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Povos da Floresta e parlamentares entregam a Rodrigo Maia manifesto contra mineração em terras indígenas

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Lideranças indígenas e extrativistas, e parlamentares do PT, PCdoB, PSOL, PDT, PSB e Rede criticaram nesta terça-feira (18), em coletiva à imprensa no Salão Verde da Câmara, a política de destruição dos direitos indígenas e dos habitantes de reservas extrativistas no País. Segundo eles, a principal ameaça atualmente é o projeto de lei que permite a mineração em terras indígenas (PL 191/2020), enviado pelo governo Bolsonaro à Câmara. Após a coletiva, as lideranças foram recebidas pelo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que recebeu um manifesto contrário ao projeto do governo Bolsonaro.

Com a ajuda de um intérprete, o cacique Raoni rejeitou o projeto de mineração nas terras indígenas proposto pelo governo Bolsonaro. “Eu não quero a destruição da floresta, não quero que destrua o rio, não quero barragem, não quero o plano do governo Bolsonaro. Eu peço isso a vocês [deputados]: a preservação da natureza. O que o governo [Bolsonaro] quer fazer, é contra todos nós, contra o planeta”, afirmou.

Outras lideranças indígenas e extrativistas seguiram a mesma linha de pensamento do cacique Raoni. Para a filha de Chico Mendes, Ângela Mendes, liderança extrativista dos Povos da Floresta do Acre, o projeto de Bolsonaro representa um grave retrocesso civilizatório no Brasil.

“Estamos em uma aliança dos povos da floresta, sacramentada no ano passado e iniciada pelo meu pai e outras lideranças indígenas e extrativistas no passado, para dizer que só unificados podemos enfrentar a agenda de retrocessos representada por esse projeto de lei, que ameaça os povos da floresta, extrativistas, indígenas, e população ribeirinha que desenvolvem em seus territórios um modelo sustentável e coletivo. Apelamos ao deputado Rodrigo Maia para que rejeite esse projeto”, disse.

Em nome da Bancada do Partido dos Trabalhadores, o deputado Nilto Tatto (SP) ressaltou que além do projeto que libera a mineração em terras indígenas, outras propostas do governo Bolsonaro também atentam contra o meio ambiente e a vida dos povos tradicionais. Para ele, somente a resistência unificada de todos os setores da sociedade pode derrotar esse modelo ultrapassado de desenvolvimento.

“Chamo a atenção que esse projeto da mineração em terras indígenas, assim como o que legaliza a grilagem de terras, são exemplos de uma estratégia maior do ministro da Economia, Paulo Guedes, que infelizmente é apoiado pela imprensa e pelo setor econômico do País. Se a gente não se organizar, vamos colocar em risco o nosso meio ambiente, nossa diversidade étnica e cultural, não só no nosso País, mas no planeta”, afirmou.

Além de parlamentares de vários partidos também participaram da entrevista coletiva outras lideranças indígenas, como Sônia Guajajara, da Articulação dos Povos indígenas do Brasil (APIB) e o cacique Kretã Kaingang.

Defesa dos Povos Indígenas

A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas também emitiu nota oficial condenando o avanço de atividades ilegais sobre as terras indígenas e demais áreas protegidas, incentivadas pelo governo Bolsonaro. Os parlamentares da Frente reiteram o pedido feito pelo colegiado ao presidente da Câmara no dia 11 de fevereiro, para que devolva ao governo o projeto que trata da mineração em terras indígenas (PL 191/2020). Segundo eles, “o PL tem problemas claros de inconstitucionalidade e injuridicidade”.

Héber Carvalho

 

 

 

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