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Pedido de impeachment de Bolsonaro com apoio de mil organizações populares e personalidades é protocolado na Câmara

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Representantes de entidades da sociedade civil, movimentos sociais do campo e da cidade, centrais sindicais, movimentos estudantis e religiosos, e personalidades entregaram no final da manhã desta terça-feira (14), um pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, assinado por mil organizações populares. Em um ato realizado em frente ao Congresso Nacional, várias lideranças populares defenderam a saída de Bolsonaro do poder e entregaram a peça jurídica aos deputados Carlos Zarattini (PT-SP), líder da Minoria no Congresso e para Paulo Pimenta (PT-RS), e também às deputadas Erika Kokay (PT-DF) e Natália Bonavides (PT-RN). Após o encontro os parlamentares se dirigiram à Mesa Diretora da Câmara para protocolar o pedido de impeachment que será encaminhado ao presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Esse pedido aponta uma série de crimes de responsabilidade cometidos por Jair Bolsonaro desde que tomou posse, há um ano e 6 meses. Entre eles, são relembrados ataques ao livre exercício da imprensa, a direitos políticos e sociais do povo brasileiro, contra a administração pública (improbidade administrativa), além de crimes caracterizados por ataques a outros poderes da República e até contra a segurança interna do País, como no caso da irresponsabilidade no combate à crise sanitária causada pela pandemia da Covid-19.

Entre outras organizações, assinam o pedido a CUT, UNE, UBES, MST, APIB, Movimento Negro Unificado, Instituto Socioambiental (ISA), ABGLBT, Associação Brasileira de Juízes pela Democracia (ABJD), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) e Marcha Mundial das Mulheres.

Usando máscaras e respeitando as regras de distanciamento social, dezenas de militantes e lideranças de entidades e movimentos sociais participaram do ato de entrega do pedido. Em todos os discursos foi destacada a necessidade do afastamento do presidente Jair Bolsonaro para o bem do País. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, – uma das signatárias do pedido – o impeachment de Bolsonaro é uma necessidade urgente para a salvação do País e do povo brasileiro.

“É preciso afastar não apenas Bolsonaro, responsável pela tragédia que já matou mais de 73 mil brasileiros nessa pandemia, mas também o Paulo Guedes (ministro da Economia). A atual crise que está se desenhando no País deixa milhões de trabalhadores e trabalhadoras desempregados, e leva à falência principalmente as micro e pequenas empresas. Enquanto isso o Paulo Guedes quer entregar o patrimônio público, essa é a receita deles para combater a atual crise”, criticou.

Vírus e verme

Representando a coordenação nacional do MST Alexandre Conceição lembrou que, além da política genocida do governo Bolsonaro durante a atual pandemia, o País também sofre com a incompetência na condução de políticas voltadas à população.

“Esse também é um governo genocida porque destrói o meio ambiente, a soberania popular a alimentar, destrói a reforma agrária, ataca os povos indígenas, quilombolas, e não se comove com a morte de mais de 70 mil brasileiros pela Covid-19. Por isso a entrega desse pedido de impeachment é mais um passo para ocuparmos as ruas e vencermos o vírus e o verme que tentam destruir a democracia e a vida do povo brasileiro”, atacou.

Representantes de movimentos estudantis, de mulheres e religiosos também demonstraram total apoio ao pedido de impeachment. O presidente da UNE, Yago Montalvão, disse que o afastamento do atual presidente é necessário porque “em um ano e meio de governo Bolsonaro tentou várias vezes destruir a democracia, e ataca principalmente a educação pública do País, como a autonomia das universidades, e ainda se ausenta da participação da aprovação do Novo Fundeb”.

Pela Marcha Mundial das Mulheres, Vilmara do Carmo defendeu o impeachment por conta dos crimes já cometidos e ainda disse que tanto Bolsonaro, como o governo como um todo, é “machista, misógino” e que, pela falta de políticas públicas, ajuda a “promover a violência contra as mulheres”.

Na mesma linha, a representante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), pastora luterana Romi Bencke, disse que além “machista, racista e misógino”, o governo Bolsonaro também “atenta contra a democracia, estimula ataques aos povos tradicionais, e não respeita a diversidade religiosa”.

Após receberem o pedido de impeachment das mãos de lideranças populares, como Kretã Kaingang, da APIB (Articulação dos Povos Indígenas); Rute Venceremos da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT); e Rozana Barroso, presidenta da UBES, os deputados petistas se comprometeram a lutar pela aceitação do pedido, atribuição direta do presidente da Câmara.

Mobilização pelo Impeachment

O líder da Minoria no Congresso, deputado Carlos Zarattini, disse que vai lutar para que o presidente da Câmara abra o processo, mas lembrou sobre a responsabilidade das ruas para que isto ocorra. “Precisamos de mobilização nas ruas, de forma criativa. Temos que trazer o povo às ruas para lutar contra esse governo genocida e entreguista, antes que ele acabe com o povo brasileiro”, afirmou.
Já o deputado Paulo Pimenta alertou que não há outro caminho para fazer avançar o impeachment se não houver “luta e organização da resistência para derrotar o governo genocida e essa gangue de milicianos”. Por sua vez, a deputada Erika Kokay destacou que o atual presidente precisa ser afastado para que seja interrompido a atual “necropolítica”, a política da morte que já matou mais de 73 mil brasileiros e que faz com que o País “dance na beira do abismo”.

Ao finalizar os pronunciamentos, Nátalia Bonavides também se comprometeu a lutar pelo impeachment de Bolsonaro. “Vou dedicar minhas melhores energias para derrotar esse governo fascista. Fora Bolsonaro e todos os seus canalhas”, ressaltou.

Também discursaram durante o ato a representante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Rosângela Piovizani; e do Movimento de torcidas organizadas ‘Somos Democracia’, Inácio Ângelo.

Veja o ato na íntegra:

Entrega do pedido de impeachment do Bolsonaro ao vivo de Brasília

Entrega do pedido de impeachment do Bolsonaro ao vivo de Brasília

Posted by PT na Câmara on Tuesday, 14 July 2020

 

Héber Carvalho

 

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