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O Brasil e o mundo estão estarrecidos com a cocaína encontrada em avião presidencial, afirmam petistas

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O escândalo do militar brasileiro preso na Espanha transportando drogas no avião da comitiva do presidente Bolsonaro continua repercutindo na Câmara. Parlamentares da Bancada do PT se revezaram na tribuna para cobrar apuração dessa situação ultrajante para o Brasil. “É evidente que nós não vamos aqui responsabilizar Bolsonaro por esse fato, apesar das suas relações com os milicianos do Rio de Janeiro, apesar de todo o envolvimento com setores fora da lei no Rio, mas nos causa perplexidade a facilidade como esse piloto encontrou para transportar toda essa carga de cocaína, 39 quilos é muita coisa”, afirmou o vice-líder da Minoria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

O deputado relembrou que hoje as pessoas já não podem andar com a sua bagagem nos aviões gratuitamente. “E esse militar ia com 39 quilos de cocaína. Onde está o Gabinete de Segurança Institucional (GSI)?. O general Augusto Heleno (chefe do GSI) bate na mesa, tem seus piripaques, deveria era cuidar do seu trabalho e garantir a segurança do País e, particularmente, do presidente da República, porque esse piloto poderia estar carregando armas, inclusive colocando em risco o presidente Bolsonaro”, criticou.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) também enfatizou que o Brasil e o mundo estão estarrecidos com a prisão do militar, com 39 quilos de cocaína, em um avião presidencial. “Agora, mais espantados estamos nós com a posição do general Heleno – aquele que bateu na mesa, que xingou o presidente Lula e a presidenta Dilma, que fez verborragias e ofendeu muita gente —, pois ele é o responsável pela segurança das aeronaves presidenciais. Ele é do GSI, do Serviço de Informação”, ironizou.

Gleisi observou ainda que não adianta o general Heleno dizer que não pode ter bola de cristal e que foi falta de sorte. “O senhor tem a responsabilidade pela segurança das aeronaves presidenciais. O senhor deve explicações ao Brasil! Mais do que ser esse general que bate em mesa, diga por que não cumpriu a sua função. Deveria ter vergonha na cara e pedir demissão. É uma vergonha o que está acontecendo neste governo do Bolsonaro”, desabafou.

Desespero do governo Bolsonaro

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) disse que nunca viu um tema policial revelar tão gravemente uma crise de governo e um despreparo do governo Bolsonaro. “O que seria um fato policial se transforma em uma crise de governo pelo despreparo em lidar com esse tema. O general Heleno deveria ser o primeiro a coordenar rapidamente a investigação, não só apenas para o sargento. Nenhum sargento entra com 40 quilos, seriam 8 pacotes de 5 quilos de açúcar dentro de um avião da comitiva presidencial sem a anuência de outras pessoas, de outros atores”, observou.

O que se espera do general Heleno, segundo Padilha, é a apuração imediata sobre o episódio. “Mas pasmem, ele disse hoje que não tem efetivo para fazer a averiguação das bagagens dos aviões de comitivas oficiais. Ou seja, o Chefe do Gabinete de Segurança Institucional está dizendo que não existe qualquer tipo de segurança nos aviões oficiais, nos quais circulam não só o presidente, mas também ministros e agentes do Estado brasileiro. E se fosse uma bomba? Não há efetivo para averiguar e garantir a segurança em um avião como esse?, bradou.

Alexandre Padilha informou ainda que apresentou requerimento na Comissão de Relações Exteriores para que o general Heleno explique esta situação.

Vergonha Nacional

O deputado Joseildo Ramos (PT-BA) resumiu o episódio em duas palavras: “Vergonha nacional!”. E ao manifestar sua indignação com relação a essa falta de cuidado com o nosso País, disse que as famílias brasileiras sabem o que significa um avião presidencial, cujo protocolo — ou ausência da observância do protocolo — permitiu a presença de um componente da tripulação com quase 39 quilos de cocaína. “Só ele (o militar) está preso. Mas eu duvido que, sozinho, ele pudesse cuidar dessa empreitada”, desabafou.

Joseildo Ramos alertou ainda que o Brasil, infelizmente, é rota desse processo de tráfico de drogas. “São quase 17 mil quilômetros de fronteira seca em frente a quem produz e passa por aqui. Então, nós não podemos nos calar, não podemos aceitar o tangenciamento dessa discussão”.

Investigação decente

O deputado Pedro Uczai (PT-SC) enfatizou que a grande pergunta desta semana é: “quais os valores, qual a mensagem, qual o exemplo que vai ser transmitido para a sociedade brasileira quando se tem tráfico internacional de 39 quilos de cocaína numa das aeronaves da comitiva presidencial de Jair Bolsonaro?”. Ele disse que para obter essas respostas é necessário que se faça uma investigação séria, decente, responsável. “De onde vieram 39 quilos? Quem levou para o aeroporto? Como passou? A mochila de qualquer um de nós que pega avião passa pelo raio-x. Por onde passaram 39 quilos que chegaram até a aeronave? Só foi um militar? Tem tráfico internacional com um único militar?, indagou e conclui afirmando que é tudo muito estranho e precisa ser apurado.

E o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), ao falar o episódio da cocaína encontrada com o militar na aeronave da comitiva presidencial, frisou que é preciso deixar o moralismo de lado e discutir com seriedade o tema das drogas, definir quem neste País é considerado usuário e quem é considerado traficante. “Geralmente, procuram drogas nas favelas. Fazem operação de confronto, não de aproximação. São operações equivocadas de mata-mata. Não descobrem nada – nem droga, nem armamento – e deixam vítimas jovens, adolescentes, pais de família, trabalhadores assassinados”, lamentou.

Reginaldo destacou ainda que foram encontradas 117 metralhadoras ao lado da casa do presidente Jair Bolsonaro, em um condomínio no Rio de Janeiro. “E olhem onde havia uma mala de 39 quilos de cocaína: num avião reserva do Presidente da República! Lá no meu Estado também acharam um helicóptero de um ex-senador da República com 450 quilos de cocaína! Então, vamos ser sérios. Vamos ter inteligência, enfrentar os traficantes e cuidar dos usuários de droga”, pediu.

Vânia Rodrigues

 

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