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Negociata em Itaipu beneficia criminosamente empresa ligada ao PSL e à família Bolsonaro, denunciam petistas

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O deputado Zeca Dirceu (PT-PR), representante do Brasil no Parlasul, e a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) denunciaram em plenário, nesta terça-feira (6) a “tramoia gigantesca” envolvendo o acordo internacional do Brasil com o Paraguai sobre a energia produzida em Itaipu. Secretamente os presidentes Jair Bolsonaro e o paraguaio Mario Abdo Benítez assinaram um acordo no dia 24 de maio excluindo uma cláusula na venda de energia para beneficiar a empresa brasileira Léros Comercializadora, que seria ligada à família Bolsonaro.

A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, que já foi diretora financeira na Itaipu, destacou que conhece o tratado de Itaipu e o sistema financeiro da empresa binacional. “É gravíssimo o que aconteceu para elevar o preço da tarifa de Itaipu ao Paraguai, ou seja, aumentar a energia contratada para que pagasse mais energia. Mas o problema maior não está aí, está justamente em uma cláusula secreta que garantia que o Paraguai pudesse vender sua energia excedente a Léros. Ocorre que o Paraguai – que só tem energia de Itaipu – não pode comercializar energia excedente de Itaipu que não seja com a Eletrobrás”, denunciou.

Gleisi e Zeca Dirceu destacam que o pior disso tudo é que essa empresa Léros foi representada nessas negociações com o Paraguai por Alexandre Giordano do PSL, suplente do senador Major Olímpio (PSL-SP). “Portanto, homem de confiança da família Bolsonaro. Alexandre Giordano falou em nome do presidente Bolsonaro. Essa Léros é uma empresa que explora jazidas de diamantes e nióbio no Brasil. Nióbio tão apreciado por Bolsonaro, foi assim propagado no G20 no Japão, quando disse que tinha um potencial comercial enorme. Esta empresa queria comprar a energia excedente do Paraguai, fazendo um negócio escuso colocando, inclusive, em risco a segurança energética brasileira e um dos bens estratégicos nossos que é a energia comercializada com Itaipu”, acusou Gleisi.

Para Zeca Dirceu, a revisão secreta desse acordo que acabou sendo anulado para evitar o impeachment do presidente do Paraguai tinha um objetivo muito claro: “beneficiar de maneira ilegal e criminosa uma empresa brasileira ligada ao PSL, ligada à família Bolsonaro”.

Reunião com Eduardo Bolsonaro

Gleisi denunciou que a empresa Léros, que tem relações com a família de Bolsonaro, “pelas informações que nós temos de altas autoridades do Paraguai”, teve uma reunião em março aqui no Brasil com o ministro da economia paraguaio – que é irmão do presidente paraguaio – na Embaixada do Paraguai, com o filho do presidente Bolsonaro, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

“Eu gostaria que essa Casa cobrasse explicações se de fato isso aconteceu, se Eduardo Bolsonaro se reuniu em março, clandestinamente, na Embaixada do Paraguai com a empresa Léros e com o ministro da economia paraguaio para fazer negociação de energia de Itaipu. Isso é grave”, protestou Gleisi.

“Esse é um tema sobre o qual não podemos nos calar”, reforçou. Ele informou que vai tratar disso na Comissão de Relações Exteriores aqui da Câmara dos Deputados e junto aos deputados paraguaios no Parlasul. “Vamos tratar disso nesta Casa e talvez hoje ainda, aqui no plenário, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, já intitulado o chanceler do País, o ministro fake das relações exteriores e agora indicado a embaixador dos Estados Unidos, talvez tenha o que dizer aqui”, provou.

Tanto Gleisi quanto Zeca Dirceu disseram que todos os envolvidos neste “acordo secreto e escandaloso” tem muito o que explicar ao povo brasileiro. “A família Bolsonaro tem que explicar as negociatas que faz. Família Bolsonaro e o PSL tem que dizer ao Brasil porque queriam que essa empresa, Léros, que explora nióbio, ficasse com a energia do Paraguai que é uma energia proveniente de Itaipu que só poderia ser e só pode ser – por força do nosso tratado – comercializado com a Eletrobrás e com nenhuma outra empresa. A família Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Major Olímpio e o seu suplente devem explicações ao povo e ao Parlamento brasileiro”, defendeu Gleisi.

Zeca Dirceu – para demonstrar a gravidade do episódio – citou que está em curso o processo de impeachment do presidente paraguaio e o embaixador do Paraguai no Brasil foi demitido. “E nós não podemos permanecer calados aqui. O governo federal, os representantes do Brasil na Itaipu e os congressistas brasileiros envolvidos com esse escândalo devem explicações e cabe a nós aqui tomar as atitudes para que isso ocorra”, defendeu.

A deputada Gleisi alertou ainda que esse tipo de acordo “clandestino e ilegal” coloca em risco as relações do Brasil com o Paraguai. “Um país irmão que nós sempre tivemos na condução do tratado da Itaipu, sempre tivemos uma manifestação de solidariedade, uma manifestação de auxílio, de ajuda no desenvolvimento do Paraguai. Foi assim nos governos Lula e Dilma, e agora, lamentavelmente, Itaipu está virando uma moeda de negociação na mão dessa família”, protestou.

Ela finalizou insistindo que os envolvidos venham a público explicar o que está acontecendo. Quem é a Léros? A quem ela está ligada? Por que Bolsonaro quer tanto explorar o nióbio? Por que Bolsonaro queria que a Léros comprasse a energia de Itaipu que cabe ao Paraguai? São essas as explicações que ele tem que dar a essa Casa e ao povo brasileiro”.

Vânia Rodrigues

Fotos: Gustavo Bezerra/Lula Marques

 

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