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Com vitória de Fernández, Argentina derrota a direita neoliberal

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A direita neoliberal na América Latina sofreu uma profunda derrota no domingo (27). A vitória da Frente de Todos no 1º turno, com a chapa Alberto Fernández Presidente e Cristina Kirchner Vice-Presidente, mostra que as mobilizações populares, constantes durante os quatro anos do governo de Maurício Macri, ganharam voz nas urnas.

A vitória da Frente de Todos representa a esperança de uma população que mais uma vez foi assolada por políticas neoliberais, que trouxeram a miséria ao dia a dia dos argentinos. Com Macri, a Argentina viveu quatro anos de crescente desemprego, perdas progressivas de renda das famílias e um crescimento da fome nunca visto no país. Na campanha de 2015, o mandatário prometeu “pobreza zero”, mas o agravamento da pobreza no país atingiu recordes nos últimos dez anos. Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec) mostram que o percentual de pobres chegou a 35,4% da população, o mais alto da década. O índice é ainda mais alarmante na infância e atinge 52,6% das crianças até 14 anos.

O desastre econômico de Macri trouxe outro fantasma para a vida dos argentinos, recorrente em governos neoliberais do país: o Fundo Monetário Internacional (FMI). A Argentina teve que pedir um socorro de 56,3 bilhões de dólares para tentar conter a crise cambial. Junto com a “ajuda”, veio mais austeridade e deterioração da economia.

Chile, o ícone neoliberal sob contestação popular

Se Jair Bolsonaro (PSL) mais uma vez se mostra um mandatário indigno do cargo ao dizer que não vai cumprimentar Fernández pela vitória sua atitude esconde o medo diante da crescente mobilização latino-americana contra as políticas neoliberais e os governos de direita que as sustentam.

Enquanto ele viu o aliado derreter neste domingo (28) na Argentina, ainda assiste no Chile outro amigo neoliberal experimentar a fúria da juventude e dos trabalhadores. Milhões foram e ainda estão nas ruas em jornadas incríveis de mobilização contra 30 anos de opressão política e econômica. Passaram a exigir o fim das políticas neoliberais, o fim do governo e uma Assembleia Nacional Constituinte para se livrar do entulho repressivo neoliberal que vem desde os tempos da ditadura.

Se no primeiro momento, o presidente chileno resolveu declarar guerra aos trabalhadores e, no maior estilo Augusto Pinochet, decretar o toque de recolher e colocar o Exército nas ruas – pelo menos 19 pessoas foram mortas -, se viu acuado após 1,2 milhões de pessoas tomarem as ruas de Santiago e fazerem da Plaza Itália, na região metropolitana, o símbolo do levante. Piñera tenta agora se segurar no cargo oferecendo pequenas compensações econômicas para manter intacto o modelo que tornou o Chile um dos países de maior centralização da riqueza em poucas mãos. Esse é o modelo de pesadelo que Guedes e Bolsonaro querem trazer para o Brasil.

Panorama latino-americano

Não se pode esquecer que no panorama latino-americano a Venezuela continua dando uma grande lição de coragem popular e mobilização vitoriosa contra o golpismo apoiado por Trump e Bolsonaro. E que em julho de 2018 Lopez Obrador venceu as eleições presidenciais no México, derrotando o neoliberalismo.

De outro lado, também não se pode subestimar as dificuldades de um processo de retomada das lutas antineoliberais na América Latina.

A vitória da reeleição de Evo Morales na Bolívia se desenvolve em meio ao acirramento das lutas sociais e ao surgimento de um movimento golpista impulsionado pela direita.

Já no Uruguai, a Frente Ampla enfrenta um difícil segundo turno marcado pela disputa de um país que experimenta um crescimento contínuo ao longo de 15 anos contra o projeto dos donos de terra, do capital financeiro e dos saudosistas da repressão militar.

Lutas difíceis pela frente, mas a América do Sul pode sentir que o coração voltou a bater. Do lado certo.

 

Agência PT de Notícias

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