Home Portal Notícias Parlamentares e sindicalistas se opõem às privatizações da CBTU e Trensurb

Parlamentares e sindicalistas se opõem às privatizações da CBTU e Trensurb

6 min read
0

A sanha privatizante do governo de Jair Bolsonaro foi tema de debate na Comissão do Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara dos Deputados (CETASP), nesta terça-feira (15). A reunião foi conduzida pelo autor do requerimento, deputado Bohn Gass (PT-RS). Desta vez, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e da Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (Trensurb) estão na mira do governo entreguista. Segundo o governo, as empresas passam a integrar o Parcerias de Investimentos da Presidência da República (PPI) e o Programa Nacional de Desestatização (PND). A intenção do governo é entregar as duas empresas para a iniciativa privada em 2022.

Os sindicalistas que atuam no setor reivindicam a participação no grupo que fará estudos sobre a viabilidade da iniciativa governamental.

“Existe um grupo de estudo e o SindiMetrô gostaria de participar. Nós temos muitos números para apresentar que podem ser interessantes. Provavelmente o governo não sabe o que está acontecendo na caixa-preta do Trensurb”, alertou o presidente do SindiMetrô/RS, Luis Henrique Chagas.

O sindicalista relatou que só nos dois últimos anos a empresa reajustou a tarifa em 147% e a taxa de cobertura saltou de 42% para 56%. “Não precisa ser matemático, contabilista e nem gênio para ver que se aumentou a tarifa em 147% como que a taxa de cobertura só aumentou em 14%. Para onde está indo o dinheiro?”, questionou.

O diretor do SindiMetrô de Minas Gerais, Sérgio Leôncio, também fez a mesma reivindicação ao representante do governo, Otto Luiz Burlier da Silveira Filho, diretor de Programa da Secretaria de Fomento e Apoio a Parcerias de Entes Federativos, que participou da audiência pública.

“Queremos participar dessa questão das PPIs porque nas questões das tarifas, do realinhamento, em Belo Horizonte a tarifa passou de R$ 1,80 para R$ 3,40. Já perdemos praticamente 40 mil usuários. E ainda vêm três aumentos. O que vai acontecer? Qual estudo vai demonstrar que a ferrovia é uma questão social? Se vai fazer estudo, tem que se respeitar a todos. Estamos vivendo o Estado mínimo. Estamos entregando tudo”, reclamou Sérgio Leôncio.

O deputado Bohn Gass fez uma síntese do debate e dos dilemas que a questão apresenta. Ele considerou a necessidade de se investigar as denúncias apresentadas, as demissões dos trabalhadores e da ampliação da participação de todos os envolvidos nos estudos, que segundo o representante do governo, estão começando.

“É preciso contemplar espaço para que os trabalhadores possam apresentar o seu estudo, a sua realidade. Isso é muito importante e nós queremos que todos os elementos sejam postos e ouvidos”, reivindicou o deputado gaúcho.

Em seu discurso, o deputado Rogério Correia (PT-MG) levantou a questão da soberania nacional. Para ele, o que está em curso não é apenas a privatização do metrô, mas da privatização em geral orquestrada por Jair Bolsonaro.

“O governo Bolsonaro está acabando com a soberania em geral, de todas as questões do Brasil. Nós vamos ficar com um País sem soberania. O caso do petróleo é gravíssimo. Eles querem entregar a Amazônia para os americanos explorarem. E o metrô entra nesse parâmetro de vender”, explicou o parlamentar.

O deputado reafirmou que aos poucos o Brasil vai perdendo seu lugar de uma Nação soberana. “Um País assim não vai para a frente. O miliciano da corte não está nem aí para isso. Ou a gente unifica a luta pela soberania ou não vai sobrar Brasil”, sentenciou Rogério Correia.

Benildes Rodrigues

 

 

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

Padilha quer debater na Câmara os impactos do reajuste dos planos de saúde

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) apresentou na Comissão Externa da Câmara que …