Home Portal Notícias Lula chama militância à luta: “Se demonstramos medo, vamos ser dizimados”

Lula chama militância à luta: “Se demonstramos medo, vamos ser dizimados”

6 min read
0

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos convidados do Encontro de Amigos e Amigas do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Sarzedo (MG), na noite desta quinta-feira (23). Ele discursou aos cerca de 400 presentes na plenária e relembrou da sua participação na assembleia de fundação do MST, em janeiro de 1985.

Lula novamente agradeceu à militância do MST pela solidariedade demonstrada a ele na Vigília Lula Livre, em Curitiba, durante os 580 dias que permaneceu preso. Também enfatizou a luta dos trabalhadores, não somente na ocupação de terras improdutivas, mas na produção de orgânicos, na preservação da biodiversidade dos alimentos.

O petista demonstrou indignação com as contradições do sistema capitalista. Segundo Lula, em nome do desenvolvimento, o sistema provou ser “muito bom para acumular dinheiro para poucos e muito ruim para garantir o direito de muitos”.

“O resultado do desenvolvimento capitalista é que os capitalistas ficaram muito mais ricos e os pobres estão ficando mais pobres.”

Ele denunciou a conduta golpista do governo dos Estados Unidos ao apoiar intervenções em outras democracias, citou o caso da Venezuela, da Bolívia e o golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2016.

“Trump pensa em qualquer coisa, menos na paz, na democracia, nos diretos humanos e na autodeterminação dos povos.”

O ex-presidente argumentou que os golpes de Estado são motivados para impedir a continuidade de políticas de inclusão social e para permitir a apropriação capitalista das riquezas dos países.

Soberania

Segundo ele, é necessário fortalecer uma narrativa sobre a soberania nacional, para garantir que o uso das riquezas naturais e intelectuais do País sirva ao povo brasileiro.

Lula citou ataques à soberania ocorridos a partir do governo de Michel Temer (MDB) e aprofundados no governo de Jair Bolsonaro (sem partido), como a retirada de direitos trabalhistas, a permissividade nas políticas ambientais e a entrega das empresas públicas.

“O dinheiro que entrou nesse país não gerou empregos, entrou como resultado da entrega de empresas para o exterior”, acusou.

A postura da classe trabalhadora, para Lula, não pode ser de medo. “Eu com 74 anos vou ter que falar mais grosso. Se a gente demonstrar medo, nós vamos ser dizimados. Nós e as nossas conquistas. Vão acabar com a educação, com investimentos em ciência e tecnologia, quase tudo que a gente conquistou. Temos que levantar a cabeça e enfrentar”, defendeu.

Ele também avaliou o governo Bolsonaro: “é o que poderia estar acontecendo de pior para o nosso País, para o povo brasileiro”. Por outro lado, de acordo com ele, o atual governo “é o que está acontecendo de melhor para os capitalistas”. “Na lógica dessa gente, pobre tem que ser pobre para sempre”, enfatizou.

O ex-presidente concluiu seu discurso tirando o chapéu para o MST – Lula de fato sacou o boné do movimento que levava à cabeça –e convocando a militância para a luta pela reconquista dos direitos sociais. “O MST é uma das coisas mais primorosas da história desse país. Não permitam perder o que vocês conquistaram.”

“A gente diz que a sociedade está um pouco anestesiada, mas talvez a gente tenha culpa. Então o lema agora é o seguinte: se a gente não brigou ano passado, vamos ter que brigar muito esse ano”, sentenciou.

 

Por Brasil de Fato

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

Flávio Bolsonaro divulga vídeo falso sobre a morte do miliciano Adriano, denuncia Jorge Solla

O deputado Jorge Solla (PT-BA) usou a tribuna da Câmara nessa terça-feira (18) para destac…