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Parlamentares e pesquisadores chamam atenção para o problema de abastecimento de água no Pantanal

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Os impactos da crise hídrica na região pantaneira foi tema do debate virtual, nesta quinta-feira (15), na comissão externa destinada a acompanhar e promover estratégia nacional para enfrentar as queimadas em biomas brasileiros da Câmara dos Deputados. Sob a coordenação da deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), a reunião contou com a participação do deputado Nilto Tatto (PT-SP), pesquisadores, estudantes e pessoas que atuam diretamente com a questão da água.

A coordenadora da comissão, deputada Rosa Neide, deixou claro que apesar de em Cuiabá e em Poconé, cidades da entrada da Transpantaneira, no Pantanal, na região do estado de Mato Grosso, ter recebido algumas chuvas, e assim ter um maior controle sobre as queimadas, as reuniões do colegiado irão continuar para que possam analisar as questões sobre os incêndios e apresentarem soluções para que eles não ocorram em 2021 e nem nos próximos anos. Segundo especialistas, o Brasil terá anos de seca e de diminuição das chuvas. “Fato que nos preocupa em todos os biomas e, nesse caso, especialmente, no bioma Pantanal”, afirmou Rosa Neide.

Deputada Rosa Neide – Foto: Agência Câmara

A parlamentar ainda falou sobre os impactos das mudanças climáticas na população e em todo o planeta. “Todas as marcas das mudanças climáticas estão presentes em cada bioma do nosso País”. Para ela “os governos devem planejar e se preparar para que catástrofes como essa não continuem acontecendo”, disse.

Tecnologia para identificar as queimadas

De acordo com Alberto Setzer, coordenador substituto do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o instituto disponibiliza imagens de satélites e dados que mostram onde estão os focos de queimada de vegetação ativos na região do Pantanal, ou seja, todos –  inclusive organizações e o governo federal, tem a tecnologia para acompanhar os incêndios no Pantanal ou em qualquer bioma do Brasil, seja na gestão do fogo como um todo, para definir os períodos mais críticos e perceber quando a situação já está controlada; seja para orientar as brigadas e forças que estão em solo tentando minimizar e combater os incêndios. “Do ponto de vista técnico, há décadas toda a tecnologia está disponível e é utilizada pelos que se interessam, pelos que necessitam dela”, disse.

Para Setzer, o que falta é iniciativa do governo. “O que está faltando, como esse trabalho todo mostra, é alguma iniciativa institucional, política para estarmos preparados para enfrentar essa situação, porque, de uma forma mais grave, ou menos grave, nos últimos anos, nós tivemos muitas dificuldades com as queimadas e os incêndios no Pantanal”.

Deputado Nilto Tatto – Foto: Agência Câmara

O deputado Nilto Tatto reforçou o que disse o representante do Inpe. “Ficou muito claro que o Inpe já vinha alertando sobre essa estiagem e que ela viria com essas queimadas. Portanto, é bem aquilo que o Alberto falou. O Inpe faz as previsões. O problema foi outro: falta de ação, inação ou talvez uma ação política propositada para aquilo a que estamos assistindo não só no Pantanal, mas no País inteiro, do ponto de vista de queimadas”.

Para o parlamentar é preciso que o Congresso Nacional apure a responsabilidade pela inação por parte do governo federal, em especial do governo Bolsonaro, e das áreas que deveria ter estruturado para combater esses incêndios.

Insegurança Hídrica

A Dra. Áurea da Silva Garcia, diretora-geral da organização Mulheres em Ação no Pantanal (Mupan), falou sobre a insegurança hídrica a partir das pessoas que vivem no território e que habitam no Pantanal.

O Pantanal é a maior área de água doce inundável do planeta. Áurea explica que apesar de ter água em abundância, algumas comunidades e territórios tem dificuldade de acesso a água potável. “Por mais que haja tentativas, esses povos não conseguem ter esse acesso, seja em áreas urbanas, seja em áreas rurais”.

De acordo com a diretora do Mupan, a Associação dos Brigadistas Indígenas da Nação Kadiwéu tentou furar poços, inclusive profundos, mas não foi possível a captação de água, a alternativa que eles encontraram foi a de cuidar, buscar, recuperar e olhar a nascente. A aproximação da Associação com a Mupan se deu pela necessidade de olhar para a governança do seu território de vida, como cuidar das águas, como garantir a água do dia a dia, a água de beber, a água para cuidar dos animais, para dessedentá-los e para proteger o ambiente.

Áurea provocou as autoridades do País sobre a necessidade de dar voz a essas comunidades. “A minha provocação é sobre a importância de fortalecer o protagonismo e participar da governança dos seus territórios, seja indígena, seja quilombola, qualquer que seja a comunidade tradicional, mas que eles façam parte e que se sintam presentes e pertencentes a essa luta, porque só eles conhecem”.

Rede Hidrometeorológica

Joaquim Guedes Corrêa Gondim Filho, superintendente de Operações e Eventos Críticos da Agência Nacional de Água e Saneamento Básico (ANA), explicou a importância de se manter uma Rede Hidrometeorológica Nacional – composta por mais de 4 mil estações, que monitoram o volume de chuvas, o nível e a vazão dos rios, a quantidade de sedimentos, a evaporação e a qualidade das águas – em todo território nacional, principalmente em um país continental como o Brasil, que a todo momento enfrenta situações de seca em uma região e excesso de chuva em outra.

“A agência identifica onde precisa atuar mais, olhando o problema de perto, tendo assim, uma visão do problema e focando naquelas regiões que, naquele momento, apresentam algum desvio, seja positivo, em relação a muita chuva, seja negativo, em relação a pouca chuva”, esclareceu Joaquim Guedes.

 

Lorena Vale

 

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