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Deputados denunciam ação de despejo no Quilombo Campo Grande em Minas Gerais

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Deputados da Bancada do PT na Câmara usaram suas redes socais, nesta quarta-feira (12), para denunciar a ação de despejo, em plena pandemia do novo coronavírus, de cerca de 450 famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais no acampamento Quilombo Campo Grande, no município de Campo do Meio (MG). As famílias vivem e produzem há 20 anos no Quilombo.

O deputado Patrus Ananias (PT-MG) lamentou a ação de despejo no Dia Nacional de Direitos Humanos e em plena pandemia do Coronavírus. O parlamentar também denunciou que o processo é cheio de controvérsias. “A ação de reintegração de posse está sendo executada, em um processo cheio de controvérsias, e antes mesmo do julgamento de agravo movido pela Defensoria Pública, marcado para o dia 25 de agosto”.

Ele também explicou que a ação contraria o Recurso Extraordinário (RE 1017365), do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspende, até o fim da pandemia do coronavírus, todos os processos e recursos judiciais de reintegração de posse e de anulação de demarcação de territórios indígenas em tramitação no Brasil; e a Portaria Conjunta nº 1025/PR/2020 do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que também prorroga essas ações.

Covardia de Zema

Para o deputado Rogério Correia (PT-MG) essa ação é uma covardia do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. “Covardia de Zema em Campo do Meio em plena pandemia. Aparato policial de repressão para despejar trabalhadores. Famílias na área há 20 anos. Propriedade de usina falida que tudo abandonou e ocupações construíram e produzem no Quilombo Campo Grande. Apesar do alerta da Comissão de Direitos Humanos, a Justiça manteve e lá vai a polícia cumprir ordem dos ricaços e exploradores. Revoltante”, criticou Correia.

Já o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) pede que o governado tenha sensibilidade com as famílias. “Moradores do Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, protestam contra uma ordem de despejo justamente durante a pandemia. É preciso sensibilidade ao governador Zema! São cerca de 450 famílias, que produzem no local há mais de 20 anos!”.

Foto: Gean Gomes-MST

Ato criminoso

Para o deputado Valmir Assunção (PT-BA) o ato é criminoso. “Criminoso! Despejo em Campo do Meio (MG) em plena pandemia. As famílias ocupam uma usina falida há 20 anos, produzem o café Guaií, o mais famoso da região. E o governo Zema está mais preocupado em deixar trabalhadores sem suas casas, expostos ao novo coronavírus”.

“É um crime sem tamanho esse despejo ordenado pela justiça, a mando do governador Romeu Zema (MG), das famílias do Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, em plena pandemia. Tudo isso porque essas famílias ocupam e produzem nessa área que está numa das terras mais férteis do Brasil”, escreveu o coordenador do Núcleo Agrário do PT na Câmara, João Daniel (SE). O parlamentar cobrou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maria, paute os projetos de lei que impedem despejos e reintegração de posse durante a pandemia.

O deputado Marcon (PT-RS) afirmou que é preciso interromper essa injustiça. “Famílias sem terra que ocupam uma usina falida há 20 anos, produzindo o tradicional café Guaií em Campo do Meio (MG), são despejadas no auge da pandemia no estado. O governo liberal e antipovo de Romeu Zema expõe essa gente ao coronavírus. Precisamos interromper essa injustiça”.

Ação Desumana

“Polícia para quem? Mais uma vez a Justiça ataca a luta popular. Mais uma vez o aparato público de repressão é utilizado contra o povo. Quilombo Campo do Meio é um acampamento do MST que funciona há 20 anos, despejado em plena pandemia. Um local de produção de alimentos, de vida das pessoas, violentado injustamente. Os tribunais, o governo Zema, tão lépidos em proteger os ricos, alguma preocupação tiveram com as famílias que lá viviam? Que gente desumana”, aponta a deputada Margarida Salomão (PT-MG).

Para o deputado Padre João (PT-MG) o ato é um crime contra a dignidade humana. “A ação de despejo no Acampamento Quilombo Campo Grande, em Campo do Meio, no Sul de Minas é uma ação desumana. Não leva em consideração a vida, que precisa estar em primeiro lugar neste período de pandemia e crise na saúde pública. É um crime contra a dignidade humana”.

“Despejo criminoso em Minas Gerais. A truculência da classe dominante contra 450 famílias que cuidam da terra e produzem alimentos”, disse o deputado Rui Falcão (PT-SP).

O deputado Nilto Tatto (PT-SP) escreveu em seu Twitter que o despejo é crime. “Despejo na pandemia é crime. Mas a PM de Zema (MG) age com truculência para retirar famílias que vivem, estudam e produzem alimentos no Quilombo Campo Grande (Campo do Meio) há mais de 20 anos”.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Reforma Urbana e dos Movimentos de Luta por Moradia, lembra que “a maior recomendação é que as pessoas fiquem em casa, mas aumenta o número de pessoas nas ruas, despejadas de suas casas e continuamos com a média de mil mortos por dia por causa da pandemia. A derrubada do veto presidencial e a votação dos projetos de leis que suspendem os despejos são fundamentais para a população”.

Lorena Vale

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