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Nota de Repúdio – A democracia está em risco, e as mulheres são as mais atingidas

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A democracia está em risco no Brasil e toda vez que temos uma grave crise as mulheres são as mais atingidas.

O projeto fascista e autoritário que chegou à presidência da República em 2018, tem a violência como instrumento estruturante de conquista e manutenção do poder. Não estamos mais diante de uma disputa tradicional de situação e oposição, mas de uma convocação para a eliminação literal e simbólica de todos os considerados inimigos.

Estamos falando de um projeto fundamentado num discurso de ódio e de uma visão fundamentalista e conservadora do mundo, que se expressa a partir da misogina, do machismo, do sexismo e da LGBTfobia.

Essa máquina de ódio opera fundamentalmente a partir da internet, onde milícias virtuais espalham o pânico e o medo, atuam incessantemente para perseguir, ameaçar e destruir reputações. Perfis falsos e disparos de fake news em massa buscam influenciar o resultado das eleições. Ataques cibernéticos atentam contra a democracia e os poderes constitucionais da República. O cyberbulying tornou-se a arma dos covardes no debate público digital.

Essa foi uma prática largamente utilizada nas eleições de 2018 e por fraqueza das instituições de coibir e punir os responsáveis, está novamente em operação nas eleições municipais de 2020. O império da violência e da mentira tem sido, particularmente, cruel contra as candidaturas femininas do campo progressista e de esquerda.

As milícias virtuais não hesitam em agredir a honra dessas mulheres, em realizar comentários jocosos sobre seu aspecto físico, desferir ataques que buscam ridicularizar e desqualificar a atuação pública e a competência para assumir espaços de liderança e poder.

Importante lembrar que esse projeto político que aí está – pacto de cartolas, bengalas e casacas – foi pavimentado justamente a partir de um discurso misógino contra a primeira mulher presidenta da República de nossa história, Dilma Rousseff.

Manuela D’ávila, Luizianne Lins, Benedita da Silva, Áurea Carolina, Marília Arraes e tantas outras milhares de candidatas a prefeitas e vereadoras têm sido alvos constantes desses ataques vis nas redes sociais.

A violência política contra as mulheres é um dos principais fatores para a baixa representação feminina. Ofensas, agressões psicológicas, desigualdade de condições, calúnias e difamações são expressões machistas e misóginas da política no sistema patriarcal.

Os dados do Instituto da União Interparlamentar Internacional são chocantes. Quase 82% das parlamentares ouvidas experimentaram violência psicológica. 44% receberam ameaças de morte, estupro, espancamento ou sequestro e 25% experienciaram violência física.

Fake news e a violência contra mulheres são crimes e devem ser combatidos por seus conteúdos misóginos que evidenciam a dominação masculina sobretudo nos espaços de poder. A disputa eleitoral deve ocorrer no campo das ideias e propostas para a cidade. Não há processo democrático sem a participação das mulheres.

Já lançamos o manifesto e campanha Por Todas Nós para alertar o Brasil sobre a violência política que está em curso contra mulheres candidatas nas eleições 2020.

Não aceitaremos a perseguição como norma, a exemplo, dos tempos sombrios da ditadura. Os ataques à honra e à integridade são novos tipos de censura, tentativas abjetas de silenciamento, que merecem todo nosso repúdio. É dever das autoridades eleitorais coibir todos os tipos de violência, ameaças e ataques misóginos contra as mulheres candidatas. Não há democracia sem eleições limpas nesse país.

Saibam que não iremos recuar. Não irão nos calar.

 

Venceremos!

 

Núcleo de Mulheres do PT na Câmara

 

 

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