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Não adianta trocar ministro, o problema do Brasil é Bolsonaro, afirmam parlamentares do PT

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O descaso do presidente Jair Bolsonaro com a pandemia do coronavírus, a defesa do fim do isolamento social e a insistência do uso da cloroquina levou o ministro da Saúde, Nelson Teich a deixar o cargo nesta sexta-feira (15). O Brasil hoje já tem mais de 200 mil casos de pessoas com testagem positiva para Covid-19, 13 mil mortos e está sem ministro da Saúde. “A política destrutiva de Bolsonaro, de ser contra todos os protocolos mundiais de proteção e combate à pandemia, se comportando como um aliado do coronavírus, derruba mais um ministro”, afirmou o líder da Bancada do PT, deputado Enio Verri (PR).

Nelson Teich deixou a pasta um dia antes de completar um mês no cargo e no mesmo dia em que Bolsonaro pretende alterar o protocolo sobre o uso da cloroquina no combate à Covid-19, mesmo sem comprovação científica. A recomendação atual é de que o medicamento seja usado apenas em pacientes com casos graves da doença, mas o presidente defende o uso mesmo para caso leves do coronavírus.

“O povo brasileiro não é cobaia!”, protestou o líder da Minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE). Ele acusou Bolsonaro de quer que o ministro da Saúde use a cloroquina para agradar a interesses norte-americanos em plena pandemia. “Esta é a razão principal da demissão de Nelson Teich. É um governo que está aos frangalhos! Quem tem o mínimo de juízo e compromisso com a saúde pública e a ciência não vai aceitar esse tipo de conduta do presidente da República”, enfatizou.

Na avaliação do líder da Minoria a queda de mais um ministro da Saúde em plena pandemia “é mais um andar que se sobe na necessidade de tirarmos esse governo”. Segundo Guimarães, Bolsonaro é um mal para o Brasil e representa uma doença enorme para a saúde pública brasileira. “É por isso que nós não podemos mais continuar sem mobilizar o País, pois Bolsonaro não tem mais condições de continuar governando o Brasil”, defendeu.

Avaliação semelhante tem a presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “Não adianta trocar de ministro se não trocar de presidente. Bolsonaro é o maior responsável pela crise e está se lixando para a saúde do povo. Fora!”, afirmou em sua conta no twitter.

O líder da Minoria no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), afirmou que o problema do Brasil é o Bolsonaro. “Enquanto esse incompetente estiver na presidência, o Brasil seguirá sem rumo! Não se iludam, Bolsonaro pressionou a demissão do ministro da Saúde também para tirar o foco do avanço das investigações contra ele! Bolsonaro sabe que a sua interferência na PF ficará provada!”, afirmou.

Zarattini destacou ainda que Teich pediu demissão porque não aceitou “as loucuras de Bolsonaro e a obsessão pelo uso da cloroquina sem qualquer respaldo científico!”. E indagou: “Se o uso da cloroquina fosse a solução para o coronavírus, por que  o mundo não usaria esse medicamento?”.  Ele frisou que nenhum país defende esse uso indiscriminado defendido pelo presidente. “Bolsonaro está cada dia mais inconsequente e apegado as suas alucinações”, completou.

A deputada Natália Bonavides (PT-RN) também considerou que o maior problema do Brasil nesse momento é o governo. “O problema é o governo! Bolsonaro é um aliado do vírus. A demissão de um segundo ministro da Saúde, quando o País passa de 14 mil mortes, revela o caos que Bolsonaro quer para o Brasil. O fim deste governo genocida é urgente. Fora Bolsonaro!”, defendeu.

E o deputado Paulo Guedes (PT-MG) completou: “Não adianta trocar ministros se o problema é o presidente”. Ele enfatizou que Bolsonaro ignora a ciência e as vidas perdidas. “Quer a todo custo flexibilizar o isolamento e forçar o uso da cloroquina sem comprovações científicas. Não é o ministro da Saúde que precisa sair. Fora Bolsonaro”, pediu.

“Saúde desgovernada”

A maioria dos parlamentares da Bancada do PT também usaram suas redes sociais para comentar a saída no ministro Teich, criticar as ações de Bolsonaro no combate à pandemia e, principalmente, para pedir o impeachment de Bolsonaro.

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) disse que a saúde no Brasil está desgovernada. “Dois ministros caíram em menos de um mês. Enquanto isso, as mortes por coronavírus batem recorde dia após dia. O colapso do sistema de saúde é uma questão de tempo!”, alertou.

E a deputada Marília Arraes (PT-PE) avaliou que não são apenas 2 ministros da Saúde que deixam o cargo em meio à maior crise da saúde pública da História do Brasil. “São 14.131mil brasileiros mortos e 207 mil infectados até o momento, sem luz no fim do túnel. Tudo isto porque temos um presidente irresponsável”, lamentou.

O deputado Rogerio Correia (PT-MG) afirmou que Bolsonaro quer alguém que com ele “comande o genocídio sem dó nem piedade, com cloroquina, sem isolamento social e com milhares de mortos para garantir lucro de lobistas que o paparicam”.

Para Zeca Dirceu (PT-PR), Bolsonaro ignora a ciência, a pesquisa, o número de óbitos, querendo impor medicamentos que ele desconhece a eficácia. “Sempre coloca seu ego acima do teor técnico que ele mentirosamente defendeu nas eleições”, criticou.

Cloroquina

 A insistência de Bolsonaro com a cloroquina, observou o deputado Odair Cunha (PT-MG), custou ao Brasil o segundo ministro da saúde em menos de um mês. “Nelson Teich se demitiu por não conseguir conciliar os desejos de Bolsonaro com a realidade. O presidente não escuta a ciência e isso está matando o Brasil”, lamentou.

E o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) e ex-ministro do governo  Dilma afirmou que  gostaria muito que Bolsonaro estivesse certo em relação à cloroquina. “Porém, não há ainda comprovações sérias sobre sua eficácia”, ponderou e acrescentou que asssim como ex-ministro Henrique Mandetta, Teich apresentou discordâncias com o presidente Bolsonaro sobre as medidas para combate ao coronavírus e por isso deixou o cargo.

A mesma avaliação tem a deputada Erika Kokay (PT-DF). “O ministro Teich deixa o cargo diante das pressões de Bolsonaro para liberar a cloroquina e acabar com o isolamento social. O presidente é o maestro do caos no momento mais grave da pandemia no Brasil. Temos que reagir ao genocida. O impeachment é o remédio”, sugeriu.

O deputado Beto Faro (PT-PA) reforçou que a saída do ministro Teich é o estopim para o fim do governo Bolsonaro que, na sua avaliação, não reúne mais condições de presidir o País em meio à pandemia. “O povo brasileiro não pode ficar à mercê de um governo que desrespeita as orientações da OMS e faz chacota das mortes pelo Covid-19. Fora Bolsonaro”, defendeu.

E a deputada Luizianne Lins (PT-CE) ironizou: “Quer dizer que não tem dinheiro para equipar o SUS e pagar o auxílio emergencial, mas tem para produzir cloroquina? Isso é um absurdo! Fora Bolsonaro”, pediu.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) avaliou que foi mais um mês perdido, no qual absolutamente nada avançou no Ministério da Saúde. “Ao menos era médico (Teich), tinha o mínimo da noção de que manter tratamento com cloroquina era uma insanidade. E agora, nas mãos de que terraplanista ficará a saúde do povo brasileiro?”, indagou.

O deputado Padre João (PT-MG) considerou a queda do ministro como uma “bomba”, e lembrou que foi mais um ministro a pular do “barco desgovernado de Bolsonaro.  “Mais uma baixa no governo. Bolsonaro vai ficar sozinho, receitando cloroquina, deixando o povo morrer abandonado. Por isso, editou Medida Provisória, que o isenta de responsabilidade. Genocida. Fora Bolsonaro”, defendeu.

Quem assumirá o cargo ?

O deputado Nilto Tatto (PT-SP) afirmou que o presidente Bolsonaro deseja colocar o deputado Osmar Terra, o “imbecil convicto” no Ministério da Saúde. “Quer obrigar o uso indiscriminado da cloroquina. Sim vai morrer gente. E daí? diria o capitão de milícias. Cinicamente usarão a MP 966 que isenta agente público da culpa por erros. Fora Bolsonaro”, defendeu.

E o deputado Paulão (PT-AL) destacou que o Ministro da Saúde confidenciou que não estava aguentando as humilhações que vinha sofrendo. “Só quem obedece ao Bolsonaro são os militares. Por isso, a informação que ele está indicando um general para o cargo de ministro da Saúde. Fora Bolsonaro”, defendeu.

Os deputados petistas Airton Faleiro (PA), Afonso Florence (BA), Alencar Santana Braga (SP), Benedita da Silva (RJ), Bohn Gass (RS), Carlos Veras (PE), Célio Moura (TO), Helder Salomão (ES), João Daniel (SE), Joseildo Ramos (BA), Leonardo Monteiro (MG), Marcon (RS), Maria do Rosário (RS), Margarida Salomão (MG), Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP), Professora Rosa Neide (MT), Patrus Ananias (MG), Pedro Uczai (SC), Reginaldo Lopes (MG), Rubens Otoni (GO), Rui Falcão (SP), Waldenor Pereira (BA) e Zé Carlos (MA) também comentaram a saída do ministro e criticaram a política equivocada do Bolsonaro no combate à pandemia.

 

Vânia Rodrigues

 

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