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Trabalhadora doméstica e o coronavírus dos patrões, por Benedita da Silva

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Como fazer para combater a pandemia num país como o nosso, dividido entre Casa Grande e Senzala? No caso a Casa Grande são os patrões chegando do exterior contaminados com o coronavírus e não abrindo mão do trabalho de suas empregadas domésticas, a parte Senzala dessa tragédia.

Não por acaso a primeira morte pelo vírus no Rio de Janeiro foi de uma empregada doméstica, de 63 anos, que esteve em contato direto com sua patroa que chegou da Itália e testou positivo ao COVID-19.

Numa outra situação, que reflete a mesma desigualdade de tratamento, um casal infectado morador em São Conrado, fazia a sua quarentena mantendo junto para servi-los, a sua empregada, que também deveria ter sido liberada para fazer a sua quarentena.

Esses dois exemplos, noticiados pela mídia, expressam bem aquele ditado de que a corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco.

A atitude responsável de parte dos empregadores deveria ser a de dispensarem as empregadas domésticas e as diaristas para também cumprirem suas respectivas quarentenas, mas pagando esses dias a fim de poderem sustentar a si e suas famílias.

A presidente Maria Isabel, do Sindicato das Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro, divulgou um vídeo pedindo a colaboração dos empregadores para que dispensem suas empregadas e diaristas, mas sem deixarem de remunerá-las por esses dias quarentena.

Benedita da Silva é deputada federal (PT-RJ)

Artigo publicado originalmente na Revista Fórum

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