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Agências de checagem de notícias cobram mais empenho de plataformas de redes sociais no combate a fake news

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Representantes de agências de checagem de fatos e notícias (fact-checking) afirmaram nesta quarta-feira (6) que a solução para reduzir a circulação de fake news na internet passa por um maior engajamento das plataformas de tecnologia (Google, Facebook, WhatsApp, Youtube e Twitter e outras) no combate ao fenômeno. Durante audiência pública na CPMI das Fake News, os representantes da “boatos.org”, “portal Comprova” e “e-farsas.com” defenderam medidas como a redução do alcance das notícias falsas – após checagem – além da redução do valor do pagamento mediante curtidas e compartilhamentos.

Para o representante do site “boatos.org”, Edgard Matsuki, as plataformas de tecnologia por onde circulam a maior parte das fake news precisam se empenhar mais no combate as fake news. “Além de reduzirem o pagamento de publicações na internet mediante curtidas e compartilhamentos, as plataformas de tecnologia como Google, por exemplo, tem que parar de colocar no feed de notícias (conteúdos que aparecem primeiro nas redes sociais) publicações falsas ou sensacionalistas”, acusou.

Segundo Matsuki, esse tipo de publicação gera mais engajamento (comentários, curtidas e compartilhamentos) e por isso é privilegiado pela plataforma. “O algoritmo das redes sociais (fórmulas inteligentes para definir o conteúdo visível ao usuário, afetando o alcance e a visualização das postagens), ao privilegiar esse tipo de conteúdo estimula a polarização, e não a informação, criando bolhas na internet e fechando as pessoas em grupos, tornando difícil as pessoas ouvirem o outro lado”, explicou.

Para o criador do “e-farsas.com”, Gilmar Lopes, que desde 2002 checa a veracidade de notícias na internet, mudar a forma de monetização é uma das saídas para reduzir a circulação de notícias falsas. “É atacando pelo bolso que podemos combater as fake news”, disse. Apesar do alerta, Lopes observou que apenas isso não tem o poder de acabar de vez com as fake news.

Como exemplo, ele disse que até mesmo durante uma reunião na CPMI já foi divulgada notícia falsa. Como exemplo, o fundador do “e-farsas.com” se referiu ao depoimento do dono do blog Terça Livre, Allan dos Santos, que em depoimento na terça-feira (5) no colegiado disse que o Porto de Mariel foi utilizado para “troca de armas nucleares entre Brasil e Cuba”, durante os governos do PT. Segundo ele, essa ‘notícia’ já havia sido desmentida pelo “e-farsas.com”.

O representante do Portal Comprova, Sérgio Lüdtke, relatou que existe atualmente uma grande dificuldade para identificar a origem das fake news. Porém, explicou que quando isso é possível o Comprova entra em contato com o produtor da falsa notícia para que “a pessoa dê uma errata, um desmentido ou que delete a informação original”.

De acordo com Sérgio Lüdtke, o trabalho conjunto das agências de checagem também pode trazer resultados positivos no combate as fake news. Ele lembrou que nas 48 horas que antecederam as eleições de 2018, várias agências de checagem em conjunto com 24 redações jornalísticas, conseguiram constatar 146 boatos de grande alcance e desmentir categoricamente cerca de 50 notícias falsas. “O problema é que não é possível identificar efetivamente quem foi afetado por esses boatos para direcionar o desmentido. Isso hoje é impossível”, lamentou.

O representante do site “boatos.org” Edgard Matsuki também destacou que “o grande problema é que o desmentido nunca terá o mesmo alcance da mentira”. “Ao menos podemos dizer que quando a fake news é desmentida, o alcance do boato cai, ou o disseminador da notícia se retrata, ou exclui a publicação”, observou.  Segundo Matsuki, durante o período eleitoral de 2018, a “boatos.org” chegou a receber mais de mil denúncias de fake news por dia.

Já a representante da Associações das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro Nacional) Adriele Brito defendeu a cooperação entre países para acesso a conteúdos armazenados na origem como forma de agilizar investigações sobre a produção e disseminação de fake news.

Durante a reunião, parlamentares do PSL insinuaram que qualquer tentativa de regulação do tráfego de notícias falsas pela internet configuraria tentativa de “restringir a liberdade de expressão”. Em resposta, o deputado Rui Falcão (PT-SP) ressaltou que o Partido dos Trabalhadores sempre defendeu a liberdade de expressão, e que “companheiros até perderam a vida por isso”. “Porém, a nossa luta é para que a população receba informações verdadeiras, e não falsas”, disse.

Na mesma linha, a deputada Luizianne Lins (PT-CE) explicou que as fake news precisam ser combatidas para defender a sociedade, principalmente os jovens que atualmente têm a internet como meio mais importante de informação.

“Essa geração nasceu na era da internet popularizada, nem assistem mais TV. Isso aumenta ainda mais a nossa responsabilidade com essa geração. Não somos contra as redes sociais, mas não queremos a mentira, que engana as pessoas de forma dolosa causando dor e sofrimento. Então vamos acabar com essa hipocrisia de dizer que combater as fake news é querer acabar com a liberdade de expressão”, disse se referindo aos deputados do PSL.

A deputada Natália Bonavides (PT-RN) também participou da reunião.

 

Héber Carvalho

 

 

 

 

 

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