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Marília Arraes relembra golpe no Chile e repudia admiração de Bolsonaro ao regime sanguinário de Pinochet

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A deputada Marília Arraes (PT- PE) usou a tribuna da Câmara, nesta quarta-feira (11), para relembrar o golpe ocorrido no Chile no dia 11 de setembro de 1973 que provocou a morte do primeiro presidente socialista eleito democraticamente, Salvador Allende. “Allende vinha fazendo uma via chilena de transição democrática para o socialismo, para uma sociedade mais justa e chegou a números revolucionários, como, por exemplo, a expropriação de 6 milhões de hectares de terra legalmente, entre outras ações que fizeram o seu governo ser um marco no mundo inteiro”, recordou.

Marília Arraes lamentou que, por meio de interferência internacional, assim como aconteceu nos demais países da América Latina, o Chile sofreu um golpe. “O golpe de Augusto Pinochet, que matou cerca de 3,2 mil pessoas, torturou e prendeu quase 40 mil pessoas e tem consequências no país até hoje”.

Segundo Arraes, não dá para falar do que aconteceu no Chile sem associar com o que está acontecendo no Brasil. “Não somente pela incitação à violência que há neste governo, pela admiração que o presidente Jair Bolsonaro tem ao ditador sanguinário Pinochet, mas principalmente pela política econômica que vem sendo defendida por Bolsonaro”.  A deputada alertou que o neoliberalismo normalmente vem acompanhado de algum tipo de violência. “E essa postura de tentar fazer com que o Estado seja subsidiário, isto é, que seja praticamente só o fiador do mercado dos interesses do lucro é muito semelhante ao que aconteceu no Chile”, explicou.

Segundo a parlamentar, há repercussões que demoram anos para serem superadas. “É por isso que precisamos, hoje, continuar lembrando e fazendo uma análise crítica da história, uma história que faz parte do nosso passado e que precisa ser lembrada no presente e ter uma população consciente do que aconteceu para que não mais aconteça”, reforçou.

No Chile, continuou Marília Arraes, a educação existe com base e com objetivo no lucro. “E é isso que nós estamos vendo acontecer aqui no Brasil com esse desmonte que tem sido feito na pesquisa, na educação superior, na extensão, no desmonte das nossas universidades, na dificuldade que cada vez mais os pobres e os negros terão para ter acesso ao ensino superior e nele permanecer”.

A deputada ainda citou a tentativa de privatizar a Previdência. “Nós conseguimos derrubar a proposta de capitalização aqui na Câmara, mas a proposta vai sempre ser um fantasma nas nossas vidas enquanto tiver este Governo, que é regido economicamente por quem já foi Chicago Boys na época de Pinochet, hoje é um Chicago velho, mas com a mesma tendência, que é procurar empobrecer cada vez mais a população e favorecer as elites que são ligadas intrinsecamente aos Estados Unidos, como eram na época em que foi deposto o Presidente Allende, que bombardearam La Moneda e que nós não podemos esquecer”, reforçou.

Michelle Bachelet

Marília Arraes disse ainda que não daria para passar o 11 de setembro sem falar desses tempos sombrios e que coincide com as lamentáveis declarações que foram feitas recentemente pelo presidente Jair Bolsonaro sobre o pai de Michelle Bachelet. No dia 4 de setembro, Bolsonaro usou sua rede social para atracar a memória do pai da ex-presidente do Chile e Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos, o brigadeiro Alberto Bachelet, que morreu na prisão em 1974 após ter sido preso e torturado por não ter aceitado o golpe de Augusto Pinochet.

A deputada destacou que a retratação que a Oposição fez, no plenário da Câmara, à presidenta Bachelet teve repercussão no mundo inteiro. “E tem que voltar a ser feita por cada asneira que for dita pelo presidente Bolsonaro, por cada crise diplomática desnecessária criada por um governo que parece que não sabe para onde vai, mas que sabe sim. Querem levar o Brasil ao fundo do poço, o povo brasileiro ao fundo do poço, e nos deixar de joelho aos Estados Unidos”.

Vânia Rodrigues

 

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