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CUT e petroleiros se reúnem com autoridades para destravar impasse na Petrobras

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Na corrida contra o tempo para impedir a demissão de mais de mil trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), de Araucária, no Paraná, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, o secretário de Comunicação, Roni Barbosa, e uma delegação de petroleiros fizeram uma série de conversas com ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) nessa terça-feira (11). A intenção é que o impasse entre a direção da Petrobras e a categoria, em greve há 11 dias, seja mediado pelo TST.

“Em um País que tenha o mínimo de democracia, esses tipos de conflitos têm que ser resolvidos na mesa de negociação. A Petrobras não pode fazer o que está fazendo, tomando medidas arbitrárias e autoritárias”, afirma Sérgio Nobre.

Para ele, a decisão da estatal de demitir os trabalhadores e fechar a Fafen é “perversa”. “Além de estar destruindo uma empresa determinante para o crescimento do Brasil, a Petrobras atinge trabalhadores que têm filhos que fazem tratamento de leucemia, por exemplo”.

“São trabalhadores com 10, 20, 30 anos de casa, que se demitidos muito certamente não conseguirão arrumar outro emprego”, afirma o presidente da CUT, ao lembrar que ainda existe o risco de o governo de Jair Bolsonaro privatizar a Petrobras, a maior empresa estatal do Brasil.

O fechamento da Fafen, segundo a empresa, é consequência do aumento do preço da matéria prima utilizada pela fábrica, sendo que o produto final não consegue cobrir esse valor. Entretanto, a matéria prima é repassada à Fafen-PR pela própria Petrobras, sem qualquer prejuízo à estatal.

“A Petrobras não foi construída para dar lucro, embora dê”, rebate Roni Barbosa, que também é petroleiro. Ele alerta que as demissões anunciadas pela Petrobras vão impactar gravemente a economia local. “Não são só mil trabalhadores sem emprego. Esse número se transformará em 3, 4, 5 mil pessoas sem emprego, já que impacta diretamente no comércio e serviço da região”, explica.

Nesta quarta-feira (12), a CUT e a delegação de petroleiros seguirão articulando com outros interlocutores para tentar remediar a ação arbitrária da direção da Petrobras. Estão agendadas reuniões com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

O que está por trás do Fechamento da Fafen-PR

Ao contrário do que muita gente pensa, a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná, Fafen-PR, não produz apenas fertilizantes. Também são produzidos pela empresa ureia, enxofre, gás carbônico e metanol. Esses produtos são utilizados na indústria farmacêutica, na indústria química, em cosméticos, para ração animal e até mesmo para reduzir a emissão de poluentes.

“Hoje, a Fafen é a única fábrica do País a produzir esses compostos. A Fafen-Sergipe e a Fafen-Bahia foram arrendadas e não voltaram a produzir essas substâncias. E eles querem simplesmente fechar a Fafen-PR, não é nem vender. Com isso, vamos ficar totalmente dependentes do mercado internacional”, denuncia Gerson Castellano, dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e técnico de manutenção da Fafen-PR há 18 anos.

“A resistência é o caminho para impedir esse processo criminoso, lesa pátria”, avalia Castellano.

Mobilização

Na terça (11), os petroleiros completam 22 dias de ocupação da Fafen-PR, iniciada no dia 20 de janeiro, seis dias após os trabalhadores saberem pela imprensa que seriam demitidos. Trabalhadores e suas famílias fazem vigília 24 horas por dia.

Diante do anúncio, a FUP convocou uma greve geral da categoria para dia 1º de fevereiro. Mais de 91 unidades do Sistema Petrobras estão paradas em 13 estados brasileiros. Cerca de 20 mil trabalhadores estão mobilizados nesta que já é considerada a mais forte greve da categoria nos últimos anos.

Estão paradas 40 plataformas, 18 terminais, 11 refinarias e outras 20 unidades operacionais e 3 bases administrativas com trabalhadores em greve por todo o país.

Ocupação no prédio da Petrobras

Desde o dia 31 de janeiro, cinco dirigentes sindicais que fazem parte da Comissão de Negociação Permanente da FUP estão ocupando uma sala de reunião no andar do prédio da Petrobras, na Rua Chile, no Rio, cobrando um canal de negociação com a empresa. Neste andar funciona a gerência de Recursos Humanos.

Durante o primeiro fim de semana deste mês, direção da Petrobras chegou a tomar medidas para dificultar a entrada de alimentação para os dirigentes que ocupam. Eles foram informados de que não poderiam mais deixar a sala em que estão para pegar os alimentos trazidos por apoiadores e de que a empresa ficaria responsável por levar os produtos.

A mobilização dos movimentos sociais e sindicais na porta da empresa, fez a direção da estatal voltar atrás e autorizar a entrada de alimentação na segunda, dia 3.

O que querem os petroleiros e petroleiras

– Suspensão da demissão em massa dos trabalhadores da Fafen-PR, prevista para ter início no dia 14 fevereiro;

– Suspensão das medidas unilaterais que contrariam o ACT e os fóruns de negociação:

– Implantação unilateral das tabelas de turno de 3×2, em ciclos de 5 dias

– Posicionamentos equivocados de cartões de ponto para apuração da hora extra da troca de turno

– Fim do interstício total e exigência dos trabalhadores chegarem na madrugada,

– Transferências de trabalhadores sem negociação com os sindicatos

– Ataques à AMS e à PLR, com imposições de decisões à revelia do ACT e da legislação

– Estabelecimento imediato de um processo negocial sobre todos estes pontos, com duração mínima de 30 dias;

– Que não haja condicionamento de renúncia de direitos ao avanço das tratativas

 

Por CUT

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