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João Daniel: O Brasil não pode submeter-se ao comportamento antidemocrático de Bolsonaro

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O Brasil passa por um momento extremamente difícil de sua história. Após o golpe que atingiu a presidenta Dilma Rousseff e a posse do golpista Michel Temer, começou uma investida conservadora e neoliberal, que, com a conhecida Emenda Constitucional 95 – a qual votamos contra e à época denunciamos os prejuízos que ela representava –promulgada em dezembro de 2016 pelo Congresso Nacional, limitando por 20 anos os gastos públicos, atingiu a maioria dos brasileiros, com redução drástica nos investimentos em saúde, educação e nos programas de moradia, saneamento e abastecimento de água e redução em todos os programas sociais de atendimento à população mais pobre.

Por conta da submissão do governo Temer aos interesses do capital nacional e internacional e com a paralisação de atividades empresariais impostas pela Operação Lava Jato, capitaneada pelo juiz Sérgio Moro, entramos num processo de uma enorme recessão, que levou ao desemprego milhões de brasileiros, além da precarização do trabalho, da desfiguração da previdência pública e do abandono da legislação trabalhista.

Um período que se seguiu com a maior fraude eleitoral da nossa história, com a direita procurando um candidato à sucessão de Temer, já que Lula crescia nas pesquisas e o seu candidato preferido (Geraldo Alckmin) não passava dos 5% das intenções de voto. Em março de 2018, segundo a CNT/MDA a intenção de votos em Lula atingia 33,4%, maior do que Marina e Bolsonaro juntos, os quais não chegavam a 30%, enquanto Alckmin patinava.

Não restou à direita, com o apoio das empresas, da mídia conservadora e de parte do Judiciário, fortalecer o papel de Moro, juiz alçado à condição de herói e com o papel de paladino da justiça. Com este apoio coube a ele trabalhar na condenação de Lula, com acusações sem provas, baseado só em convicções, e levá-lo à prisão em 7 de abril de 2018.

Mesmo preso, Lula continuava candidato e em maio, segundo a CNT/MDA, já somava 37% das intenções de voto, igual à soma de todos os demais candidatos. Nesta época, a candidatura de Bolsonaro já era a opção das elites e Moro dominava a cena com perseguições aos possíveis apoiadores de Lula. A campanha de Bolsonaro, como era do conhecimento de todos, incrementou o uso das fake news, criando uma rede de informações com robôs, que inundaram, de forma seletiva, os celulares de milhões de brasileiros, com a sua propaganda suja, carregada de mentiras.

Em primeiro de setembro de 2018, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassa a candidatura de Lula e em 6 de setembro Bolsonaro sofre um atentado, até hoje mal explicado, que o leva a fugir dos debates eleitorais, deixando de enfrentar o substituto de Lula na corrida presidencial, o professor e ex-ministro Fernando Haddad, o qual com todas as dificuldades de uma campanha curta, com Lula preso e enfrentando um candidato que fugia do debate, chegou aos 47 milhões, ou seja, 45% votos válidos.

Uma eleição onde ficou de fora da disputa, e preso, o maior líder popular da história do Brasil, cujos dois governos, somado aos de sua sucessora, Dilma Rousseff, promoveram a maior a mudança social no Brasil. Com Lula tivemos a retomada do crescimento do país, a redução da pobreza e da desigualdade social. A economia teve um crescimento de 32,6% do PIB e a inflação que era de 12,53% caiu para 5,90 %.

Como o próprio Lula diz: “Haddad ficou sete anos no Ministério da Educação e o transformou no Ministério mais importante da época, até porque ficou proibida a palavra gastos com educação. Assim, nesse tempo fizemos mais escolas técnicas do que eles fizerem, colocamos em 12 anos mais universidades do eles em 100 anos de história. Ou seja, o que essa gente tem contra mim, contra nós, é puro preconceito”.

Os programas sociais com Lula e Dilma avançaram, ao se implantar o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, Prouni, Projovem, Tarifa Social de Energia Elétrica, Luz para Todos, Mais Médicos, Programas de Cisternas, Programa de Fomento às atividades Rurais, entre tantos outros que mudaram a cara do Brasil. Tudo isso levou a uma redução da pobreza em 50% no período, o Brasil saiu do Mapa da Fome, com o país reduzindo a pobreza extrema em 75%, entre 2001 e 2012. Lula cumpriu uma promessa de campanha, que era que todo brasileiro pudesse fazer três refeições por dia.

O Brasil com Lula saiu da dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e apoiou os investimentos em estradas, comunicação, escolas técnicas e incentivos a geração de empregos. Segundo a Revista Isto É Dinheiro, Lula assumiu o Governo com uma taxa de desemprego de 11,2% e deixou com a taxa em 5%, com a criação de mais de 15 milhões de empregos.

Além disso fortaleceu as instituições públicas, valorizando os servidores de várias entidades, como a Polícia Federal, o Ministério Público e as empresas públicas nacionais. Mais que isso”. Com ele o país passou a ser respeitado no mundo, ocupando um lugar de destaque na América Latina e em todos os fóruns mundiais. Não é à toa que ele é homenageado até hoje por várias universidades que lhe dão o título de Doutor Honoris Causa e é procurado pelas maiores personalidades do mundo, inclusive pelo Papa Francisco.

Sem comparação com o que temos hoje no Brasil. Um presidente que envergonha o país dentro e fora dele. Um chanceler que quando abre a boca assusta a diplomacia e o mercado internacional e deixa apavorados até os aliados de Bolsonaro, do agronegócio.

Hoje, quando enfrentamos esta pandemia, em um momento em que o povo se encontra fragilizado pelas reformas trabalhistas que levou um grande contingente ao subemprego e que o isolamento social só fez piorar a sua situação, e ainda enfrenta um governo que não respeita a vida, e, mesmo quando é obrigado a pagar um benefício cria tantas dificuldades que os faz correr sérios riscos de vida.

Diante de uma conjuntura, onde a crise internacional e nacional deixou a classe trabalhadora no mais alto nível de desemprego e numa situação de precarização mais cruel de tudo que o golpista Michel Temer conseguiu fazer para derrotar a presidenta Dilma, o neofascista do Bolsonaro tem agradado unicamente aos segmentos mais atrasados da sociedade que se satisfazem com os arroubos autoritários dele e de seus filhos que sonham com a ditadura militar, de onde vêm os seus ídolos.

A destruição da democracia é sua marca. A ofensa ao que não é milícia ou bajuladores, a destruição da democracia, da nossa soberania, com a submissão aos Estados Unidos, a destruição do meio ambiente e de suas organizações de controle, a sua disposição de desvalorizar as nossas empresas para entregar ao capital internacional têm assustado uma grande parte da população que o apoiou e que se encontra estarrecida com o nível de descompromisso com o Brasil por parte do presidente e de seus ministros.

O desrespeito ao Judiciário e ao Legislativo e suas manifestações públicas em desrespeito às orientações de seu próprio Ministério da Saúde e aquela reunião ministerial que, ao invés de tratar dos problemas reais do país, ficou em meio a palavrões e impropérios e ameaças aos demais Poderes, e os riscos da própria economia que cada vez mais se fixa em apoiar os bancos e as grandes empresas, fazendo tudo para não investir na população, tem levado o governo ao isolamento nas próprias mídias que o fizeram crescer.

Diante desse quadro só nos resta algumas saídas e, entre elas, a primeira é a de cuidar de nossa saúde, só saindo de casa se não houver outra opção. A outra é fazer uma campanha ferrenha contra Bolsonaro e a favor do seu impeachment, somando-nos à todas as manifestações que vêm sendo conduzidas pelas entidades populares, sociais e sindicais, pelo Congresso Nacional e instâncias partidárias.

Em seguida temos que pensar em saídas para o Brasil no pós-pandemia e, com fé, no pós-Bolsonaro, aproveitando os fóruns que estão sendo criados pelas reuniões virtuais e pelas lives que estão congregando milhares de participantes em todo o Brasil. Pensar em saídas para o desemprego que está crescendo, agir junto aos governos municipais, estaduais e federal para que invistam em saúde, educação, bem como em obras estruturantes como rodovias e portos, além soluções para acabar com a fome do povo, como a reforma agrária e o incentivo a agricultura familiar. É preciso fazer com que as grandes fortunas contribuam mais para o país e que as desigualdades sejam superadas.

Somente com um país justo, soberano e igualitário podemos enfrentar pandemias como esta, com maior força e resistência.

 

*João Daniel, deputado federal e presidente do PT-SE

 

 

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