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Para Paulo Guedes, degradação ambiental é culpa dos mais pobres, petistas repudiam afirmação

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O ministro da Economia, Paulo Guedes, atribuiu aos mais pobres a culpa pela degradação ambiental no Brasil. Segundo ele, “o grande inimigo do meio ambiente é a pobreza” e “as pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer”. As declarações foram feitas nesta terça-feira (21) durante o painel intitulado “Moldando o futuro da indústria avançada”, uma das atividades do Fórum Econômico Mundial, realizado ao longo desta semana, em Davos, na Suíça.

Os parlamentares da Bancada do PT na Câmara usaram suas redes sociais para repudiar a fala do atual ministro. “O prejuízo ao meio ambiente causado por pessoas em situação de extrema pobreza em busca de alimento não pode ser comparado com o que causa o agronegócio, a mineração ou o garimpo. É desonesto e imoral defender o capital e as empresas desta forma”, afirmou o coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, deputado Nilto Tatto (PT-SP).

Para o deputado Carlos Veras (PT-PE) a fala do ministro tenta justificar a falta de uma política ambiental do governo Bolsonaro. Em sua conta no Twitter ele afirmou que não são os pobres que desmatam, queimam e poluem. “É um absurdo usar dessa falácia para tentar justificar a irresponsável política ambiental do governo Bolsonaro”, protestou.

“Até parece mentira a manchete, mas, sim, o ministro da Economia de Bolsonaro culpou os pobres pela destruição ambiental. Guedes fala para o mundo em nome do governo que, em apenas um ano, bate recordes de devastação ambiental e desigualdade social”, afirmou o deputado Waldenor Pereira (PT-BA).

Paulo Guedes também alegou que os países ricos se preocupam com a agenda ambiental porque já desmataram as suas florestas. “Eles (os pobres) têm todas as preocupações que não são as preocupações das pessoas que já destruíram as suas florestas, que já lidaram com suas minorias étnicas, essas coisas”, disse Guedes.

A culpa não é da pobreza

Para a deputada Margarida Salomão (PT-MG) é inaceitável colocar a culpa do desmatamento na pobreza. “É inaceitável que Paulo Guedes ignore madeireiros, garimpeiros, ruralistas e prefira colocar a culpa do desmatamento na pobreza. Isso é vil. Isso é hipócrita. Isso é desprezível. Que lástima. Quem desmata é o capitalismo sórdido, não o povo”, afirmou a parlamentar em sua rede social.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou em seu Twitter que é a ganância por dinheiro que destrói o meio ambiente. “Em Davos, Paulo Guedes diz que as pessoas destroem o meio ambiente porque precisam comer. Mentira deslavada. No Brasil, ruralistas, madeireiros e garimpeiros ilegais destroem o meio ambiente por ganância, por dinheiro”, criticou.

E o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) afirmou que “definitivamente, o ministro Paulo Guedes e a sua total desconexão com a realidade brasileira não estão à altura dos desafios que o Brasil tem a enfrentar”.

Constrangimento

O ministro foi a Davos como representante do governo brasileiro, após o presidente Jair Bolsonaro alegar “questões de segurança” para cancelar a sua participação no evento. No ano passado, Bolsonaro provocou constrangimentos ao proferir discurso de cerca de seis minutos e também quando foi flagrado almoçando em um “bandejão” de um supermercado local. Coube a Guedes assumir a função de proferir impropérios, que parece ser a marca da atual gestão.

Da simplificação ao atribuir aos pobres os impactos sobre o meio ambiente, Guedes afirmou que as coisas são “complexas”, quando envolvem o agronegócio. Ele afirmou que o mundo precisa de mais alimentos, mas a ampliação da produção depende, segundo ele, da utilização de agrotóxicos. “É uma escolha política. Você não tem um meio ambiente limpo porque as soluções não são simples. São complexas”.

O ministro afirmou, ainda, que o Brasil perdeu “a grande onda da globalização e inovação” e, portanto, as inovações tecnológicas demoram para chegar por aqui, mas declarou-se otimista: “Estamos a caminho”. “Nós temos escala, agora precisamos investir em educação”, afirmou. “Podemos atingir isso se tivermos educação e mais conexões”, declarou o ministro, sem detalhar os meios para alcançar tais objetivos, já que o Orçamento da União para a educação para o ano que vem teve redução de 16% – caindo de R$ 122,9 bilhões, em 2019, para 103,1 bilhões, em 2020.

 

PT na Câmara com Rede Brasil Atual

Foto: Gustavo Bezerra

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