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Parlamentares do PT repudiam declarações de Bolsonaro que incitam convulsão social e ofendem profissionais de Saúde

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Deputados da Bancada do PT na Câmara repudiaram as declarações “completamente irresponsáveis” feitas pelo presidente Bolsonaro, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, conclamando seus apoiadores a invadirem hospitais públicos. Bolsonaro sugeriu que fossem feitas filmagens dos atendimentos dos profissionais de saúde e dos leitos destinados a pacientes com a Covid-19, para saber se estão vazios ou não.

Bastou um dia para que seis pessoas invadissem o hospital Municipal Ronaldo Gazolla, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (12), derrubaram computadores, chutaram as portas e tentaram entrar nas alas restritas a pacientes com coronavírus. Segundo reportagem do jornal O Globo, essas pessoas – que seriam parentes de um homem que morreu por falta de leito – invadiram o hospital e gritavam que queriam entrar nos leitos para checar se estavam ocupados.

Para o líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), o presidente Bolsonaro incita a convulsão social. “Um grupo de seis parentes de uma pessoa vítima do coronavírus invadiu um hospital no RJ, aos gritos de, ‘mentira’. Eles reivindicavam verificar a ocupação dos leitos. Enquanto líderes de todo o mundo combatem o vírus, Bolsonaro incita a convulsão social em meio à crise sanitária”, criticou.

O líder da Minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que é preciso que Bolsonaro saia para barrar a tragédia sanitária que o Brasil está vivendo. “O berrante tocou e o gado obedeceu. Bolsonaro inflamou seus seguidores, que, impiedosamente, causaram tumulto e quebra-quebra em hospital do Rio. Derrubar o presidente é urgente para barrar a tragédia sanitária e limpar a desumanidade que se propaga entre os seus apoiadores”.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) escreveu em suas redes sociais que “Bolsonaro deixa fim do isolamento social de lado e adota nova estratégia de infecção por coronavírus: invasão de hospitais!”.

E o deputado Airton Faleiro (PT-PA) questionou o que ocorreia se fosse o ex-presidente Lula que incentivasse esse tipo de invasão. “Imaginem. Apenas imaginem. Imaginem se o Lula em uma Live nas redes sociais incentivasse alguém a invadir o Ministério da Saúde para provar que Bolsonaro nada está fazendo. Pois Bolsonaro tocou o berrante e o gado invadiu um hospital. E aí? Vai ficar por isso mesmo? E se fosse o Lula?”

Para a deputada Luizianne Lins (PT-CE) invadir hospitais é crime. “Os crimes do genocida não param de crescer. Por influência de Bolsonaro a horda fascista agora está tentando invadir hospitais. Querem constranger pacientes, se infectar e contaminar os outros. Não tem outra explicação.”

Profissionais de Saúde

O Conselho Nacional da Saúde (CNS) também repudiou as declarações de Bolsonaro em nota pública divulgada nessa sexta-feira (12). Para a CNS, as falas do presidente ofendem profissionais de Saúde e incitam o ódio.

Leia à íntegra da nota:

Em meio à pandemia Jair Bolsonaro mais uma vez vocifera ódio em declaração que insufla a população a invadir serviços de saúde para checar suposta negligência de profissionais da saúde

No dia em que o Brasil contabiliza mais de 41 mil pessoas que perderam a vida e mais de 800 mil infectadas em decorrência do novo coronavírus (Covid-19), o País torna-se o epicentro da América Latina, com grande possibilidade de se tornar o epicentro do mundo diante do aumento exponencial em número de infectados e mortes. Nesse contexto, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, mais uma vez se supera vociferando ódio em declaração feita na última quinta (11/06), quando insuflou a população a invadir hospitais e serviços de saúde para fotografar e filmar os atendimentos de profissionais, acusando-os de estarem negligenciando o cuidado para salvar as vidas dos pacientes.

Segundo ele, há suposto “ganho político em cima das mortes” a partir da culpabilização do governo federal. Por isso, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) mais uma vez repudia este tipo de fala que só prejudica ainda mais o contexto de crise na saúde pública. O presidente também afirmou, de forma irresponsável, que os leitos não estão sendo ocupados e os gastos não são compatíveis, ameaçando profissionais inclusive com o uso da Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin), desnudando ainda mais a face autoritária do seu governo.

O ataque sistemático do governo a servidores públicos, às universidades públicas, aos direitos trabalhistas, previdenciários, com desfinanciamento de políticas públicas e priorização escancarada dos interesses do mercado em detrimento das vidas das pessoas, torna-se ainda mais cruel nesse contexto de pandemia, especialmente para as pessoas mais vulnerabilizadas, que sequer conseguem ter acesso ao auxílio emergencial, sendo expostas à fome e à morte.

O governo federal continua assumindo sua atitude genocida, negando a pandemia, colocando-se como adversário da ciência, que tem incansavelmente se dedicado à busca de alternativas que possam minimizar os efeitos nefastos da pandemia. Isso demonstra total desprezo pela vida da população, não expressando qualquer sentimento de solidariedade, empatia e compaixão, quer com as famílias que perderam seus entes queridos, quer com os profissionais que têm adoecido e morrido no desenvolvimento de suas atividades laborais. Diferente de outros países do mundo, que reconhecem nos profissionais de saúde a fortaleza dos sistemas de saúde para enfrentamento ao novo coronavírus.

Há de se considerar ainda que esta atitude representa constrangimento a pacientes que se encontram internados, em situações de sofrimento, diante da qual precisam ter absoluta confiança nos profissionais e no tratamento que estão recebendo.

Em meio ao caos, o governo tenta retirar de sua responsabilização as mortes de milhares de pessoas que muito decorrem da falta de uma política coordenada pelo governo federal, que, ao invés disso, tem tomado atitudes isoladas e incompatíveis com os princípios básicos da ciência e defesa da vida, transferindo somente para os governos estaduais e municipais a condução de ações, acusando-os sistematicamente de não priorizarem a economia.

O presidente da república sabe que milhares de pessoas já morreram e muitas ainda irão morrer. Mortes que poderiam e podem ser evitadas se o governo tivesse compromisso com a vida das pessoas. Entretanto, o chefe de Estado no país aplica uma política de extermínio.

O CNS, expressão máxima da democracia participativa, repudia atitudes, comportamentos e falas que incitam o ódio, a violência e a perda de direitos e reafirma que vidas importam, pois vidas estão acima dos lucros. Assim, exigimos respeito a todas as cidadãs e todos os cidadãos brasileiros(as).

Conselho Nacional de Saúde

 

Lorena Vale

 

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