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Parlamentares e funcionários lançam campanha em defesa do Banco do Brasil

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Funcionários do Banco do Brasil (BB) lançaram nesta quinta-feira (22), durante Sessão Solene no plenário da Câmara, a campanha “Não Mexe no Meu BB”. Durante o ato, parlamentares e funcionários do banco público vestiram camisetas com o slogan da campanha e reafirmaram a importância estratégica da instituição para o desenvolvimento do País. Eles ainda condenaram os ataques desferidos pelo governo Bolsonaro para enfraquecê-los. A deputada Erika Kokay (PT-DF), uma das autoras do requerimento que viabilizou a reunião, presidiu parte da sessão, que também contou com a participação do deputado Bohn Gass (PT-RS).

A sessão solene começou com o hino nacional executado pelo coral e orquestra do Projeto Reciclando Sons, composto por pessoas de comunidades carentes do Distrito Federal, e mantido pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB), que tem mais de 100 mil associados. Logo após a apresentação, Erika Kokay afirmou da tribuna da Câmara que o Banco do Brasil é fundamental para o desenvolvimento do País.

“O que ele (Banco do Brasil) representa de crédito produtivo, de crédito rural, crédito que a iniciativa privada, que quer lucro rápido, não investe. O BB é responsável por 60% do crédito rural, que é de risco, porque o retorno do investimento depende de outras variáveis, como do clima, da natureza, mas ali está o BB. Quem não considera a importância desse banco é porque não tem amor por esse País”, afirmou.

A petista lembrou ainda que o Banco do Brasil “está na bolsa (de valores) e disputa mercado”, e que assim “comprova que é possível ser público e eficiente, desconstruindo a lógica deles que dizem que a excelência de qualidade se concentra na iniciativa privada”.

O presidente da ANABB, Reinaldo Fujimoto, lembrou que além de promover o desenvolvimento e gerar riqueza no País, os resultados da instituição demonstram que o Banco do Brasil é um modelo de sucesso no setor bancário. “O BB foi considerado um dos bancos mais sólidos do mundo, e tem expertise em comércio exterior, com presença em 17 países e correspondentes em mais de 100. Valorizamos o BB como empresa pública e eficiente, indutor do desenvolvimento em todos o País, até mesmo onde o setor privado não tem interesse”, disse.

O deputado Bohn Gass ressaltou ainda que no atual momento de crise em que se encontra o País, “onde o PIB cresce igual rabo de cavalo, só para baixo”, o Brasil deveria estar discutindo de que forma o BB poderia ajudar na recuperação da economia do País.

“Eu quero que o BB seja indutor do desenvolvimento, mas que seja também regulador do sistema financeiro do País. Eu não quero só banco privado dando as regras, quero um banco público presente, com política de juros e financiamento adequado ao desenvolvimento do Brasil”, defendeu.

Ameaças ao BB

O vice-presidente da ANABB, Douglas Scortegagna, destacou que a campanha “Não Mexe no Meu BB” tem como objetivo sensibilizar a sociedade para o enfraquecimento da instituição, patrocinado pelo governo Bolsonaro. Ele alertou que, embora não haja risco de privatização no curto prazo, a estratégia é enfraquecer o banco.

“Embora o presidente (Bolsonaro) tenha dito que o BB não será privatizado, o STF aprovou medida que permite a privatização de subsidiárias de estatais sem passar pelo parlamento. Isso significa, como diz Salim Mattar, membro do atual governo (secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia), que ‘não vai privatizar, mais vai deixar o BB bem magrinho’. Isso é enfraquecer o banco de tal forma que tornará inviável continuar como empresa do povo brasileiro”, explicou.

Ele disse ainda que as subsidiárias do Banco do Brasil foram responsáveis por grande parte do lucro da instituição nos últimos anos. “Diversas subsidiárias são potenciais alimentadores dos lucros que o banco tem apresentado nos últimos anos, como o que foi divulgado recentemente, de mais de R$ 4 bilhões apenas no segundo trimestre deste ano”, relembrou.

Segundo dados da ANABB, o Banco do Brasil repassou mais de R$ 35 bilhões de reais nos últimos 12 anos em dividendos para os cofres do Tesouro Nacional e para seus mais de 300 mil acionistas.

Também ocuparam a tribuna para defender o Banco do Brasil o Presidente do Sindicato dos Bancários do DF, Kleytton Guimarães Morais, além de parlamentares de outros partidos.

Pesquisa no Congresso sobre o BB

Durante o ato também foi divulgado pela Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Data-Poder360 para avaliar a percepção da instituição no Congresso Nacional. Foram entrevistados 297 parlamentares, sendo 40 senadores e 257 deputados, de todos os partidos políticos. Nela ficou evidenciada que o parlamento, ao contrário do governo Bolsonaro, reconhece a importância do banco.

A privatização do BB, por exemplo, foi rejeitada por 67% dos entrevistados. Apenas 11% são favoráveis, e outros 23% não responderam/não sabem. Na pesquisa, 84% consideram o BB eficiente ou muito eficiente, 15% mais ou menos eficientes, enquanto apenas 4% dizem ser pouco eficiente.

Sobre a relevância do banco na economia brasileira, 77% disseram que é muito importante e outros 16% disseram ser mais ou menos importante. Apenas 4% afirmaram que o BB é pouco importante na economia.

Héber Carvalho

 

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