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Redução no valor do auxílio emergencial jogará milhões na miséria e Bolsonaro será o responsável, afirmam petistas

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Parlamentares do PT afirmaram nesta terça-feira (8) que o presidente Jair Bolsonaro será diretamente responsável pelo aumento da miséria no País nos próximos meses, principalmente pela decisão tomada de reduzir o valor do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300. A afirmação dos parlamentares é baseada em estudo liderado por Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV Social), que aponta que 13,1 milhões de brasileiros com renda per capita de meio salário mínimo (R$ 552), podem voltar as classes D e E, as mais baixas da pirâmide social brasileira, por conta da redução do auxílio emergencial. O estudo foi divulgado nesta terça pelo jornal Correio Braziliense.

O líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), observou que o triste cenário desenhado para o futuro pela FGV Social já era denunciado pelo PT. Por isso, segundo ele, o partido é “contrário a decisão já anunciada por Bolsonaro de reduzir o valor do auxílio” e que defende a manutenção dos R$ 600, pelo menos até o final do ano. Inicialmente o governo defendia o valor de R$ 200 para o auxílio, mas percebendo que iria perder na votação da proposta no Congresso resolveu de última hora aderir ao valor de R$ 600 defendido pelo PT e os demais partidos de Oposição.

“O que a FGV concretamente percebe é o que nós do PT já vínhamos falando a muito tempo, que manter o valor de R$ 600 do auxílio, que já não é o ideal, pelo menos mantém a sobrevivência pessoas e o funcionamento da economia. Agora, com o corte para R$ 300, principalmente levando em consideração o aumento do preço dos alimentos, a sobrevivência se tornará impossível para parte da população. Isso vai aumentar a pressão social sobre as prefeituras, com o povo pedindo cestas básicas, sem poder pagar conta de água e luz, e ainda poderemos ter como consequência os saques e aumento da violência”, alertou.

Foto Gustavo Bezerra

Segundo o estudo da FGV Social, o auxílio emergencial foi fundamental para evitar que a parte mais carente da população brasileira passasse fome em meio a pandemia do Covid-19 no País. No entanto, Marcelo Neri destaca que a redução no valor do benefício pode levar esses brasileiros de volta a extrema pobreza. “A medida vai diminuir o ganho de boa parte das pessoas que saíram da pobreza. Elas já devem voltar para o estrato mais baixo já ao longo deste ano”, afirmou.

Para o deputado Zé Neto (BA), diante da falta de perspectiva de melhoria na economia, devido a pandemia e a falta de ação do governo, a manutenção do valor do auxílio em R$ 600 é fundamental para o País.

“Essa redução vai criar um grande problema para todo País, principalmente para as pessoas mais carentes, as pessoas desempregadas, mas também para a nossa economia como um todo. Somos o País que mais demorou no pico da pandemia, já temos mais de 127 mil mortos, por culpa do governo Bolsonaro, e isso afetou o crescimento do País. Por isso, nós do Partido dos Trabalhadores defendemos a manutenção dos R$ 600 do auxílio emergencial”, reforçou.

Foto: Gabriel Paiva

Aumento da desigualdade

De acordo com o estudo da FGV, a redução do valor do auxílio emergencial vai contribuir para o aumento da desigualdade no Brasil, com reflexo no poder de consumo das famílias e no crescimento da economia. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a renda familiar média no Brasil é de R$ 2.308 mensais, muito abaixo da renda da parcela mais rica da população – de apenas 1% – que tem ganhos 12 vezes acima, R$ 28.659. Já as famílias mais pobres e sem instrução, que mais dependem da ajuda do governo, tem rendimento de apenas R$ 805 por mês.

Para o deputado Paulo Guedes (PT-MG), a redução no valor do auxílio terá um efeito devastador nas regiões mais pobres do Brasil. “Sou do Norte de Minas, região que compreende grande parte do Vale do Jequitinhonha, que tem características muito semelhantes às do Semiárido do Nordeste, e aqui já podemos dizer que o aumento da pobreza será inevitável com a redução do auxílio. Aliás, esse benefício emergencial evitou que muitas pessoas passassem fome por conta da pandemia e, atualmente, diante da falta da atividade econômica, é o único dinheiro que circula na região, principalmente para o comércio”, enfatizou.

O parlamentar destacou ainda que na época dos governos do PT, o crescimento da economia e os programas sociais como o Bolsa Família, Luz Para Todos, Água para Todos, Minha Casa Minha Vida, entre outros, “injetavam recursos fazendo a roda da economia da região girar”. “Agora, com Bolsonaro, a região não tem recebido investimentos e sobrou apenas o auxílio emergencial. Aqui, no Norte de Minas, vamos começar a sentir o agravamento da pobreza, que poderá ser ainda pior quando acabar de vez o auxílio no final do ano, como já decidiu o governo Bolsonaro”, lamentou o deputado Paulo Guedes.

Foto: Gustavo Bezerra

 

Héber Carvalho, com informações do Correio Braziliense

 

 

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