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Câmara encerra os 21 dias pelo fim da violência contra as mulheres homenageando heroínas brasileiras

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Em homenagem a grandes mulheres da história brasileira, Tereza de Benguela, Anésia Pinheiro Machado, Marília Chaves Peixoto e Ceci Cunha darão nome a espaços da Câmara dos Deputados. Os projetos – todos de autoria da bancada feminina – foram aprovados nesta quinta-feira (10), data em que se encerra os 16 dias (no Brasil são 21 dias) de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres.

Ao encaminhar o voto favorável do PT, a coordenadora do Núcleo de Mulheres do PT, deputada Erika Kokay (DF), destacou que “a luta para que tenhamos uma sociedade com igualdade de direitos, com equidade de gênero é uma luta que se constrói também com ações como essa, de nós estarmos com os espaços vazios sendo preenchidos com nomes de mulheres, para ir enchendo com a necessidade de dar visibilidade à luta de tantas mulheres”.

A deputada destacou ainda que no dia de hoje a Câmara está discutindo uma série de proposições indicadas pela Bancada Feminina. “Uma delas diz respeito ao enfrentamento à violência política de gênero, ou à violência institucional, e nós estamos dando o nome a um espaço desta Casa de Ceci Cunha, que foi assassinada. Nós homenageamos todas as mulheres que constroem uma trajetória para dizer que espaço de mulher é onde ela quiser; que não é a lógica patriarcal, sexista, com olhar colonial, da qual não fizemos o luto ainda, que vai impor quais são os espaços a serem ocupados por mulheres”, enfatizou.

Tereza de Benguela

Tereza de Benguela, considerada ícone da resistência negra no Brasil colonial, vai nomear o corredor de acesso ao Plenário da Câmara, de acordo com o projeto de resolução 54/20, que foi relatado pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ). “Rainha Tereza, como era conhecida, é símbolo de força, resistência e luta contra o racismo e desigualdades que perduram até hoje em nossa sociedade”, enfatizou a deputada.

Benedita citou ainda que Tereza de Benguela é a síntese de tantas identidades, mulher, negra, líder, guerreira e democrata. “Representa os parlamentares e cidadãos que transitam diariamente pelo corredor de acesso ao plenário da Câmara dos Deputados, motivados a efetivar os direitos de liberdade preceituados séculos depois em nossa Constituição Federal”, afirmou.

Mesmo escravizadas, lembrou Benedita da Silva, mulheres negras sonharam e algumas delas conseguiram vivenciar a liberdade, como no caso específico da homenageada, que organizou uma comunidade, com resistência e inteligência, inclusive adotando uma estrutura de deliberação como Parlamento para compartilhar coletivamente o poder, conforme constam nos registros históricos.

Tereza de Benguela liderou, durante o século 18, o Quilombo do Piolho – o maior do estado de Mato Grosso –, também conhecido como Quilombo do Quariterê (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia). Sob sua liderança, a comunidade negra e indígena, cujos registros apontam para mais de duzentas pessoas, resistiu à escravidão por décadas.

Anésia Pinheiro Machado

O plenário 11 das comissões permanentes receberá o nome da aviadora Anésia Pinheiro Machado (projeto de resolução 55/20). Anésia foi proclamada, em 1954, Decana Mundial da Aviação Feminina pela Federação Aeronáutica Internacional (FAI). A homenagem agrega e notabiliza a relevância da mulher em todas as atividades laborais.

Marília Chaves Peixoto

O plenário 13 das comissões permanente passará a se chamar Marília Chaves Peixoto, cientista e pesquisadora, homenageada pelo projeto de resolução 59/20. Marília foi uma matemática e engenheira brasileira, autoridade mundial na área. Foi a primeira mulher brasileira a ingressar na Academia Brasileira de Ciências, em 1951, sendo também a primeira mulher membro efetiva da instituição.

Ceci Cunha

A ex-deputada Ceci Cunha dará o nome ao plenário 2 das comissões permanentes (projeto de resolução 71/20). Ceci Cunha foi assassinada em 1998 em crime encomendado pelo suplente, para tomar-lhe a vaga no Parlamento. Para a bancada feminina, a homenagem a Ceci Cunha uma forma de reconhecer todas as deputadas que lutam pelo fim das desigualdades e pelos direitos dos mais necessitados.

Vânia Rodrigues

 

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