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Líder da Minoria defende pacto nacional contra Bolsonaro, ‘o idiota mais perigoso do planeta’

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O líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), em artigo na revista Carta Capital intitulado Um idiota perigoso, afirma que o discurso do presidente de extrema direita Jair  Bolsonaro no dia 24, no qual conclamou a população a sair do isolamento, provou sua insanidade e despreparo para governar o Brasil. “O pronunciamento dissipou qualquer dúvida de que ele padece de equilíbrio psíquico e preparo para exercer o cargo. Sem responsabilidade e eficiência, alienado, joga o País na incerteza num momento dramático da vida nacional, com a pandemia de coronavírus”, escreveu o parlamentar.

Guimarães alertou que “diante do desgoverno Bolsonaro, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e os governadores devem estabelecer um acordo com medidas concretas, em defesa dos trabalhadores e das empresas, com respaldo da mais alta Corte, ou estaremos abrindo mão do destino de milhões de brasileiros.” Segundo ele,   “as cúpulas dos poderes sabem que se tivéssemos um presidente com respeitabilidade, senso de urgência e maturidade, a situação já seria extremamente grave. Com Bolsonaro a crise vem ganhando contornos de tragédia.  O coronavírus não é uma gripezinha. É tão perigoso quanto Bolsonaro. O nosso lema deve ser: tudo pela vida!”

Leia a íntegra do artigo:

Carta Capital PDF artigo líder Guimarães 27 3 20

Um idiota perigoso

Por José Guimarães (*)

O pronunciamento de Jair Bolsonaro na noite de terça-feira 24 causou perplexidade, no Brasil e no mundo, em quem tem um mínimo de sanidade mental. Comprovou que os suíços acertaram no diagnóstico: ele é o idiota mais perigoso do planeta. O pronunciamento dissipou qualquer dúvida de que ele padece de equilíbrio psíquico e preparo para exercer o cargo. Sem responsabilidade e eficiência, alienado, joga o País na incerteza num momento dramático da vida nacional, com a pandemia de coronavírus.

É um irresponsável e merece ser interditado para o bem de todos os brasileiros. Ao defender isolamento vertical, flexibilizando o confinamento social, contrariou cientistas e orientações do próprio Ministério da Saúde. Colocou a população brasileira em risco, ao desdenhar do avanço da Covid-19, atacar a imprensa e debochar da ciência.

Insensibilidade

Amparado em suposta preocupação com a economia, demostrou empatia zero com as mortes causadas pela pandemia e completa falta de noção da grave situação. Por meio do filho 03, atacou a China, principal parceiro comercial do Brasil e que enfrentou o coronavírus com sucesso. Confronta os governadores e tenta bloquear ou mitigar as medidas implantadas nos estados para combater a crise. Insiste em não enxergar a gravidade e a dimensão da crise. Zomba da população ao se negar a divulgar o resultado do exame que fez para detecção do vírus.

Para salvar a economia não é necessário matar milhares de pessoas por coronavírus. Muitos países seguem recomendações dos profissionais de saúde, e, simultaneamente, adotam medidas para proteger empresas e empregos.

Patetices

Os Estados Unidos e Inglaterra livraram-se da camisa de força neoliberal para estimular a economia com a injeção de recursos públicos, paralelamente a medidas para enfrentar a crise sanitária e humanitária. Na contramão do mundo, Bolsonaro insiste em patetices para se inserir na galeria dos presidentes mais insanos e hilários da humanidade. Se ficasse restrito às suas redes sociais de fanáticos e robôs, não teria problema. Mas ele é uma ameaça real ao povo brasileiro.

O Brasil precisa, neste momento, de ampla coesão social, seriedade, sensibilidade e união de esforços, em todas as esferas de poder e na sociedade, para enfrentar a pandemia e seus reflexos em uma combalida economia dirigida de forma equivocada. Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, desprezam o povo brasileiro ao insistir em um modelo que já se provou imprestável.

Cartilha neoliberal

Reféns da óptica superada da Escola de Chicago, a dupla genocida despreza pessoas que podem morrer por falta de recursos nos Sistema Único de Saúde e pela ausência de medidas mitigatórias.  O conjunto de medidas anunciadas para enfrentar o impacto econômico causado pelo Covid-19  é uma verdadeira enganação num momento crucial.

É insuficiente e incapaz de proteger a economia, os empregos e as camadas mais vulneráveis. O pacote apenas revela uma visão ultraliberal mesquinha e atrasada.

A viseira estapafúrdia os impede de ceder ao bom-senso e seguir o que outros países vêm fazendo para enfrentar a pandemia. Na Europa percebe-se de forma crescente que investimento público não é gasto. Os governos anunciam a liberação de bilhões de euros para evitar o colapso econômico e, ao mesmo tempo, atender as populações à mercê das ameaças da pandemia.

Atoleiro econômico

Só sairemos do atoleiro com a superação do atual modelo neoliberal e com a revogação da emenda 95, surgida da conhecida  PEC da Morte , editada no famigerado governo Temer. A emenda enfraquece e limita os investimentos em políticas sociais, fragilizando toda a rede de proteção social. Só no ano passado o SUS perdeu quase R$ 10 bilhões de orçamento.

O momento é grave e o Congresso Nacional precisa agir em defesa dos mais de 200 milhões de brasileiros. Além de reagir politicamente contra as sandices e atitudes antidemocráticas de Bolsonaro – como a sua participação em ato golpista no dia 15, rompendo a quarentena que deveria respeitar – o Congresso precisa rapidamente revogar a EC-95.

A oposição tem um conjunto de medidas para fazer a economia rodar e evitar o caos social. A Oposição na Câmara propôs um projeto que estabelece Seguro Emergencial de Renda às famílias beneficiárias do Bolsa Família, aos inscritos no Cadastro Único e aos  trabalhadores informais e de baixa renda, para durar enquanto permanecer a pandemia e o regime de confinamento social.

Medidas de proteção social

Cerca de 100 milhões de brasileiros podem ser beneficiados pela proposta oposicionista. O valor proposto é de um salário mínimo (R$ 1045,00), cinco vezes o que o governo Bolsonaro anunciou de amparo aos vulneráveis.

Outro projeto estabelece medidas temporárias em matéria trabalhista, vedando a demissão arbitrária ou rescisão antecipada de contrato enquanto durarem as medidas de isolamento social ou quarentena de que trata a Lei 13.979, 6 de fevereiro de 2020, determinadas pelas autoridades públicas.

Corremos contra o tempo. Não podemos nos omitir num momento tão grave.  É hora de agir de forma unida, contra o coronavírus e contra um presidente que ninguém mais duvida que aposta na crise, numa luta contra inimigos imaginários.

Diante do desgoverno Bolsonaro, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e os governadores devem estabelecer um acordo com medidas concretas, em defesa dos trabalhadores e das empresas, com respaldo da mais alta Corte, ou estaremos abrindo mão do destino de milhões de brasileiros. Um Pacto, não por vaidades individuais,  mas por que o  Brasil precisa.

As cúpulas dos poderes sabem que se tivéssemos um presidente   com respeitabilidade, senso de urgência e maturidade, a situação já seria extremamente grave. Com Bolsonaro a crise vem ganhando contornos de tragédia.  O coronavírus não é uma gripezinha. É tão perigoso quanto Bolsonaro. O nosso lema deve ser: tudo pela vida!

(*) José Guimarães (PT-CE) é líder da Minoria na Câmara dos Deputados

(Artigo publicado originalmente na revista Carta Capital, edição nº 1099)

PT na Câmara

 

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