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Seminário debate papel da universidade para o desenvolvimento da ciência e tecnologia

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A Comissão da Educação, em parceria com a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, realizou nesta terça-feira (29), na Câmara dos Deputados, seminário sobre o papel da universidade pública no desenvolvimento da ciência e tecnologia, educação e conhecimento.

“Se não olharmos para a nossa ciência e tecnologia, nós não estaremos olhando para o nosso projeto de futuro”, afirmou a deputada Margarida Salomão (PT-MG), autora do requerimento à realização da atividade.

A deputada defendeu a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “A história da universidade brasileira é recente, a universidade brasileira é tardia entre as nações do ocidente. É importante destacar que a CAPES e o CNPq são uma construção que atravessaram governos que tiveram, inclusive na época dos governos militares, apoio. É necessário reconhecer isso, que durante o período dos governos militares ninguém quis desmontar a CAPES ou o CNPq”.

Recursos

O professor da Universidade Federal de Goiás Nelson Cardoso Amaral mostrou dados da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos da América (CIA) em que eles comparam 16 países conforme os recursos aplicados por habitante em áreas como Ciência e Tecnologia, educação entre outras.

De acordo com os dados, o Brasil só ganha do Chile quanto ao valor aplicado por habitante em Ciência e Tecnologia. A Coréia do Sul aparece em primeiro lugar seguido dos Estados Unidos. Já nos recursos aplicados em Educação, o Brasil aparece em último lugar. A Finlândia é o país que mais investe em educação, por habitante, e a Alemanha fica em segundo.

A professora Margarida Salomão afirmou que há um discurso que se disseminou pelo país de que o Brasil gasta mais com a educação do que os EUA. Os dados da CIA mostram exatamente o contrário, conforme os resultados dos 16 países analisados. “Esses dados que foram apresentados da CIA, com esse nível de sobriedade, revelam bem qual é o caminho que nós estamos tomando e é muito problemático para o nosso futuro, muito problemático”, observou Margarida Salomão, ex-reitora da Universidade de Juiz de Fora (MG).

Universidades

As contribuições das universidades e das instituições de educação para o desenvolvimento do Brasil também foram temas do seminário.

Para Roberto Salles, ex-reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF) – e um dos membros da Comissão Especial destinada a estudar e debater a educação superior no País – “a universidade tem que ter a liberdade de colocar vários temas para discussão. A universidade representa a diversidade da população”. Ele também defendeu que todas as universidades precisam ter sua autonomia. “Não existe em nenhum lugar do mundo, eu pesquisei, onde a universidade não tenha autonomia”, esclareceu o ex-reitor.

Salles afirmou que a educação precisa ser vista como um sistema, e que não dá para brincar com a educação. Para ele todos os governos deveriam ter orgulho das universidades e dos institutos de pesquisa.

“Os governos tinham que ter orgulho do que as universidades falam. Nós temos centros de pesquisas excelentes, temos empresa como a Embrapa, temos instituto como a Fiocruz, que não são universidades em si, mas são grandes escolas, mas que todos entraram através das universidades. Tudo que o Brasil possui de forte, tecnológico, saiu das universidades, saíram dos centros de pesquisas. O kit de diagnóstico rápido da AIDS, por exemplo, saiu da Fiocruz”.

Margarida Salomão ressaltou a importância do debate.Como é extraordinário que nós tenhamos que fazer um evento para debater a contribuição que as universidades oferecem ao desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil”, destacou a professora.

 

Lorena Vale

 

 

 

 

 

 

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