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Mulheres recebem medalha Mietta Santiago, e Marielle é homenageada in memoriam

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A Câmara dos Deputados homenageou, nesta terça-feira (19), com a Medalha Mietta Santiago, cinco mulheres com história de luta, resistência e que prestaram relevantes serviços ao País relacionados aos direitos das mulheres. Três das cinco agraciadas – Gabriela Barreto Lemos, Gina Vieira e Marielle Franco (in memorian) foram indicadas pelas deputadas da Bancada do Partido dos Trabalhadores Margarida Salomão (MG) e Erika Kokay (DF), e pela ex-deputada Ana Perugini (SP), respectivamente.

Em discurso contundente, a deputada Erika Kokay – que falou em nome da Bancada Feminina do PT – disse que este é um dia importante para a democracia e para a existência humana porque marca a coragem e a ousadia de Mietta Santiago e das mulheres que “carregam essa coragem de Marielle e dessas mulheres que aqui estão sendo homenageadas por esta Casa”.

“Estamos aqui homenageando mulheres que rompem com a lógica de desumanização, uma desumanização simbólica que vai construir o terreno para a desumanização literal que faz com que o Brasil seja o quinto país do mundo em feminicídio”, lembrou Erika.

Para ela, a humanidade pressupõe liberdade, alteridade e afetividade. Nesse sentido, sustentou Erika, as mulheres representam a luta contra o rompimento dessa desumanização simbólica, contra a “hierarquização que não nos cabe e que eles querem dizer o lugar que devemos estar (aqui disse bem a Gina Vieira), e a gente tem que dizer todos os dias que lugar de mulher é onde ela quiser para que possamos descontruir essa masculinização tóxica”.

“A coragem dessas mulheres que aqui foram agraciadas representa a luta de todas as mulheres. Lembrando que vamos puxando umas às outras, e vamos construindo uma grande corrente para dizer que nós mulheres temos o direito de viver plenamente uma humanidade negada”, reafirmou Erika Kokay.

A deputada Margarida Salomão afirmou que sente orgulho por ter sugerido o nome de Gabriela Lemos para ser agraciada com a Medalha Mietta Santiago. Ela destacou também o papel da cientista. “Gabriela é uma grande pesquisadora, obtendo destaque ao desenvolver uma forma de captação de fotografias através da reprodução de pequenos feixes de partículas. Isso permite a construção de uma imagem que não é visível a olho nu (como um ferimento interno ao corpo humano). Margarida, ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora, afirma: “Como professora, pesquisadora e deputada, manifesto minha enorme alegria em ter sugerido o nome de Gabriela para a medalha. E que nós, mulheres, possamos nos orgulhar desse feito. O mundo é repleto de mulheres incríveis e devemos valorizá-las e incentivá-las também nas ciências”.

Ao falar em nome da ex-vereadora Marielle Franco (in memoriam) condecorada com a medalha de ouro, a sua companheira Mônica Benicio agradeceu a ex-deputada Ana Perugini e avaliou que se o mundo hoje sabe quem Marielle é “porque ficou conhecida pela violência que acometeu a sua vida, mas hoje é reconhecida pelos feitos enquanto defensora dos direitos humanos”.

“Medalhas como essa reconhecem a história e luta de mulheres tão diversas, extremamente importantes, mas é importante também que a gente consiga agraciar essas mulheres ainda em vida, e não em memória como Marielle tem sido homenageada ultimamente. Mas é importante porque ela se torna um símbolo de referência, representatividade e inspiração e de luta”, observou Mônica Benicio.

Em seu discurso, a cientista Gabriela Barreto Lemos, agraciada com medalha de platina, afirmou que essa solenidade “é uma união simbólica de todas as nossas lutas para que todas as mulheres brasileiras tenham seus direitos respeitados e suas vozes ouvidas”.

A professora Gina Vieira que recebeu a medalha de prata, relatou os ensinamentos de sua mãe, dona Djanira. “A mulher mais inspiradora da minha vida, uma grande guerreira nascida apenas 49 anos após a abolição da escravatura, repetia para todos os seis filhos: quando disserem que vocês não cabem em um lugar, é para lá que vocês vão”, disse, emocionada, a professora.

Também foram agraciadas com a Medalha Mietta Santiago, a cientista Débora Foguel, e a médica Beatriz Bohrer de Amaral.

Medalha

Criada em 2017 por iniciativa da Secretaria da Mulher, a condecoração valoriza iniciativas relacionadas aos direitos das mulheres e é entregue anualmente em março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher (8).

Mietta

Mietta Santiago nasceu em Varginha (MG), foi escritora, poetisa, advogada sufragista e feminista. Ela questionou, por meio de um mandado de segurança em 1928, a proibição do voto feminino no Brasil, afirmando que isso violava a Constituição então vigente, que não vetava esse voto. Conseguiu assim o direito de votar e o de concorrer ao cargo de deputada federal, tornando-se a primeira mulher brasileira a exercer plenamente seus direitos políticos.

Benildes Rodrigues

 

 

 

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