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Gleisi cobra demissão do presidente do Banco Central

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A presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), cobrou uma posição clara do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, nesta quinta-feira (16). O site The Intercept Brasil revelou que Campos Neto disse a investidores, no último sábado, que reduzir mortes por coronavírus é pior para a economia. “É grave a denúncia. Roberto Campos Neto não tem qualquer apreço pela vida ou pelo povo. Ou desmente ou pede demissão”, disse.

Segundo a parlamentar, a declaração do presidente do BC, feita em conversa transmitida pela XP Investimentos no último dia 11, pelo canal da instituição financeira no YouTube, confirma a política criminosa e genocida do governo Bolsonaro. “O Planalto e a equipe econômica não querem salvar vidas. Eles preferem colocar a economia para girar”, criticou Gleisi.

Na live transmitida pela XP, o presidente do BC – neto do ex-ministro Roberto Campos, um dos expoentes econômicos da ditadura militar – tirou de contexto dados de um gráfico elaborado por economistas do Centro de Pesquisas de Política Econômica, um think tank europeu, baseado em Genebra, na Suíça, para defender a tese de que o isolamento social irá aprofundar a recessão.

“Esse é um gráfico que muita gente tem comunicado em palavras, que é a troca entre o tamanho da recessão e o achatamento da curva [de contaminação] que você quer atingir. Mostra que, quando você tem um achatamento maior, você tem uma recessão maior e vice-versa”, disse Campos Neto, na live da XP.

O gráfico foi retirado da introdução do livro “Mitigating the covid economic crisis: act fast and do whatever it takes” [Tradução: “Reduzindo a crise econômica da covid: agir rápido e fazer todo o possível”, em tradução livre). A obra aponta o caminho inverso do que concluiu Roberto Campos Neto. Os pesquisadores concluem que a recessão causada pela quarentena é uma “medida de saúde pública necessária” e que perder vidas para preservar a economia não é uma opção.

Em artigo publicado nesta quinta-feira no site GGN, o jornalista Luís Nassif aponta que a lógica de Campos Neto e da equipe econômica, ao defender a tese do isolamento vertical – confinar apenas segmentos da população como forma de evitar a expansão do contágio – é equivocada. “O modelo do BC para medir os efeitos econômicos do coronavirus é furado”, observa. “O erro de lógica do BC é quanto ao comportamento da população, em caso de tragédia sanitária de grandes proporções”.

De acordo com a leitura do BC, quanto mais elevada for a curva da coronavírus, mais rápido será o fim da pandemia e, consequentemente, mais rápida será a recuperação da economia. “É pura lógica bolsonariana”, destaca Nassif. “Se deixar tudo solto, enterrem-se os que morrerem e a economia será salva mais cedo”.

Lógica bolsonariana

Nassif cita o economista Thomas Conti, do Insper, que identificou um erro crasso de lógica nos modelos econômicos do Banco Central.  “A partir de um certo nível de óbitos por dia e de uma dada velocidade de crescimento desse número, a resiliência social à tragédia simplesmente quebra”, escreve. Ou seja, o pavor levará a um lockdown completo – “parada total” –, como está ocorrendo na Itália, Espanha e Reino Unido e, agora, nos Estados Unidos.

“As pessoas não aguentam. Se fosse um dia disso, seria mais fácil. Mas depois de ver isso uma vez e imaginar que amanhã será pior, e depois de amanhã ainda pior, dia após dia durante semanas é avassalador. A demanda social se torna clara: alguém só faça isso parar, por favor”, destaca o economista. Nassif conclui: “Em favor dessa tese está a realidade, de que todos os países que aceitaram a curva de contágio não-controlada, tiveram que recuar muito antes de atingir o pico de contágio descontrolado”, observa.

Difícil é fazer o governo Bolsonaro e os economistas de Paulo Guedes aceitarem a ideia de que as vidas humanas valem mais do que os lucros incessantes do sistema financeiro ou a sobrevivência das empresas. Gleisi pondera que ninguém no governo federal enxerga a tragédia que se aproxima, porque o cálculo que estão fazendo é meramente político. Só isso explica a disputa pelo protagonismo dentro do próprio diante da pandemia. “É uma vergonha. Pelo tempo da novela política pode-se medir a importância do povo para o governo”, critica a presidenta do PT. “Bolsonaro age igual seu mentor [Donald] Trump, que brigou com o comando da saúde e governadores e minimizou a crise”.

Da Agência PT de Notícias

 

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