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Vítimas do abandono de Bolsonaro, Norte e Nordeste aceleram ritmo de contaminações

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Resultado direto do abandono da população à própria sorte pelo governo Bolsonaro, o coronavírus segue desenfreado pelo País, que bateu outro recorde de casos pelo segundo dia consecutivo, com 26.928 infecções. Com 1.124 mortes diárias, a nação já soma 27.978 óbitos de um total de 465.166 casos. Com avanço da doença, as regiões mais carentes já começam a sentir os efeitos da chegada da pandemia. Segundo levantamento da Fiocruz, a doença está se espalhando com maior velocidade no Norte e no Nordeste, aprofundando o processo de interiorização sobre o qual pesquisadores vêm alertando há semanas.

O estudo conduzido pela Fiocruz Pernambuco e divulgado nesta sexta-feira (29) revela um crescimento maior das taxas de incidência do Covid-19 nos estados das duas regiões mais desiguais do Brasil. A análise foi conduzida pelo pesquisador Wayne Vieira a partir de dados disponíveis na plataforma Covid-19 no mundo, no Brasil e em Pernambuco, da Secretaria de Planejamento e Gestão de Pernambuco (Seplag).

Treze estados registraram crescimento da taxa de casos por milhão de habitantes maior do que a média do país. O período coberto pela pesquisa é da segunda quinzena de abril até meados de maio. Em maio, o aumento chegou quase a 50 vezes mais: Tocantins (49,8) e Sergipe (47,8). As taxas de Alagoas, Pará e Paraíba cresceram mais de 20 vezes. Já Roraima, Piauí, Acre, Maranhão, Amazonas e Amapá cresceram mais de 10 vezes. A média do crescimento no país foi de 7 vezes, o que já é alto, segundo a Fiocruz.

A pesquisa aponta um processo de interiorizado da doença, passando por municípios com infraestutura precária, indicando que áreas mais pobres podem facilitar a disseminação do vírus. “Esse crescimento acelerado no Norte e Nordeste não pode ser explicado tão somente por questões de momento, existe uma lacuna de desenvolvimento nesses estados, refletida por exemplo pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)”, afirmou Vieira à ‘Agência Fiocruz’.

“O IDH reflete um passivo social, humano, existente. Os estados onde as taxas mais aumentaram são os mais pobres. Com a interiorização da Covid-19 que está acontecendo, essa situação tende a ser observada com mais intensidade”, constata o pesquisador.

Expansão do contágio

Segundo Vieira, a doença chegou primeiramente por viagens internacionais com rotas para Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, áreas de maior poder aquisitivo. Também entraram o distrito industrial de Manaus e os polos de turismo Fortaleza e Recife. Até 19 de abril, dos dez estados com a maior taxa de casos por milhão de habitantes, três estavam na região Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. O Distrito Federal respondia pelo Centro-Oeste.

Mais à frente, quando se observa o período até 19 de maio, dos dez estados com maior incidência da doença, nove pertencem às regiões Norte e Nordeste: Amazonas, Amapá, Roraima, Pará, Acre, Ceará, Pernambuco, Maranhão e Sergipe. O Espírito Santo foi o único do Sudeste a entrar no ranking.

O estudo chama a atenção ainda para o crescimento vertiginoso nos quatro estados que estavam no topo da lista nos dois períodos. Em abril, o Amazonas registrou 493 casos por milhão de habitantes. Um mês depois, já tinha 5.300 infecções. O Amapá passou de 492 para 5.100. Roraima saltou 366 para 3.277 casos. O Ceará, de 356 para 3.078. Segundo a Fiocruz, na comparação, estados com maiores recursos “parecem menos atingidos pela pandemia, como por exemplo, o Paraná, onde a taxa passou de 86 para 217, e o Rio Grande do Sul, de 75 para 329”.

A Fiocruz adverte que os resultados são alarmantes e recomenda medidas de urgência para os estados com menos recursos de enfrentar a o crescimento da pandemia. Difícil para um governo cujo presidente praticamente  transformou em ferramenta de trabalho a negação da ciência.

Ameaças a cientistas

A negação da ciência vem sendo levada à risca não apenas por Bolsonaro como pela trupe que o apoia. De acordo com reportagem do ‘ Financial Times’ divulgada nesta sexta-feira (29), cientistas brasileiros que questionaram a eficácia da hidroxicloroquina para tratamento em pacientes com Covid-19, receberam ameaças de morte de supostos seguidores de Bolsonaro. Um dos ameaçados foi o infectologista brasileiro Marcus Lacerda, que publicou uma pesquisa criticando o uso do medicamento.

As pessoas estavam dizendo que iam me matar, que iam matar minha família, para que eu soubesse como foi perder alguém”, afirmou Lacerda, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. “Como Bolsonaro disse que a droga funcionava, as pessoas começaram a defender a droga para defender o presidente. Tornou-se uma questão totalmente política”, argumentou.

A pressão de Bolsonaro pelo uso da cloroquina começou em 21 de março, alguns dias depois que os governadores estaduais decretaram restrições de circulação de pessoas que enfureceram o presidente, descreve a reportagem. “A questão da cloroquina é uma justificativa para não adotar medidas importantes de distanciamento social”, afirmou Júlio Croda, epidemiologista que deixou o cargo de chefe do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde por se opor à posição do presidente.

Segundo o diário inglês, no Brasil, o debate está tão acalorado que cientistas como Lacerda estão enfrentando uma investigação judicial sobre ensaios clínicos que mostraram que os antimaláricos causavam riscos em potencial para os pacientes do Covid-19. A investigação judicial seguiu-se às acusações no Twitter feitas pelo deputado Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente. Segundo Bolsonaro, os cientistas são lacaios esquerdistas executando um estudo “absurdo” que “deveria ser investigado imediatamente”.

Da Agência PT de Notícias

 

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