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A corrupção da família Bolsonaro

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Desde que o Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf), órgão que atua na prevenção e combate à lavagem de dinheiro, identificou movimentações suspeitas no valor de R$ 2 milhões, oriundos de 483 depósitos, na conta de Fabrício Queiroz, os fatos vêm se desencadeando com uma nitidez impressionante.

Fabricio Queiroz é um amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro. Na investigação do Coaf, foi encontrado um cheque de R$ 24 mil depositado por ele na conta da esposa de Jair Bolsonaro, Michelle. Na época, o presidente justificou que o valor se referia ao pagamento de uma dívida de Queiroz para com ele. Hoje, sabe-se que não houve apenas um, mas muitos depósitos na conta da primeira-dama, desmentindo a versão inicial do presidente. O Brasil quer saber: por que Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro? Bolsonaro calou-se sobre o assunto.

Mas existem muitas outras perguntas sem respostas. Por que razão Queiroz pagava as mensalidades escolares dos netos do presidente Bolsonaro em dinheiro vivo? Por que Rogéria Bolsonaro, ex-mulher e mãe dos três filhos mais velhos do presidente, comprou um imóvel com dinheiro vivo, quando ainda era casada com ele? O caso da outra ex-mulher, Ana Cristina Valle, é ainda mais impactante: nos dez anos em que foi casada com o então deputado Jair Bolsonaro, adquiriu 14 imóveis, sendo cinco deles com dinheiro.

Por que motivo Queiroz foi protegido pela família Bolsonaro quando se escondia da Justiça, inclusive em imóveis de propriedade do advogado pessoal do presidente da República? Como a loja de chocolates pertencente a Flavio Bolsonaro recebeu 1.500 depósitos suspeitos em dinheiro em apenas dois anos, cujos valores eram imediatamente sacados pelo parlamentar e usados para comprar imóveis a preços subfaturados, e logo eram vendidos por valores muito mais altos?

Para quem possui o mínimo de bom senso isso significa lavagem de dinheiro. Flavio Bolsonaro é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro pela prática da rachadinha – desvio de dinheiro público através da apropriação do salário de funcionários fantasmas. Entre seus supostos funcionários que repassavam a maior parte de seus salários a Queiroz, o operador do esquema, estão a mãe e a ex-esposa do miliciano Adriano da Nóbrega, morto no início do ano durante um confronto com policiais militares no interior da Bahia quando era foragido da Justiça, condenado por uma série de crimes, inclusive assassinatos. Segundo o depoimento de Danielle Mendonça, o salário dela era repassado ao ex-marido Adriano, o mesmo que recebeu a Medalha Tiradentes, a mais alta honraria do RJ, por proposição de Flavio e foi seu instrutor de tiro.

Flavio não é o único. A Câmara Municipal do Rio de Janeiro abriu uma investigação contra seu irmão Carlos Bolsonaro, igualmente por apropriação de salários de seus supostos funcionários.

Mais grave ainda: a quebra de sigilo bancário de Nathalia Queiroz, filha de Fabrício, revela que, quando trabalhava no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro, em Brasília – embora nesse período trabalhasse full time como personal trainner no RJ -, transferiu um total de R$ 150 mil, equivalentes a quase 80% de seus rendimentos, para a conta do pai, ou seja para custear os gastos da família Bolsonaro, comprovando que o atual presidente também adotava a prática da rachadinha na Câmara Federal.

O presidente Jair Bolsonaro e sua família estão atolados até o pescoço em um esquema de corrupção que inclui apropriação indevida de dinheiro público através das rachadinhas, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito, e isso precisa ser esclarecido. O que falta para que Bolsonaro seja investigado, julgado e punido? Por que as tentativas de CPI e de processos de impeachment são arquivadas?

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, deve essa explicação: será que entre os 42 pedidos de impeachment do presidente que ele arquivou, muitos deles assinados por juristas e entidades da mais alta respeitabilidade, não há nenhum crime de responsabilidade a ser averiguado? Será que o ganho econômico que uma parte da elite pretende obter com as políticas governamentais faz com que o presidente permaneça blindado, apesar de todas as evidências de práticas criminosas cometidas no seu entorno?

Henrique Fontana é deputado federal (PT-RS)

 

Artigo publicado originalmente no Jornal GGN

 

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