Home Portal Notícias Manchetes Dallagnol e a máquina de lucrar da Lava Jato!

Dallagnol e a máquina de lucrar da Lava Jato!

9 min read
0

As recentes revelações sobre como o procurador Deltan Dallagnol usou o marketing da Lava Jato para ganhar milhões de reais além do seu milionário salário pago pelo contribuinte brasileiro mostram o pântano que se tornou a República de Curitiba.

A Lava Jato tornou-se um projeto de poder mafioso que viola as leis, age de acordo com os interesses dos Estados Unidos e utiliza práticas seletivas, parciais, políticas e ideológicas, com o auxílio de parte da mídia brasileira que durante anos atuou como peça central do esquema criminoso montado em Curitiba. O conjunto de revelações do site The Intercept Brasil e seus parceiros na imprensa mostra que a casa caiu.

Matéria publicada no último fim de semana pelo Intercept e o jornal Folha de S. Paulo revela que, ao longo dos últimos tempos, Dallagnol, junto com seu colega Roberson Pozzobon, discutiam estratégias para ganhar dinheiro fazendo eventos e lucrar com fama da Lava Jato.

Ambos, segundo a matéria, montaram plano de negócios de eventos e palestras para lucrar com a fama e contatos obtidos durante as investigações da Lava Jato.  “Dallagnol discutiu criar empresa sem ser sócio, para evitar questionamentos legais e críticas, para arrecadar com palestras, que segundo ele iam “promover cidadania”, conformes diálogos obtidas pelo The Intercept Brasil.

A denúncia revela algo grave: num esquema mafioso liderado à margem das leis e da Constituição pelo ex-juiz Sérgio Moro, com a participação dos dois procuradores e outros agentes de Estado, agiu-se criminosamente contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, utilizado como troféu pelos lavajateiros. Manipularam processos, forjaram provas, atuaram de maneira pirotécnica a fim de dar visibilidade à operação para, com isso, transformar o tribunal inquisitorial em máquina de ganhar dinheiro.

Dallagnol é chegado também a jabás para a sua família. Outra matéria publicada nesta terça-feira (16) pela Folha, com base em material do Intercept,  denuncia que Dallagnol pediu passagem e hospedagem no parque aquático Beach Park para ele, a mulher e os dois filhos como condição para dar palestra sobre “combate à corrupção” na Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), em julho de 2017. E ainda cobrou cachê.

E um mês depois o procurador fez propaganda da Fiec para convencer o então juiz Sérgio Moro a aceitar um convite da entidade, citando que cobrou “30K” (R$30 mil ) para dar a palestra, afora a mordomia para a família.

Nesta semana, as bancadas do PT no Congresso Nacional ingressaram no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com Reclamação Disciplinar contra Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon, em razão do uso da Lava Jato para elaborar um “plano de negócios para lucrar com a fama” da operação baseada em Curitiba.

Assinada por mim, juntamente com a presidenta nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), e o  líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), a peça aponta a gravidade dos fatos e requer o afastamento dos procuradores por 120 dias para a apuração das denúncias.

Além da instauração do processo administrativo disciplinar contra Dallagnol e Pozzobon, a PGR precisa investigar também as empresas Star Palestras e Eventos, Polyndia e Conquer. Essas empresas precisam informar a respeito de suas relações com os procuradores, em especial no tocante a reuniões e contatos mantidos sobre os eventos e tratativas para estabelecimento de parceria comercial com Dallagnol e Pozzebon.

É extremamente importante a averiguação da existência de contratos de prestação de serviços entre eles, os termos do contratos, valores, datas e descrições de serviços, além da apresentação de cópias dos contratos e comprovantes de pagamentos realizados em favor dos procuradores e o balanço contábil e financeiro dos últimos cinco anos.

As conversas revelam que há coisas estranhas aí.

Para um procurador que ousa cogitar, conforme as denúncias, colocar a própria esposa como laranja tudo é possível. Num dos diálogos revelados, em dezembro de 2018, Dallagnol é claro: “Vamos organizar congressos e eventos e lucrar, ok? É um bom jeito de aproveitar nosso networking e visibilidade”, escreveu o procurador.

E os dois procuradores ainda cogitaram uma estratégia para criar um instituto e obter elevados cachês.

É hora de passar a Vaza Jato a limpo. Seus integrantes contribuíram decisivamente para a destruição da economia nacional, utilizaram a operação com fins políticos e ideológicos a fim de ajudar na eleição fraudulenta de Jair Bolsonaro e ainda miraram o enriquecimento pessoal, com uma indústria de palestras.

O CNMP não pode mais se silenciar. Em 2017, junto com o ex-deputado Wadih Damous (PT-RJ), protocolamos uma denúncia no mesmo conselho contra Dallagnol, que já naquele ano chamava a atenção da imprensa pela quantidade de palestras que dava. Estranhamente, a denúncia foi arquivada. Agora, reapresentada, esperamos as providências cabíveis. As conversas entre Dallagnol e Pozzobon agora reveladas mostram que o único objetivo era faturar – e muito – às custas da Lava Jato, embolsando a vultuosas quantias.

(*) Paulo Pimenta é Deputado Federal, líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados

 

 

Carregar mais notícias
Comments are closed.

Vejam também

Zé Neto apresenta projeto que garante computador para estudantes pobres de escolas públicas durante a pandemia

O deputado Zé Neto (PT-BA) apresentou um projeto de lei na Câmara (PL 3.699/20), com a coa…