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Ministra da Agricultura defende uso de agrotóxicos, e é confrontada por petistas em comissão

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A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, conhecida como “musa do veneno’, participou nesta terça-feira (9) da audiência pública conjunta das comissões do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, de Defesa Do Consumidor, e de Seguridade Social e Família e não conseguiu explicar o porquê do uso indiscriminado de agrotóxicos por parte dos produtores rurais brasileiros. Os questionamentos foram feitos pelos proponentes da audiência, deputados Célio Moura (PT-TO) e Alexandre Padilha (PT-SP).

O deputado Célio Moura indagou a ministra sobre o aumento na liberação dos agrotóxicos nos primeiros meses do governo Bolsonaro. Segundo o parlamentar, são mais de 121 tipos de veneno, como o glifosato, por exemplo que, segundo ele, a maioria dos países proibiram a comercialização, mas que no Brasil é liberado. “A senhora comeria ou deixaria seus filhos e netos comerem uma salada cheia de glifosato?”, questionou o deputado Célio Moura.

Em resposta, a ministra se valeu do exemplo francês para lidar com essa questão. “A França proibiu o uso de glifosato, mas vai dar um prazo para achar um novo produto para o substituir, porque não existe um novo produto ainda, a indústria deve estar trabalhando nisso, mas não existe um outro produto que substitua o glifosato”, tergiversou a ministra.

O deputado Alexandre Padilha – que já foi ministro da Saúde – observou que o que o deixa preocupado são os estudos produzidos pela professora Lucimara Bezerra sobre a qualidade da água nas escolas públicas em áreas urbanas. Ela aponta que quatro cidades no estado de Mato Grosso possuem uma quantidade injustificável de produtos agrotóxicos, inclusive atrazina, que segundo ele, é cancerígeno.

Padilha, que é médico, relatou outro estudo, o da professora Daniele Palma, de Mato Grosso, e do professor Inácio Pereira, do Piauí, que encontraram produtos agrotóxicos no leite materno de área urbana. “A Fundação Osvaldo Cruz, que é um órgão do Ministério da Saúde monitora 30 tipos de alimentos anualmente, e encontrou no seu último monitoramento, 15 princípios ativos de agrotóxicos no leite, alimento consumido pelo povo brasileiro. A senhora ou o MAPA contestam esses estudos?”, questionou o ex-ministro.

“Esses dois estudos nós já contestamos. Nessa tese sobre o leite materno foi constatado que é produto à base de cloro que é colocado na água para beber. São estudos isolados”, justificou a ministra, defensora do uso indiscriminado de agrotóxicos.

Reforma agrária

Questionada pelo deputado Nilto Tatto (PT-SP) sobre a Política Nacional de Reforma Agrária, Tereza Cristina disse que o País executou – nas últimas décadas – diversos projetos de reforma agrária, mas que precisam ser repensados à luz das mudanças socioeconômicas do País.

“Eu acho que a reforma agraria é uma página virada. Foi feita, está aí, se foi bem-feita ou não nós temos que corrigir os rumos. Foi necessário, foi bom para o Brasil à época que ela foi feita, agora precisamos resolver o problema daqueles que colocamos nos assentamentos”, explicou.

Recentemente, a senadora Eliziane Gama (PPS-MA) apresentou dados da Fundação Fiocruz e da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados também pelo jornal O Globo, segundo os quais os brasileiros são hoje os maiores consumidores de agrotóxicos no mundo.

A Fiocruz revelou que cada brasileiro consome por ano, em média, 7,3 litros de agrotóxicos. Isto significa, entre outras consequências, mais casos de câncer e puberdade precoce. Sem falar nas mortes advindas deste consumo. A ONU mostra que 200 mil pessoas morrem por ano por consequências dos agrotóxicos.

Tramita na Câmara, o projeto de lei (PL 6299/2002), conhecido como “PL do veneno”, o projeto que retira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ibama os poderes no processo de análise e licenciamento de agrotóxicos. Com a proposta, o Ministério da Agricultura terá prerrogativas de deliberar sobre a temática.

Deputado Célio Moura (TO) cobra explicações de Teresa Cristina sobre o uso do glifosato no Brasil

Benildes Rodrigues

Fotos: Lula Marques

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