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TCU acata pedido do PT para investigar contratos de empresa ligada à ex-mulher de Wassef com governo Bolsonaro

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O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para apurar se a empresa Globalweb Outsourcing, ligada a Maria Cristina Boner Leo, ex-mulher do advogado Frederick Wassef, foi beneficiada com contratos no governo Bolsonaro. A decisão atende a denúncia apresentada pelo líder do PT na Câmara, Enio Verri (PR), e pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Margarida Salomão (PT-MG), que tramita apensada à representação proposta pelo subprocurador-geral do Ministério Público junto ao TCU, Lucas Furtado. Os petistas suspeitam de estratégia de remuneração indireta, via recursos públicos, por serviços prestados por Wassef à família Bolsonaro.

As representações foram aceitas pelo TCU e concentradas no processo de número 024.053/2020-1, relatado pelo ministro Augusto Nardes. Os petistas afirmam na ação que a ex-mulher de Wassef é fundadora da Globalweb e “sócia de Wassef em empreendimentos imobiliários”. Destacam ainda que Wassef prestou serviços para o presidente, para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos) e para o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos). “O advogado é também o dono de uma casa em Atibaia (SP) onde ficou escondido por mais de um ano o militar aposentado Fabrício Queiroz, uma espécie de faz-de-tudo do clã Bolsonaro e peça-chave em investigação sobre organização criminosa no Rio de Janeiro que seria comandada por Flávio Bolsonaro”.

E o subprocurador Lucas Furtado ressaltou que atualmente a Globalweb é administrada por uma das filhas de Maria Cristina Boner Leo. Além disso, disse que a empresa tem sociedade com a Peach Tree, fundada por Maria Cristina e que atualmente pertence a três filhas dela. Segundo Furtado, esses fatos mostram relações “intricadas” entre a ex-mulher de Wassef e a empresa.

Empresa recebeu R$ 218 milhões

A denúncia de parlamentares do PT aponta que a Globalweb, “que já tinha alguns contratos com o governo federal até 2018, começou a ter sua participação catalisada a partir da posse do presidente Jair Bolsonaro” e cita reportagem do portal UOL que revelou que, de janeiro de 2019 a junho de 2020, a empresa recebeu, entre aditivos e novas contratações, R$ 218 milhões.

Para Enio Verri, Margarida Salomão e Paulo Teixeira, o aumento significativo de negócios firmados no período “pode ter sido potencializado pela influência” de Wassef junto a Bolsonaro e seu filho ou, o que é mais grave, pode ter sido utilizado para fazer face, indiretamente, à remuneração do referido profissional da advocacia”.

“Assim, podem ter sido praticados, pelo advogado, sua ex-esposa e servidores públicos ou agentes políticos que a investigação apurar, em tese, o crime de tráfico de Influência, tipificado no artigo 332 do Código Penal” ou improbidade administrativa, alertam os petistas.

Interesse público

Ao analisar a admissibilidade da representação do PT, a Secretaria-Geral de Controle Externo do TCU afirmou: “Verifica-se a existência do interesse público no trato da suposta irregularidade/ilegalidade, pois o direcionamento de contratações à empresa por meio de tráfico de influência e de atos de improbidade poderia, se confirmado, causar prejuízos ao Erário”. O órgão argumentou, contudo, que a “possível prática de tráfico de influência” configura ilícito penal e que não cabe ao TCU emitir juízo de valor sobre essa questão específica.

Leia a íntegra da ação do PT:

Representação-TCU-Contratos-com-a-empresa-Globalweb-Final-24.6.2020

Saiba mais:

PT aciona TCU e PGR para investigar contratos entre governo e empresa ligada a advogado da família Bolsonaro

Petistas protocolam pedido de investigação de Bolsonaro, ministros e advogado Wassef por supostos delitos

Vânia Rodrigues, com O Globo

 

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