Home Portal Notícias Coronavirus Deputados denunciam enriquecimento dos mais ricos e defendem manutenção do auxílio emergencial de R$ 600

Deputados denunciam enriquecimento dos mais ricos e defendem manutenção do auxílio emergencial de R$ 600

10 min read
0

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) destacou na sessão virtual desta terça-feira (22) o ranking dos maiores bilionários do mundo, publicado pela revista Forbes, no qual o Brasil tem 238 nomes. “Mas o que chama a atenção especialmente nessas fortunas é que do ano passado para este ano elas tiveram um crescimento de aproximadamente 33%. Ou seja, no período da pandemia, período de forte crise econômica em que milhões e milhões de brasileiros perdem renda, perdem emprego, esses bilionários ficam cada vez mais ricos e cada vez com patrimônios maiores. Esse patrimônio cresceu de R$ 1,2 trilhão para R$ 1,6 trilhão”.

Na avaliação do deputado Fontana, esses são os patrimônios que o Brasil deve tributar para enfrentar a crise gerada pela pandemia do coronavírus, como o imposto sobre grandes fortunas, a reintrodução do Imposto de Renda sobre a distribuição de lucros e dividendos, o imposto aumentado sobre a transmissão de grandes heranças. “Ou seja, esses super-ricos podem e devem contribuir com um pacote de impostos justo e emergencial que arrecade em torno de R$ 250 bilhões por ano”, reforçou.

O deputado frisou que é daí que deve sair o recurso para garantir a continuidade do auxílio emergencial, da renda mínima de R$ 600 em nosso País. “Cortar a renda mínima de R$ 600 para R$ 300 é um crime contra as famílias brasileiras e a economia brasileira, pois foi uma das medidas mais justas e necessárias para proteger a renda dos mais pobres e, ao mesmo tempo, proteger a economia brasileira garantindo uma injeção de recursos na economia. Por isso, esse auxílio emergencial deve permanecer em R$ 600”, defendeu.

Vergonha nacional

Fontana fez um apelo ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para que a medida provisória (MP 1.000/20) que reduziu o auxílio emergencial para R$ 300 seja votada pelo Parlamento. “Eu quero votar pela manutenção dos R$ 600 até dezembro. E votar com uma enorme responsabilidade econômica e social. Manter o auxílio emergencial em R$ 600 é necessário para o nosso País e para que aquilo que está hoje no editorial da Folha de S.Paulo não se amplifique”, afirmou o parlamentar.

Ele se refere ao editorial “Vergonha nacional!”, que mostra que cresce o número de pessoas que estão entrando na linha da fome, voltando para o mapa da fome e que estão em insegurança alimentar. “Por isso, suspender ou cortar pela metade o auxílio emergencial nesse momento é um enorme erro e é inaceitável”, reforçou.

Votação da MP já

O deputado Bohn Gass (PT-RS) fez coro com Fontana pedindo a votação imediata da MP 1.000. “Se nós queremos ajudar, de fato, aos que mais precisam neste País, e à economia também, de um modo geral, nós temos dois projetos, pelo menos, para votar. O primeiro, é a MP 1.000, que fala da renda emergencial. Ela precisa ser pautada e apreciada”, defendeu.

Bohn Gass alertou que, se Câmara não votar a MP, “vai acontecer a mesma coisa que teria acontecido se nós não tivéssemos votado a renda emergencial: pelo Bolsonaro, seriam R$ 200 e não os R$ 600 que ajudam o povo hoje”. Então, reforçou o deputado, se a MP, não for a voto, vai ficar em R$ 300. “Por isso, nós queremos votar. E vocês hão de concordar que é justo que cada deputado se manifeste, que o povo saiba quem quer os R$ 600 ou quem concorda com o Bolsonaro em tirar R$ 300, e deixar pela metade”, desafiou.

Seguro-desemprego

O segundo o projeto de lei defendido por Bohn Gass é o PL 3.618/20, de sua autoria – subscrito por outros parlamentares do PT, que estabelece o pagamento de mais duas parcelas do seguro-desemprego durante o a pandemia do novo coronavírus. “Esse benefício é fundamental para quem está desempregado porque neste momento ele já recebeu as parcelas do seguro-emergencial a que tinha direito, mas ainda não conseguiu retornar ao mercado de trabalho porque não há emprego. Ele também não consegue receber o auxílio emergencial, porque já passou o prazo para a inscrição”, argumentou.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) também defendeu a votação da MP 1.000. “Nós queremos votar e estamos lutando para alterar a medida para manter os R$ 600. O nosso esforço é em defesa do povo. Nós temos que derrubar essas regras. Elas vão dificultar o acesso às quatro parcelas restantes do benefício. Isso vai atingir 6 milhões de pessoas. Isso vai ajudar a aumentar a miséria. Bolsonaro será o responsável direto por essa ação”, afirmou.

O deputado Paulão (PT-AL) reforçou a disposição da Bancada do PT na luta pela manutenção do auxílio emergencial de R$ 600. “A bancada está unida com os partidos de esquerda contra essa redução. Só votará a favor da MP quem não tem compromisso com os mais pobres no Brasil”, afirmou.

Vetos

Além de defender a votação imediata da MP 1.000, o deputado Carlos Veras (PT-PE) fez um apelo para que o Congresso Nacional se reúne para derrubar o veto do presidente Bolsonaro ao projeto que trata do pagamento de precatórios da educação, do Fundeb (Fundo Nacional de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica). “Os 60% são um direito dos professores e professoras. Nós precisamos derrubar esse veto. Nós precisamos derrubar também os vetos da agricultura familiar. Os trabalhadores e trabalhadoras rurais estão passando necessidades, precisam desse auxílio, precisam desse apoio”, defendeu.

Vânia Rodrigues

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

TCU determina que Ministério da Saúde apresente plano estratégico de combate à pandemia

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nessa quarta-feira (21), que o Ministério d…