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Acusações de Moro comprometem Bolsonaro e o próprio ex-ministro da Justiça

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Os parlamentares da Bancada do PT na Câmara afirmaram nesta sexta-feira (24) que são gravíssimas as acusações feitas pelo ministro demissionário da Justiça, Sérgio Moro, de tentativa de interferência na Polícia Federal. Pelo Twitter, os deputados avaliaram que a revelação de Moro de que Bolsonaro quer a troca do diretor da Polícia Federal (Maurício Valeixo) para ter acesso a investigações e inquéritos tocados pelo órgão – alguns deles envolvendo seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro e o vereador licenciado Carlos Bolsonaro – é a comprovação da prática de um crime passível de impeachment.

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PR), disse que Moro “fez uma acusação muito séria contra Bolsonaro, que deve ser investigada”. O parlamentar também lembrou que o próprio ministro demissionário admitiu que nos governos do PT (Lula e Dilma) a Polícia Federal tinha autonomia para investigar.

“Sérgio Moro confirmou que, durante os governos do PT, a Polícia Federal teve total autonomia. Já Bolsonaro quer um diretor-geral que o informe sobre investigações sigilosas”, comparou.

E o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) completou: “Moro, medíocre como sempre, calou sobre assuntos centrais, mas foi obrigado a admitir que o governo do PT jamais interferiu em investigações da PF. Por fim, confirmou que Bolsonaro quer interferir na PF para salvar os filhos e proteger sua milícia digital”.

Crime e delação

Apesar da acusação contra Bolsonaro, parlamentares do PT também lembraram que o próprio Sérgio Moro, enquanto juiz da Lava Jato, inúmeras vezes cometeu crimes no exercício do cargo. A presidenta Nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), disse que a coletiva de Moro a imprensa, “é uma confissão de crimes e uma delação contra Bolsonaro”. “Corrupção, pagamento secreto de ministro, obstrução de justiça, prevaricação. Moro tinha de sair da entrevista direto para depor na Polícia Federal”, observou.

Durante a coletiva a imprensa, Sérgio Moro disse que desde o ano passado o presidente Bolsonaro manifestava o desejo de retirar o diretor da Polícia Federal, para ter acesso a investigações conduzidas pelo órgão. Ele informou ainda que Jair Bolsonaro demonstrou preocupação com inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e que podem atingir seu governo.

Duas dessas investigações, conduzidas pela PF, apuram a prática de disseminação de fake news e o financiamento de manifestações contra a democracia. Nos dois casos existe a suspeita da participação de filhos e aliados próximos de Jair Bolsonaro.

O ministro demissionário revelou ainda que antes de aceitar ser ministro exigiu do presidente eleito como condição para aceitar o cargo – tendo como testemunha o general Heleno – o pagamento de uma pensão a sua família, “caso acontecesse alguma coisa” a ele, por conta do combate ao criem organizado. Moro não deixou claro como isso ocorreria, nem quem bancaria esse pagamento.

“Tem outra coisa gravíssima que Moro revelou na entrevista: disse que para aceitar o cargo de ministro exigiu uma espécie de pensão pra proteger a família. Privatizaram o cargo de ministro. Isso derrubaria governo em qualquer país que mereça o nome”, acusou Gleisi Hoffmann.

A presidenta nacional do PT disse ainda que mesmo querendo passar a imagem de “bom moço”, ao defender o diretor exonerado da Polícia Federal, tanto Moro quanto Valeixo também cometeram crimes enquanto participaram da Operação Lava Jato.

Obstrução da Justiça

Em relação aos crimes cometidos por Bolsonaro, de obstrução de Justiça e de advocacia administrativa – ao tentar obter informações de inquéritos da Polícia Federal para beneficiar investigados – o líder da Minoria na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse que tanto o presidente quanto Moro cometeram crime e precisam ser punidos.

“Moro passou meses e meses calado. De santo, não tem nada! Sua demissão-delação diz muito sobre sua índole parcial, a mesma que condenou Lula sem provas. O projeto de poder do ex-juiz falou mais alto. Agora, mais do que nunca, o Fora Bolsonaro torna-se emergencial”, defendeu Guimarães.

Já o líder da Minoria no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), observou que a estratégia de Bolsonaro ao demitir o diretor da Polícia Federal e forçar a demissão de Moro é partir para o “tudo ou nada” para evitar investigações que possam seus filhos e aliados. “Bolsonaro vai pra o tudo ou nada! Decide forçar a demissão de Moro a troco de proteger o seu clã das investigações da PF. Pode ter aberto, finalmente, o caminho para sua saída do Palácio do Planalto”, afirmou.

Veja outras declarações de parlamentares sobre as revelações de Sérgio Moro:

 Deputado Paulo Teixeira (PT-SP) – “Crime por obstrução de justiça. Crime contra a administração da justiça. Art. 338 do Código Penal. Esse foi o crime praticado por Jair Bolsonaro, segundo Sérgio Moro, quando pediu a troca do diretor Geral da Polícia Federal em razão de um inquérito que tramita no STF”.

Deputado Airton Faleiro (PT-PA) – “Moro delata Bolsonaro. Diz que o presidente usou do cargo de presidente para impedir o trabalho de investigação da polícia federal, portando obstrução da justiça. Já temos elementos mais do que suficientes para o Impeachment de Bolsonaro!”.

Deputada Maria do Rosário (PT-RS) – “Pilares de Bolsonaro desmoronaram: Moro fora, Guedes esvaziado, Bebiano escorraçado e morto. Moro não é vítima, pois é construtor da fraude. Há crimes de responsabilidade. Só resta o Fora Bolsonaro. Elementos para o impeachment estão dados. Mas deve cair todo governo. Está podre”.

Deputado Henrique Fontana (PT-RS) – “Moro fez graves acusações contra Bolsonaro. Disse q o presidente tem intenção de interferir politicamente na PF; e negou que tenha assinado a exoneração do diretor da PF, mesmo tendo sido publicada com seu nome no Diário Oficial. Se confirmadas, são crimes de responsabilidade”.

Deputada Marília Arraes (PT-PE) – “Bolsonaro tem desprezo pela ética e qualquer atitude republicana. A saída de Moro evidencia sua intenção fazer da Presidência da República o quintal da sua casa, proteger aliados, perseguir adversários e afundar o país. Mas a cada dia fica mais claro que não conseguirá”.

Deputado Paulo Guedes (PT-MG) – “Moro faz graves revelações sobre os bastidores do governo Bolsonaro e traz à tona vários crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente”.

Deputado Alexandre Padilha (PT-SP) – “Moro não deu coletiva, fez uma delação premiada contra Bolsonaro. Segue a lista de alguns crimes cometidos pelo presidente: Bolsonaro exigiu que a PGR acompanhe os inquéritos das fakes news, das manifestações, da rachadinha e do assassinato de Marielle”.

Deputado Leonardo Monteiro (PT-MG) – “Uma saraivada de balas na saída de Moro, expondo que o presidente queria trocar o diretor da PF para interferir pessoalmente em investigações! Como é público que filhos de Bolsonaro são investigados, fácil concluir quem ele quer preservar! O que era ouvir dizer, está comprovado”.

Moro não é inocente

Deputado Marcon (PT-RS) – “Já vai tarde! Moro prendeu o primeiro colocado nas pesquisas para Presidência para ser ministro do segundo, eleito só por causa de sua interferência política na justiça: e agora abandona o barco. Nos naufrágios os primeiros a cascar fora são sempre os ratos”.

Deputada Natália Bonavides (PT-RN) – “Moro: omisso quanto às milícias de estimação dos Bolsonaro, omisso quanto às aspirações de um novo AI-5, omisso sobre Queiroz, omisso com o laranjal do PSL, o caixa 2 de Ônix, os fantasmas de Flávio Bolsonaro. Mas agora que acha que atingiu sua biografia, seu ego, pede pra sair”.

Deputado Beto Faro (PT-PA) – “Moro protegeu a família Bolsonaro de investigações, enquanto esteve no ministério. Até agora nada do Queiroz. Agora que viu que o governo Bolsonaro está afundando pulou fora. Moro perseguiu Lula para ganhar um cargo no governo de milicianos”.

Deputada Luizianne Lins (PT-CE) – “Coerência nunca foi o forte de Moro. Quando tava de bem com o bolsonarismo, calou sobre Queiroz, Marielle, fakenews, condenou Lula sem provas, calou sobre milícias, ataques ao STF e ao Congresso, foi ministro de Bolsonaro, e ainda quer se passar por coerente”.

Deputado Helder Salomão (PT-ES) – “A saída do Moro do Ministério da Justiça não tem nada a ver com a interferência do governo na PF, embora seja gravíssima. Ele percebeu que o barco está afundando e tenta desvincular sua imagem da de Bolsonaro de olho em 2022”.

Deputado Rogério Correia (PT-MG) – “Se o que Sérgio Moro disse é verdade, dois fatos sobressaem: Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade e Moro prevaricou ao esconder por tanto tempo tais fatos”.

Deputado Valmir Assunção (PT-BA) – “Aos desavisados é bom lembrar! Sérgio Moro foi um dos maiores articuladores das interferências criminosas dentro da Lava Jato. Calou o Queiroz! Silencia o caso Marielle Franco. Moro não tem compromisso com a democracia coisa nenhuma”.

Deputado Zeca Dirceu (PT-PR) – “O que era para ser, uma coletiva de imprensa, virou na verdade uma Delação premiada. Moro reconheceu seus crimes e apontou vários outros crimes cometidos por Bolsonaro. Lutaremos para que a justiça finalmente seja feita, ambos paguem pelos seus crimes, sem benefício algum.

Deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) – “Moro, o juiz imoral, confessa mais um crime: pediu pensão para assumir um cargo comissionado de ministro da Justiça. E agora, quem vai pagar a pensão da família Moro?”

Deputado Bohn Gass (PT-RS) – “As máscaras caíram! No governo Bolsonaro, o combate à corrupção sempre foi uma farsa. Moro sempre soube, mas quando se deu conta de que não seria mais possível esconder isso do povo, pulou do barco fingindo ter sido surpreendido”.

Deputado Zé Carlos (PT-MA) – “Moro acobertou os crimes da família de Bolsonaro por um ano e meio, e agora deixa o governo pedindo justiça e falando que seria uma interferência política trocar a equipe da PF. Agora os três patetas comandarão a PF para continuar acobertando os crimes”.

Deputado Célio Moura (PT-TO) – “E para não esquecermos: a PF sempre soube quem matou Marielle, onde estava Queiroz, da rachadinha e da ligação estreita da família Bolsonaro e os milicianos. Moro sempre soube. Não esqueçamos a Lava Jato e suas estratégias para tirar Dilma e manter Lula preso. Moro nunca foi contra corrupção”.

Deputada Professora Rosa Neide (PT-MT) – “Sergio Moro despede-se do cargo de ministro da Justiça como defensor da lei e retoma a bandeira de combate à corrupção. Seguiu um roteiro bem cadenciado pra não ofender ninguém e, ao mesmo tempo, deixa o horizonte aberto para movimentos futuros”.

Deputado Afonso Florence (PT-BA) – “Moro, atirando no presidente, numerou uma lista de crimes de responsabilidade de Bolsonaro. Fez o que quando era ministro, Moro? Além de interferir no MP, vazar segredo de justiça, condenar sem provas, seu currículo soma prevaricação e cumplicidade com milicianos de Bolsonaro”.

Deputado Joseildo Ramos (PT-BA) – “Em sua demissão, Moro solta uma carreta desgovernada contra Bolsonaro, o acusa de interferir na PF e de exigir acesso a investigações e relatórios de inteligência. E o herói anticorrupção, conivente até aqui, só abre o jogo na tentativa desesperada de “preservar sua história”.

Deputado João Daniel (PT-SE) – “Quanto às arbitrariedades de Moro enquanto juiz e sua omissão enquanto ministro da Justiça a história se encarregará de fazer justiça”.

Deputado Odair Cunha (PT-MG) – “Depois de fazer um trabalho medíocre, Moro abandona o governo e afirma, entre várias acusações, que Bolsonaro interfere na PF para proteger os filhos e sua milícia digital. As máscaras estão caindo!”.

Deputado Nilto Tatto (PT-SP) – “Não adianta dizer ‘bolsonaro traidor’, ele fez o que sabe fazer. Interviu na PGR, “Polícia Federal”, Receita, desmontou o Coaf, e ajudou a blindar esquemas criminosos. “Moro” foi vassalo, omisso e conivente. Além de um gestor medíocre, nada produziu de relevante em 15 meses”.

Deputado Carlos Veras (PT-PE) – “Na prática, a saída de Moro não muda nada. Seu projeto nunca foi de combater a corrupção e sim de promoção pessoal. Não cumpriu, minimamente, seu papel e fez vistas grossas diante das acusações envolvendo Bolsonaro e seu clã”.

Deputado Rubens Otoni (PT-GO) – “Moro tenta salvar sua cara. Já tem gente perguntando: “Isso é demissão ou delação premiada?”. Foi omisso no caso Queiroz, Marielle e fakenews. Foi servil ao que há de mais atrasado e corrupto. Bolsonaro começa a cair, aí ele tenta pular do barco com cara de sério? Ridículo!”

Deputado Waldenor Pereira (PT-BA) – “E na sua demissão do Ministério da Justiça, Moro foi obrigado a reconhecer a autonomia dada pelo PT à Polícia Federal em seus governos. Que ironia do destino!”.

Racha na base de apoio a Bolsonaro

Deputado Pedro Uczai (PT-SC) – “Nada como um dia após o outro. O que farão os bolsominions agora? Ficarão ao lado de Sérgio Moro ou de Jair Bolsonaro?”.

Deputado Padre João (PT-MG) – “Moro deixou claro q Bolsonaro: Decidiu interferir politicamente na Polícia Federal; se recusou a dar um motivo para exonerar Valeixo; planeja trocar vários outros superintendentes da PF, sem dar motivos. Você precisa de mais que isso para abandonar o Bolsonaro?”

 Homenagem a Marielle

Deputada Margarida Salomão (PT-MG) – “Nesse dia de novos contornos políticos, quero exaltar Marielle. Marielle guerreira, Marielle mártir. Marielle, cujo extermínio passou incólume pela mediocridade do ministério de Sergio Moro. De Marielle nunca nos esqueceremos. De medíocres como Moro, não se pode dizer o mesmo”.

 

Héber Carvalho

 

 

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