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Queimadas em biomas brasileiros têm contribuído para a piora da saúde da população

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A comissão externa destinada a acompanhar e a promover estratégia nacional para enfrentar as queimadas em biomas brasileiros promoveu, nesta quarta-feira (14), debate virtual sobre os impactos desses incêndios florestais na saúde das populações afetadas.  Segundo balanço divulgado pelo governo do Mato Grosso do Sul, o fogo já destruiu mais de 3 milhões de hectares no Pantanal neste ano.

A população que vive dentro e no entorno do bioma vem sofrendo com vários problemas causados pelas queimadas. A fumaça e a poluição têm causado diversos problemas respiratórios, cardiológicos e até psicológicos. De acordo com a coordenadora da comissão, deputada Professora Rosa Neide (PT-MT), na cidade de Rondonópolis (MT) 39 pessoas idosas morreram por excesso de inalação de fumaça e desidratação por causa das altas temperaturas.

Deputada Professora Rosa Neide (PT-MT)

Além dos recordes de queimadas que vem tomando conta das áreas ambientais do Brasil e assim contribuindo para a piora da saúde da população, o País vem passando pela maior pandemia da história, a Covid-19 já matou mais de 150 mil brasileiros, impactando diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e seus profissionais.

O representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Leonardo Vilela, disse que os incêndios no Pantanal, no Cerrado e na Floresta Amazônica tem lançado na atmosfera toneladas de gases tóxicos como o monóxido de carbono (CO) e o dióxido de carbono (CO2), além de fuligem que tem agravado problemas respiratórios principalmente em crianças e idosos.

“Além da Covid-19 que ataca fortemente o pulmão, moradores da região Centro Oeste e Norte do País tem convivido com a fumaça dos incêndios que tem agravado problemas respiratórios. Pessoas que sofrem de asma, bronquite, rinite e sinusite tem sofrido muito com essa fumaça, que também irrita os olhos, o nariz e a garganta”, disse o representante do CONASS.

Representante do Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS, Leonardo Moura Vilela

Leonardo Vilela também destacou que, a médio e longo prazo, a fumaça das queimadas pode provocar o aumento de câncer na população atingida. Isso porque, “a quantidade de partículas suspensas na atmosfera da região centro norte do Brasil, oriunda dos incêndios florestais, é quatro vezes maior que o limite máximo aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e essas partículas são cancerígenas”, afirmou.

Exportador de doenças

Para a pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marcia Chame, o Brasil está sendo visto pela comunidade científica internacional como exportador de doenças. “Devido ao rápido processo de desestruturação dos ecossistemas estamos saindo da condição de importador de doenças para exportador”, lamentou.

Segundo a pesquisadora, a destruição das matas tem provocado o processo de migração de animais silvestres para áreas urbanas, o que provocará um aumento da transmissão de doenças como a raiva animal e o surgimento de novas hantaviroses. Ela defendeu que as autoridades trabalhem “imediatamente um programa de emergência de zoonoses em todo o País” e reivindicou que o financiamento de pesquisas cientificas a médio e longo prazo, sobretudo nas áreas de saúde e meio ambiente, sejam prioridade.

Chefe da Biodiversidade da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz, Márcia Chame

Retardante

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) criticou o uso do retardante para o combate ao fogo em áreas do cerrado no estado de Goiás. “Há relatos de cidades que precisam ficar 40 dias sem uso da água de rios e córregos e sem consumo da pesca, em função do Ministério do Meio Ambiente ter autorizado o uso desse produto químico que não é autorizado nem pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Nossa comissão precisa denunciar o uso desse retardante”, defendeu.

Padilha disse ainda que o legado que o governo Bolsonaro deixará ao País é a morte de milhares de brasileiros e a destruição ambiental. O petista destacou que “a comissão externa tem papel fundamental para impedir que o quantitativo de vidas humanas e animais continuem aumentando em função da política destrutiva do atual governo”, afirmou.

Deputado Alexandre Padilha (PT-SP)

Cortes nos Orçamentos

Para piorar a situação, na proposta de orçamento para 2021 do governo federal, enviada ao Congresso Nacional, o Ministério da Saúde perde R$ 35 bilhões – um corte de 22% em relação ao orçamento atual da pasta. O Ministério do Meio Ambiente tem um corte de 5% dos recursos e o Ministério de Ciência e Tecnologia perde 12% do orçamento.

A deputada Rosa Neide enfatizou que os cortes de recursos efetuados pelo governo no SUS e na pesquisa cientifica tem provocado a omissão do Estado Brasileiro no atendimento constitucional da população. “O governo federal tem se omitido. Não assumiu sua responsabilidade na pandemia e agora se omiti em relação aos incêndios no Pantanal. São negacionistas que tem desmontado as políticas de prevenção na área ambiental e, com cortes de recursos, tem negado tratamento de saúde para as populações atingidas pelos desastres ambientais”, criticou.

Teto de gastos

O presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Fernando Pigatto, afirmou que o governo Bolsonaro não se importa com a vida, apenas com o lucro. “Temos um governo que não se importa com a vida, seja com as vidas de seres humanos, negligenciando o combate à própria pandemia —, seja com as vidas da fauna, da flora. Não importa a vida, importa o lucro. Essa é a verdadeira situação que está colocada em nosso País”.

Presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto

O Conselho Nacional de Saúde lançou no início de agosto uma petição pública na qual exige a manutenção do piso emergencial de R$ 35 bilhões para o SUS no ano que vem, além de exigir a revogação da Emenda Constitucional 95, que impôs o teto de gastos públicos. “Tem realmente sido comprovado que essa emenda do teto de gastos está gerando mortes em nosso País”, afirmou Pigatto.

 

Lorena Vale com informações de Volney Albano da assessoria da deputada Rosa Neide

 

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