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Em defesa da Amazônia, Bancada do PT articula frente com oposição e organizações ambientalistas

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Diante do vertiginoso aumento do desmatamento e do número de queimadas na Amazônia com o governo de extrema direita Jair Bolsonaro, a Bancada do PT na Câmara vai articular com outros partidos de oposição e organizações ambientalistas e da sociedade civil a composição de uma ampla frente em defesa da maior floresta tropical do planeta. A decisão foi tomada no começo da noite de hoje (21), em reunião da coordenação da Bancada.

O deputado Airton Faleiro (PT-PA) informou que já nesta quinta-feira (22) haverá reunião com partidos da oposição para que na próxima semana ocorra um encontro com todos os setores para a formação da frente. “É preciso haver uma reação coletiva, de toda a sociedade brasileira, contra o governo Bolsonaro e sua política de destruição da floresta amazônica e de ataques às comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos”, disse.

Criminosos ambientais

Segundo José Ricardo (PT-AM), Bolsonaro desmantelou toda a estrutura do Ibama e de outros órgãos de fiscalização que atuavam na Amazônia para conter a ação de grileiros, desmatadores, fazendeiros à margem da lei, madeireiros e outros criminosos socioambientais. “Virou um território sem lei”, denunciou.

O deputado Beto Faro (PT-PA) também criticou o desmonte do sistema de fiscalização, o que, junto com as declarações de Bolsonaro a favor do desrespeito às leis ambientais, tem estimulado ações criminosas contra a floresta, a biodiversidade e as populações tradicionais da região amazônica. “É preciso uma mobilização ampla da sociedade, em especial da região amazônica, para conter a destruição”, recomendou o deputado paraense.

Desvario de Bolsonaro

Também integrante da bancada da região amazônica, a deputada Professora Rosa Neide (PT-MT) observou que até empresários esclarecidos do agronegócio estão preocupados com o desvario ambiental de Bolsonaro. Segundo ela, os empresários temem o boicote a produtos brasileiros em mercados como os da Europa por causa do ataque à floresta amazônica. A deputada denunciou que em Mato Grosso, áreas onde vivem 43 etnias indígenas têm sido incendiadas criminosamente por fazendeiros e seus capangas.

Na opinião de Célio Moura (PT-TO), é urgente a necessidade de uma reação do povo brasileiro contra os ataques de Bolsonaro ao meio ambiente, em especial à floresta amazônica. “Com o sinal verde de Bolsonaro, os depredadores estão usando tratores, motosserra e todos os tipos de equipamentos para destruir as matas, é um crime contra todos os brasileiros e a humanidade”, afirmou. Ele também defende a realização de um grande ato de protesto na Amazônia contra os criminosos ambientais e o capitão –presidente.

Interesse nacional

Outros parlamentares de diferentes regiões do Brasil alertaram que a preservação da floresta amazônica é de importância estratégica para todo o território nacional, dado o papel das florestas para o equilíbrio meteorológico e o regime de chuvas no País. O deputado Marcon (PT-RS) observou que “preservar a Amazônia é de interesse nacional”, tanto para garantir a água para a população e a agricultura e pecuária como também para as exportações do agronegócio.

O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, Nilto Tatto (PT-SP), destacou que os incêndios e a escalada do desmatamento na Amazônia, além de dizimar milhões de árvores, milhares de animais silvestres e a biodiversidade de valor inestimável, representam também um ataque frontal a toda a população que vive na região, dos indígenas aos ribeirinhos extrativistas e quilombolas.

Segundo Tatto, a região só será preservada com a reação do povo brasileiro e da opinião pública mundial, daí a importância da Frente que está sendo articulada pelo PT com outros partidos de oposição e entidades ambientalistas.

Em 7 meses e 10 dias de governo Bolsonaro, a Amazônia perdeu 533 mil km2 de florestas, o equivalente a três vezes a área do município de São Paulo. Isso equivale a 533 mil campos de futebol. São pelo menos 500 milhões de árvores destruídas para sempre, sem falar na morte de centenas de milhares de várias espécies de animais.

Em julho, o desmatamento na Amazônia registrou um aumento de 278% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Diante dos fatos, Bolsonaro desrespeitou o Instituto – reconhecido mundialmente pela qualidade das pesquisas – e demitiu o então diretor Ricardo Galvão.

O número de queimadas no Brasil é o recorde para os oito primeiros meses do ano desde 2013. Até dia 19 de agosto, o país registrava 72.842 focos de calor, um aumento de 83% em relação ao ano passado. Considerando apenas o bioma Amazônia, eram 38.227 mil focos de calor até o dia 19 – um aumento de 140% em relação ao ano passado e de 70% em relação à média dos três anos anteriores. Dois Estados criticamente atingidos, Rondônia e Acre, registram emergência de saúde devido à poluição do ar. A pluma de fumaça atingiu a cidade de São Paulo e várias outras no Centro-Sul do país.

PT na Câmara, com agências

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