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Petistas acusam Moro de agir por interesses pessoais e defendem CPI para apurar denúncias contra o ex-juiz

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“Eu tenho a convicção de que o senhor é um juiz parcial e de que sua operação foi movida por interesses pessoais”, afirmou na tarde de terça-feira (2), a deputada Maria do Rosário (PT-RS), ao fazer a sua bateria de questionamentos ao ministro da Justiça Sérgio Moro, durante audiência pública na Câmara, sobre o vazamento de conversas entre Moro e os procuradores da Lava Jato, divulgados pelo site The Intercept Brasil. “O senhor gostaria de ser julgado por um juiz num processo criminal que indique testemunhas para a acusação? Porque o senhor vai ser julgado mais cedo ou mais tarde”, afirmou.

Maria do Rosário citou afirmações da procuradora Monique Cheker, divulgadas pelo The Intercept, na qual afirma que “Moro ajudou a derrubar a esquerda e que sua esposa fez propaganda para Bolsonaro e ele agora assume um cargo político. Não podemos olhar isso e achar natural”. E questionou a Moro: “O senhor acha natural ter virado ministro de quem o senhor beneficiou prendendo o principal adversário político? O senhor acha natural que o procurador Deltan Dallagnol não tivesse certeza sobre a força da prova, mas que o senhor o tenha induzido a utilizar uma prova fraca porque o senhor iria julgar? Afinal, o senhor era o juiz e podia acatar uma prova fraca”, criticou.

A deputada ainda afirmou que Moro usa de um cinismo e o desafiou a olhar nos seus olhos. “Desconfie de quem baixa a cabeça. O senhor envenenou a árvore desse processo. Todo o processo contra Lula é fruto de uma árvore envenenada e agora o senhor fala em segunda, terceira e outras instâncias para corroborar sua decisão. Quero saber como um juiz e outras instâncias tomariam outras decisões se o senhor instruiu de forma irregular, parcial, imoral, corrupta, com conluio com o Ministério Público esse processo contra o presidente Lula”, desabafou.

Maria do Rosário quis saber de Moro também sobre a sua interferência na derrubada da liminar concedida pelo desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, que garantiria a liberdade de Lula no dia 8 de julho de 2018. “Nesse dia o senhor falou com algum juiz do TRF-4, da PF do MPF ou MJ porque o senhor não era mais o juiz do caso Lula, mas o senhor trabalhou para que ele não fosse solto com a liminar concedida pelo doutor Favreto?”

Diante de um Moro que não respondia às perguntas da oposição, se limitando a repetir que não lembrava, que não reconhecia a autenticidade das mensagens, Maria do Rosário insistiu: “Responda… Tenha dignidade. Responda às perguntas porque vai haver uma CPI”, alertou.

Acusador e julgador

A deputada Professora Rosa Neide (PT-MT) indagou a Sérgio Moro, se o Estado Democrático de Direito não está sendo comprometido a partir do momento em que ele não se afasta do cargo de ministro da Justiça para não comprometer as investigações das denúncias aos quais ele é o principal protagonista. “O senhor não compromete o Estado Democrático de Direito ao se manter no cargo sem dar oportunidade de ter um afastamento para que a lisura seja total, na medida em que o Brasil precisa conhecer de fato o que está sendo publicado e investigado?”, questionou.

Para Rosa Neide, pelas mensagens que estão sendo divulgadas pelo The Intercept, fica claro que Moro no processo contra o ex-presidente Lula agiu como acusador e julgador. “O senhor, em momento nenhum, manteve a equidistância e a imparcialidade de quem estava sendo julgado pelo senhor”, reforçou.

E o deputado Frei Anastácio (PT-PB) destacou que é falsa a narrativa apresentada por Moro de que tudo está bem, com base nas manifestações do último domingo. “Alguns passam aqui a imagem de que tudo está muito bem. Não está. O ministro da Justiça não está nesse mar de rosa diante da população brasileira. Isso é querer passar uma imagem falsa deste governo e da pessoa de vossa excelência”, criticou. O deputado disse que na Paraíba nem foi vista e nem se falou na mobilização. “Ai vir aqui e querer passar essa imagem de que foi um sucesso para a população brasileira, isso é muito falso”, reforçou.

 

Vânia Rodrigues e Benildes Rodrigues

 

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