade da pandemia, fez chacota com as pessoas, cloroquina, militarização do Ministério da Saúde, politização da Anvisa e, mais uma vez, questiona as vacinas e a gravidade da pandemia, que já deixou quase 185 mil mortos no Brasil”, destacou.

A parlamentar disse ainda que é preciso que o País coloque dinheiro nas vacinas para que todos sejam imunizados. “O Brasil precisa imediatamente, ainda que já tarde, colocar dinheiro nas vacinas, em todas elas, combater o Coronavírus, conseguir quantidades de vacinas e seus insumos que o Brasil precisa. Que a Câmara dos Deputados e toda a sociedade, a despeito de partidos e disputas eleitorais, que são precoces, compreendam que precisamos valorizar as vidas e, portanto, fazer todos os esforços para que, da forma mais urgente, o nosso País, o nosso povo seja imunizado. Precisamos de vacina para todos”.

Esperança

“É preciso que o ano que vem, realmente, seja um ano revolucionariamente e radicalmente novo. Que seja um ano em que possamos deixar para trás o ódio, a mentira e o fascismo que Jair Bolsonaro representa!”, desejou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

A deputada ainda lamentou tudo de ruim que aconteceu durante o ano de 2020. “Nós estamos encerrando este ano com mais de 186 mil pessoas mortas, nós estamos encerrando este ano com milhões de pessoas na extrema pobreza, nós estamos encerrando este ano com mais de 14 milhões de desempregados. Nós estamos encerrando este ano com quase 14 milhões de brasileiros e brasileiras na extrema pobreza. Nós estamos encerrando este ano com a faixa presidencial estabelecida no peito estufado do ódio e da mentira”.

Política Econômica

“A política econômica de Paulo Guedes e Bolsonaro aumenta a desigualdade social, aumenta o desemprego. Uma das consequências de como conduziu o enfrentamento à pandemia, à crise sanitária é mais desigualdade social. Não enfrenta a pandemia, não protege a vida dos brasileiros e, consequentemente, produz o aprofundamento das desigualdades sociais, a exclusão social, o desemprego e a desesperança”, lamentou o deputado Pedro Uczai (PT-SC).

Para ele, com o fim do auxílio emergencial, em 2021 haverá mais sofrimento para o povo brasileiro, para os trabalhadores e as trabalhadoras. “O governo não quer mais o auxílio emergencial, não quer aumentar o salário-mínimo e tem uma política econômica restritiva, de ajuste fiscal, sem induzir o desenvolvimento econômico e social”, denunciou.

“Vamos resistir. Votamos o novo Fundeb, uma esperança para a educação pública. Que, em 2021, consigamos revogar a Emenda Constitucional nº 95, do teto de gastos, para ter mais dinheiro para a saúde, para a educação, para a assistência social, para o povo que mais precisa. Não é só crítica, mas esperança, e a esperança nós vamos construir com muita mobilização e muita luta”, assegurou o parlamentar catarinense.

Foto: Agência Câmara

Reforma Agrária

O deputado Valmir Assunção (PT-BA) falou sobre a Reforma Agrária que foi deixada de lado pelo presidente Bolsonaro e da responsabilidade, expressa na Constituição, do mesmo em fazer a reforma. “O que está acontecendo hoje no Brasil? Paralisou-se totalmente a Reforma Agrária. O governo Bolsonaro não desapropriou uma terra, não deu prosseguimento aos processos de vistoria, não pagou os créditos assentados. O Governo Bolsonaro arquivou todo o processo de reforma”, protestou.

De acordo com o parlamentar, os partidos de Esquerda e os movimentos sociais, entraram no Supremo Tribunal Federal (STF), questionando o governo Bolsonaro. “Isso é um crime de responsabilidade que Bolsonaro está cometendo. Nós vamos ter que pedir o impeachment do presidente Bolsonaro baseado no descumprimento da Constituição Federal. Quando ele paralisa a Reforma Agrária, ele está descumprindo a Constituição, e nós não podemos aceitar isso”, afirmou.

Foto: Beto oliveira

Desafios

O deputado José Airton Cirilo (PT-CE) destacou os desafios que o Congresso Nacional enfrentou para apresentar e votar inúmeras matérias importantes e relevantes para o povo brasileiro enfrentar a pandemia. “Uma das mais relevantes foi a do auxílio emergencial, que nós conseguimos aprovar R$ 600 de ajuda para os trabalhadores e trabalhadoras do nosso País. Infelizmente, ainda faltou votar a pautar o veto ao projeto de lei (PL 873), que beneficiava diversas outras categorias, entre elas, agricultores e pescadores artesanais, etc. Mas foi uma conquista importante”.

Foto: Gustavo Bezerra

Racismo

“Aquele que nasceu nessa data – no Natal – nasceu para que não houvesse no Brasil e no mundo nenhuma prática de racismo. Nós vimos o que ocorreu em Istambul e agora, recentemente, na partida de futebol entre Flamengo e Bahia. “Cala a boca, negro!” Isso foi o que ouviu o meia central Gerson. Sua reação foi considerada por Ramírez uma reação de malandragem. Já passou da hora de punir seja quem for, técnicos, juízes, clubes, jogadores, comentaristas. Está na hora”, afirmou a deputada Benedita da Silva (PT-RJ).

Para ela não é possível dizer feliz Natal a uma família “negra faminta, desabrigada, desempregada, quando o presidente não faz o seu dever, quando o auxílio emergencial não vai chegar para essas famílias e para todas as famílias pobres, independentemente de serem negras ou brancas”, apontou. Benedita disse ainda que tem levantado a sua voz contra o racismo e a violência contra a mulher. “Além das palavras racistas verbais nós estamos também sendo fisicamente agredidos. Eu estou com Gerson. Ele não está só porque a maioria da população brasileira está ao seu lado. Não ao racismo”. E finalizou desejando um Feliz Ano Novo, “com vacina, com auxílio emergencial, com cultura, com trabalho, com emprego e sem fome”.

Foto: Gabriel Paiva/Arquivo

Lorena Vale

 

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