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Jorge Solla aciona Conselho de Ética da Câmara contra Eduardo Bolsonaro por conta de ataques a cientistas

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O deputado Jorge Solla (PT-BA) anunciou neste sábado (18), por meio de redes sociais, que vai entrar com uma representação no Conselho de Ética da Câmara contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) por quebra de decoro parlamentar. Solla afirmou que Eduardo Bolsonaro cometeu crime ao atacar cientistas e pesquisadores que desenvolvem estudos sobre a substância hidroxicloroquina (HCQ) no combate à Covid-19.

“Não tem decoro para continuar deputado. Cobraremos no Conselho de Ética uma abertura de processo contra Eduardo Bolsonaro por esse crime que ele comete contra dezenas de cientistas, propagando mentiras, estimulando o ódio e a violência contra pesquisadores”, denunciou Jorge Solla.

Gabinete do ódio

Produtores de fake news em alta escala, os integrantes do  “gabinete do ódio” comandado pela família do presidente da República, Jair Bolsonaro, têm atuado a pleno vapor. Desta vez, à frente da ação despontou Eduardo Bolsonaro, que, por meio de redes sociais, acusou e atacou a comunidade científica ligada à  Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Como sempre, o deputado não poupou o Partido dos Trabalhadores de suas ilações e mentiras.

“Estudo clínico realizado em Manaus pra desqualificar a cloroquina causou 11 MORTES após pacientes receberem doses muito fora do padrão. Este absurdo deve ser investigado imediatamente. Os responsáveis são do PT. Mas isso é pura coincidência, claro…”, escreveu o filho do presidente da República, em sua conta no Twitter.

Fiocruz

Em nota, o Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) saiu em defesa dos pesquisadores responsáveis pelo estudo CloroCovid-19. Ligada ao Ministério da Saúde, a Fundação classificou de “inaceitáveis” as ameaças que vêm sofrendo os cientistas e pesquisadores. Segundo a Fiocruz, o estudo vem sendo realizado por mais de 70 pesquisadores, estudantes de pós-graduação e colaboradores de instituições com tradição em pesquisa.

“A instituição considera inaceitáveis os ataques que alguns de seus pesquisadores vêm sofrendo nas redes sociais, após a divulgação de resultados preliminares com o uso da cloroquina em pacientes graves com a Covid-19. Estudos como esse são parte do esforço da ciência na busca por medicamentos e terapêuticas que possam contribuir para superar as incertezas da pandemia de Covid-19. A pesquisa CloroCovid-19 permanece em andamento e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep)”, diz o documento.

Omissão

Em sua conta no Twitter, o deputado Paulão (PT-AL) reclamou do sumiço do Ministro da Justiça, Sérgio Moro, diante de fato grave como os ataques e ameaças de morte comandados por Eduardo Bolsonaro.

“A omissão do Moro em proteger os cientistas é gravíssima. Esse cidadão não é ministro da Justiça. É um capacho do Bolsonaro. A democracia não está sendo respeitada. O Bolsonaro não tem condições política, moral e emocional de continuar na Presidência”, criticou o deputado.

Leia abaixo a integra da nota da Fiocruz:

“O Conselho Deliberativo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vem a público manifestar seu apoio aos pesquisadores responsáveis pelo estudo CloroCovid-19, que vem sendo realizado por mais de 70 pesquisadores, estudantes de pós-graduação e colaboradores de instituições com tradição em pesquisa, como Fiocruz, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, Universidade do Estado do Amazonas e Universidade de São Paulo.

A instituição considera inaceitáveis os ataques que alguns de seus pesquisadores vêm sofrendo nas redes sociais, após a divulgação de resultados preliminares com o uso da cloroquina em pacientes graves com a Covid-19. Estudos como esse são parte do esforço da ciência na busca por medicamentos e terapêuticas que possam contribuir para superar as incertezas da pandemia de Covid-19. A pesquisa CloroCovid-19 permanece em andamento e foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A Fiocruz tem trabalhado incansavelmente em diversas frentes de atuação e vem a público clamar pela tranquilidade e segurança de seus pesquisadores, requisitos essenciais para o desenvolvimento de seus estudos. É fundamental alertar que a busca por soluções não pode prescindir do rigor científico e do tempo exigido para obtenção de resultados seguros e que as pesquisas devem se manter, portanto, fora do campo narrativo que constrói esperanças em cima de respostas rápidas e ainda inconclusivas.

A Fundação apoia incondicionalmente seu corpo de pesquisadores, que estão absolutamente comprometidos com a ciência e com a busca de soluções para o enfrentamento dessa pandemia, e reafirma seu compromisso com a missão de produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira.”

 Benildes Rodrigues

 

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