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Sessão solene lembra os 50 anos do Levante de Stonewall pelos direitos LGBT

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O plenário da Câmara dos Deputados viveu nesta segunda-feira (24) um dia emocionante e colorido com as cores do arco-íris que representa a comunidade LGBTI+, durante a sessão solene que homenageou os 50 anos do Levante de Stonewall – considerado um marco na luta do movimento. A sessão foi requerida pela deputada Erika Kokay (PT-DF). “O Levante significa revolução dos afetos, da dignidade, da revolução dos corpos de Stonewall”, explicou a deputada.

Foto: Lula Marques

Para Erika, a sessão solene é marcada pela resistência, beleza e melodia. “Nós cantamos uma música que só pode ser cantada com várias vozes, porque se a gente nega a nossa diversidade, negamos a nossa humanidade”, ao se referir ao momento em que Daniela Mercury cantou “O Canto da Cidade”.

A parlamentar do DF ainda lembrou que aqueles que acham que o ódio tem que ser a norma, no púlpito do Parlamento “nós estamos fazendo o discurso do afeto, o discurso do beijo histórico, que nós vimos pela primeira vez nessa Casa, neste plenário”.

Durante sua fala, o diretor executivo da Organização Brasileira LGBTI, Toni Reis, recordou que Stonewall era um bar frequentado pela comunidade LGBT, nos Estados Unidos. Ele contou que em 28 de junho de 1969 ocorreram manifestações da comunidade LGBT contrários à perseguição exercida pela polícia de Nova York.

“Há 50 anos a comunidade se revoltou e colocou os policiais para correr. Este ano, a polícia de Nova York pediu perdão pelo que fizeram. Espero que os fundamentalistas que nos perseguem, que semeiam o ódio, peçam perdão pelo que têm feito contra nós aqui nesta Casa e em todo o Brasil”, destacou Toni Reis.

Homenageadas na sessão solene, a cantora e embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Daniela Mercury e sua esposa, a jornalista Malu Ferçosa, lembraram que apesar dos grandes avanços, é preciso mais ação do Congresso Nacional e do governo para que se efetive políticas concretas que vão ao encontro às necessidades da comunidade LGBTI+. “A sociedade está demandando para que nossos políticos ajam e o nosso governo tenha políticas públicas que contemplem toda a população brasileira. Essa é sempre a mensagem”, afirmou.

“A gente precisa de muita rebelião, a gente precisa de muito Stonewall, desse movimento contínuo na sociedade, para que a democracia se efetive e equalize o direito de todos”, completou Daniela Mercury.

Foto: Lula Marques

Lula Livre

Considerado um dos precursores no reconhecimento da luta da comunidade LGBTI, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi homenageado na sessão solene. Quem o representou foi a sua filha Lurian Cordeiro da Silva. “Meu pai estaria muito orgulhoso em participar dessa atividade de hoje, ele que é um homem – assim como minha família toda – vítima de preconceito de uma sociedade elitista, burguesa”, lamentou.

Lurian lembrou que o ex-presidente Lula foi o primeiro a criar políticas e programas voltados para os direitos LGBT. Segundo ela, a primeira ação de Lula foi a Conferência Nacional LGBT em 2008. “Meu pai é um homem que luta muito pela inclusão social, pelo direito à cidadania, à dignidade e ao respeito. É por isso que ele está sequestrado hoje. É por isso que ele está em Curitiba a mando dos interesses de uma minoria da aristocracia brasileira e dos interesses norte-americanos”, criticou Lurian.

Benildes Rodrigues

Fotos: Lula Marques

 

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