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Com baixa testagem, número real do coronavírus no Brasil é incógnita, afirmam especialistas

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O Brasil continua com baixa testagem para o coronavírus, de acordo com o site World Meters, que faz um acompanhamento online diário do coronavírus no mundo. A proporção de testes por um milhão de habitantes do Brasil em relação a outros países é altamente desproporcional, dificultando saber a real progressão da pandemia no País.

Na Itália, já foram feitos 16.708 mil testes por 1 milhão de habitantes; na Espanha 12.833 mil testes por 1 milhão de habitantes; nos Estados Unidos foram realizados 8.559 mil testes por 1 milhão de habitantes, enquanto no Brasil os dados apontam apenas 296 testes por 1 milhão de habitantes. Se compararmos com países da América do Sul, o Brasil só está à frente da Guiana, que tem 245 testes por 1 milhão de habitantes, e da Bolívia que conta com 187 testes por 1 milhão de habitantes.

“Infelizmente nós temos poucos testes no Brasil, o que faz com que não tenhamos um conhecimento real da progressão da pandemia, não pelos casos confirmados, nem pelos óbitos confirmados, mas muito mais pelo número de internações por síndrome respiratória aguda grave nos hospitais, pois esse é o principal fator pra gente saber como está a evolução da pandemia”, explica o deputado Alexandre Padilha (PT-SP). Para o ex-ministro da Saúde, é preciso reforçar as medidas de isolamento, como ficar em casa e reduzir contato. Segundo Padilha, “infelizmente estamos caminhando no escuro em relação ao tamanho da progressão da pandemia em nosso País”, lamentou.

Agência Brasil

Kits

O deputado, que também é médico, afirmou que está muito difícil achar kits para testar o covid-19 no Brasil, tanto no setor público como no setor privado, mas deixa claro que uma das causas é a demora do Ministério da Saúde em se organizar para que seja produzido e distribuído testes no País. “Por algum motivo o Ministério da Saúde não se organizou, não mandou produzir testes desde o começo, não contratou antes, não ajudou os estados e municípios na compra, na aquisição e distribuição de testes, e nós estamos com a baixa testagem no País, uma baixa oferta de testes”, alertou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas recomendam que países ampliem a realização de testes em pacientes com sintomas e fortaleçam ações de isolamento como forma de retardar o avanço da pandemia. Para a entidade, tão ou mais importante que adotar medidas de redução de circulação e aglomeração de pessoas é assegurar os exames e o isolamento.

“Não conseguiremos parar a pandemia se não soubermos quem está infectado. Temos uma simples mensagem: testem, testem, testem todos os casos suspeitos”, declarou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) criticou a fala do ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, ao programa Fantástico, no domingo à noite (12). “O ministro da Saúde resignar-se, em entrevista ao Fantástico, de que não conseguirá realizar testes em massa na população é perder a batalha antes de começar a guerra”, lamentou.

Para o parlamentar, o governo de Bolsonaro tinha e tem a obrigação de conduzir a indústria nacional a produzir testes aos milhões com garantia de eficiência. “Temos ciência de qualidade nas universidades e tecnologia na indústria para isso. Só poderemos saber a hora de reabrir e de voltar a fechar as atividades se pudermos realizar uma grande quantidade de testes diários. Isso é o que a ciência mostra e o que todos os países estão fazendo. Sem testar em massa nunca teremos a segurança para uma decisão técnica, científica, e não política, para o afrouxamento do isolamento social. E estes testes não estarão disponíveis em larga escala no mercado internacional enquanto durar a pandemia”, explicou Solla.

Testes nacionais

Diversas Universidades Públicas do país estão desenvolvendo testes que tornarão diagnósticos da covid-19 mais rápidos e acessíveis. É o caso do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com o jornal da universidade, pesquisadores desenvolveram diferentes métodos, em três frentes. Um deles permite fazer testes para identificar o vírus em equipamentos disponíveis na maioria dos laboratórios do País. A técnica, que utiliza reagentes produzidos no Brasil, reduzirá o tempo de detecção da doença para quatro horas, com a mesma eficiência do teste convencional. Além disso, os cientistas também estão desenvolvendo um método de teste rápido que utiliza anticorpos para identificar pessoas infectadas a partir de secreções produzidas na garganta.

O Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já está habilitado para realizar diagnósticos da covid-19. Os testes para a detecção do novo coronavírus foram desenvolvidos por pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) que participam da força-tarefa constituída pela Unicamp contra a Covid-19. De acordo com reportagem publicada na última quarta-feira (8) no G1, a Unicamp desenvolveu teste mais barato que usa reagente nacionais. Os produtos, testados e já comparados e aprovados em relação aos importados, são utilizados ao longo de toda a cadeia do exame – da extração do material genético do vírus ao diagnóstico final. A ideia é que o teste utilizado na universidade tenha 100% de insumos nacionais.

Lorena Vale, com agências

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