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Jeremy Corbyn: “Bolsonaro negligencia a saúde pública”

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Em artigo, o deputado do Partido Trabalhista inglês acusa o presidente de extrema-direita brasileiro de se omitir diante da pandemia. E lamenta o preço pago pelo povo brasileiro: mais de 50 mil mortos. “O Brasil merece nosso apoio”, diz o parlamentar. “Estamos com o povo brasileiro na luta contra Bolsonaro e pela igualdade e democracia”

O Brasil agora tem o segundo maior número de mortes e casos de Covid-19 no mundo, superando mais de 1 milhão de casos de coronavírus e 50 mil mortes.

Vergonhosamente, o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, definiu o Covid-19 como “apenas uma fantasia” e ataca regularmente a “histeria da mídia”.

Ele sempre se recusou a colocar as pessoas e a saúde em primeiro lugar, resistindo às medidas de “bloqueio” e de distanciamento social, consideradas essenciais pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, mais e mais brasileiros estão protestando não apenas contra a condução desastrosa da pandemia, e exigir a saída do presidente, novas eleições e a restauração da democracia.

Enquanto Bolsonaro enfrenta essa crescente revolta nacional, surgiu questionamentos sobre a validade de sua eleição em 2018, que pode vir a ser anulada pelo Tribunal Eleitoral do Brasil. Uma investigação parlamentar apura se a candidatura de Bolsonaro realizou uma vasta e ilegal campanha de desinformação.

Também vale ressaltar que, se o ex-presidente Lula – considerado pelo presidente Barack Obama o político mais popular do planeta – tivesse permissão para concorrer nas eleições presidenciais, Bolsonaro provavelmente nunca seria eleito.

Enquanto liderava as pesquisas, Lula foi impedido de concorrer, contra as recomendações da ONU, no que mais tarde se revelou ter sido uma acusação politicamente motivada. O juiz do caso, Sérgio Moro, que colaborou com a Procuradoria, foi posteriormente recompensado por Bolsonaro com o cargo de ministro da Justiça.

A perspectiva de Bolsonaro sofrer um impeachment e ser afastado do cargo também está aumentando.

“O governo de Bolsonaro é dominado por militares e a ameaça de um golpe é muito real. Também é assustador que Bolsonaro elogie regularmente a ditadura militar brasileira”

 

Progressistas em todo o mundo receberão com satisfação esse desfecho político, mas é importante observar que esse também é um momento extremamente perigoso para o 6º país mais populoso do mundo.

O governo de Bolsonaro é dominado por militares e a ameaça de um golpe é muito real. Também é assustador que Bolsonaro elogie regularmente a ditadura militar brasileira, sob a qual centenas de pessoas foram mortas e torturadas entre 1964 e 1985.

Recentemente, ele chegou a se juntar a manifestantes de extrema-direita que pediam a instauração de uma nova ditadura.

Não é apenas ao lidar com a pandemia que as políticas de Bolsonaro tiveram um impacto desastroso.

Bolsonaro também encorajou criminosos que iniciaram incêndios na Amazônia no ano passado, atacou o movimento ‘Black Lives Matter’ como uma organização de terroristas e desencadeou uma onda cruel de austeridade que jogará milhões de brasileiros na pobreza.

Assim como o presidente Trump fez nos EUA, os conservadores de destaque aqui no Reino Unido apoiaram ativamente Bolsonaro e as políticas que ele adotou em várias áreas.

Para dar um exemplo, enquanto a Amazônia estava queimando, vimos os Conservadores literalmente aconchegando-se à equipe de Bolsonaro com o então ministro do Comércio Conor Burns posando para fotos e bebendo champanhe com o ministro Marcos Troyjo, que havia explicitamente apoiado a política de desmatamento de Bolsonaro.

Apesar dos terríveis incêndios, o regime de Bolsonaro continuou com políticas que incentivam os interesses de grandes empresas que desejam limpar a floresta para que a terra possa ser usada para o agronegócio.

Também foi descoberto recentemente que vários ministros conservadores estavam se encontrando com Bolsonaro, sua família e aliados muito antes dele ter sido eleito.

“O internacionalismo é vital – e isso significa estar com o povo brasileiro na luta contra Bolsonaro e pela igualdade e democracia.”

Especificamente, os pedidos de liberdade de informação revelaram detalhes de reuniões e correspondências anteriormente não divulgadas entre autoridades britânicas e Bolsonaro antes, durante e após a campanha eleitoral, inclusive quando Boris Johnson era secretário de Relações Exteriores.

Os Conservadores não farão isso, mas devemos enfrentar pessoas como Trump e Bolsonaro sobre os principais assuntos de nosso tempo.

Desde a necessidade de colocar a saúde pública em primeiro lugar quando se trata de enfrentar a pandemia do coronavírus, a necessidade de ações reais para enfrentar a emergência climática, a necessidade de tornar realidade a campanha ‘Black Lives Matter’, os movimentos por mudanças estão crescendo em todo o mundo.

Pessoas, saúde e planeta devem vir antes do lucro privado. Para que isso aconteça, o internacionalismo é vital – e isso significa estar com o povo brasileiro na luta contra Bolsonaro e pela igualdade e democracia.

Jeremy Corbyn é deputado de Islington North e ex-líder do Partido Trabalhista do Reino Unido.

Publicado originalmente no site iNews.

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